Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl #06 – Impressões Semanais

 

O demônio de Laplace é um experimento curioso. Ele começa com aspectos da física clássica, levando a alguns pensamentos determinísticos sobre as leis do universo, e que acabam indo até algumas questões mais subjetivos da vida humana.

Se o mundo é regido por regras imutáveis, cada ação humana já foi pré-definida e, caso exista, o fato de eu ter decidido escrever um texto focado nesse aspecto, ao invés de falar do comportamento do Sakuta, já era conhecido por algum ser onisciente, assim como as influências que o mesmo venha a ter em quem estiver lendo daqui a pouco, em algumas horas, e no final, eu nunca tive uma verdadeira escolha.

Essa subjetividade na liberdade humana poderia gerar coisas bem interessantes, principalmente quando temos um personagem como a Koga, que carrega uma necessidade de aceitação social.

Ela vivia sua vida nos limites do mundo das amigas, onde fugir daquelas regras a colocaria em uma situação complicada, tanto que a Síndrome da Adolescência surgiu justamente em tentar encontrar uma forma de burlar essas regras para que tudo funcionasse a seu favor.

A questão, no entanto, é que toda essa complexidade que a ideia por trás do arco carrega, acaba não sendo muito bem aproveitada, e o que poderia abrir portas para diferentes discussão, se resume em se apoiar em um bom desenvolvimento dramático para não perder a viagem.

Não é muito justo desviar a atenção das pessoas.

Como já vinha acontecendo, esse sexto episódio trás um pouco mais dos momentos de casal entre a Koga e o Sakuta, já que isso é importante para construir a noção de perda que ela teria ao terminar com a mentira sobre os dois estarem namorando.

Acrescentar esse novo loop era necessário para desenvolver a personalidade da Koga, e resolver os medos que ela tinha em relação ao seu futuro, e as relações que criou com suas amigas.

Por mais que eu tenha gostado de terem voltando o tempo, e deixarem claro que aqueles dias eram vislumbres dos possíveis futuros que a Koga calculou na sua mente, já que meio que é essa a ideia por trás do demônio de Laplace, no demais, eu achei tudo meio perdido.

Talvez para quem esteja tendo uma primeira experiência com essa abordagem subjetiva do comportamento humano as coisas soem mais legais, porém, para mim, não funcionou tanto assim.

A Koga começou tudo aquilo por conta das amigas, mas teve sua resolução com base nos sentimentos criados pelo Sakuta. São aspectos conectados dentro da questão dela desejar uma linha do tempo onde tudo funcionasse ao seu favor, mas que não são, necessariamente, relacionados.

É com se ela tivesse saído para comprar refrigerante e voltado com uma garrafa de leite só porque ambos estavam no mesmo preço e matariam a cede.

Existe sim, uma divisória entre ela querer fugir dos problemas com as amigas, e não querer se separar do Sakuta, mas a partir do momento em que ela volta ao primeiro dia está assumindo que o problema foi resolvido, o que torna a Síndrome conveniente para conclusão da história, já que ela teve seu início em uma condição, mas foi superar com outra.

Na prática não cria muito problemas, mas em termos de narrativa me ficou parecendo que o autor se esqueceu do que começou, ou trocou de ideia no meio do processo por achar que aquilo seria mais bonito de ver.

Contextualização seria a palavra ideal aqui.

Outra coisa que vinha me incomodando, e que nesse episódio ficou um pouco mais visível, foi a aceitação da Koga em relação aos loops.

Ela viveu um mesmo dia três vezes, mas nunca se importou muito com o que estava acontecendo, o máximo que fez, foi demonstrar um pouco de preocupação lá no quarto episódio, mas fora isso, ela nunca tentou entender o efeito sobrenatural que passou.

Se repararem, ela nem sequer ficou sabendo sobre as Síndromes, e toda a explicação necessária para o público veio por parte da Futaba em conversas particulares com o Sakuta.

Não precisava ser mais uma discussão sobre o que é, e como age a Síndrome, mas não deixar a personagem ciente do que estava acontecendo, ou pelo menos curiosa sobre aqueles eventos, soa um pouco ilusório para mim.

Basicamente, a Koga foi trata como um elemento externo, e nesse novo loop, isso acaba ficando um pouco mais destoante, porque ela age como se tivesse pleno noção das coisas, fingindo em um primeiro momento não ter sido afetada pelo repetição do dia.

Acredito eu que essa naturalidade da personagem tenha sido resultado de alguns cortes não muito bons durante a construção desse arco, o que acabou levando a um foco maior no desenvolvimento dela, ao invés da construção do ambiente em que estava.

Quem nunca repetiu um dia várias vezes, né? Aconteceu comigo hoje.

Por mais que não tenha sido exatamente a conclusão de arco que eu esperava para o dito demônio de Laplace, é justo dizer que a conclusão da parte emotiva da Koga foi boa, sendo a grande responsável por salvar o arco para mim.

Sobre essa questão, daria até para brincar um pouco com o conceito do demônio, já que, sabendo das leis do mundo dos animes, e das regras que regem os personagens, qualquer pessoa com os devidos conhecimento teria a noção de onde as coisas levariam.

Ou seja, desde o início era meio previsível que a Koga, devido ao personagem assumido, levaria a essa conclusão onde encontraria a verdade através do Sakuta, e teria sua aceitação para que Síndrome acabasse.

Confesso que estava torcendo para que fosse um pouco diferente e mais original, mas isso não quer dizer que tenha sido ruim.

O Sakuta, novamente, conseguiu salvar o dia, fazendo algo que foge dos protagonista que vemos por aí, e garantindo ainda mais pontos como um bom personagem.

Ele ter percebido os sentimentos da Koga sem precisar de uma explicação a parte, ou de inúmeras dicas sobre aquilo, acaba sendo um desfecho bem mais interessante, e cria até um situação inusitada, já que é difícil ver alguém impondo uma confissão, como ele fez.

A forma como ele aborda a Koga, levando em consideração os sentimentos dela, e agindo de forma série sobre o assunto, também faz com que isso fiquei ainda mais agradável, porque mostra que o personagem, mesmo com toda a sua indiferença e ironia, ainda tem seu lado mais humano.

Ele foi direto ao ponto, sem deixar de lado o que sentia pela Mai, ou dar algum tipo de expectativa errada para a Koga, e resolveu a insegurança que ela sentia de um bom jeito.

Eu queria muito que ela tivesse sido uma personagem mais simpática no decorrer desses três episódios, porque aquela cena teria sido ainda mais legal de ver, mas ainda assim, acaba sendo uma conclusão boa para tudo o que ela passou.

Koga se juntou ao harém grupo.

Resumindo, o segundo arco de Seishun Buta pecou um pouco para mim na parte de desenvolver a mitologia que se proposto. Por mais que alguns pontos tenham sido usados de uma forma legal, como os loops não sendo exatamente loops, no geral, ficou bem longe de ter um aproveitamento adequado para a complexidade que o demônio de Laplace tem, ainda mais por não ligar quase nada disso ao dilema emocional da heroína, ou que justifique os efeitos nela.

No entanto, como um arco de desenvolvimento de personagem, ele não peca em quase nada. A Koga teve sua resolução, o Sakuta se mostrou importante no processo, e a conclusão para tudo consegue atender o máximo de pessoas possíveis, inclusive dando inicio ao tão esperado namoro entre os dois.

Agora é esperar para ver como vai ser o arco da Futaba,e torcer para ser ainda melhor.

Nota do autor

 

E você, que nota daria ao episódio?

Nota dos Visitantes
[Total: 236 Média: 4.4]

Extra

Pensaram que eu ia esquecer disso?

De longe a melhor coisa do episódio. Fiquei bem curioso para saber o que vai acontecer depois disso, por mais que de para chutar que vão apenas colocar um rápido flashback e deixar isso para o futuro, mas seja como for, foi um ótimo gancho para semana que vem.

Eu sinto que deveria falar um pouco sobre ela, então vamos lá…

Diferente do caso da Mai, onde era mais visível onde o autor queria chegar com suas críticas e ideias, a Koga acaba sendo bem vaga, o que fui um dos meus maiores problemas para aceitar ela na história.

Ela cria diversas relações sobre aceitação, tanto social, quanto pessoal, sobre exclusão que, querendo ou não remete ao bullying também, e a outra visões que essa sua “camuflagem” podem levar, mas em nenhum momento eu consegui sentir que isso realmente era da obra.

Tudo se mostrou espaçado demais, e acaba deixando na mão de cada pessoa acrescentar as informações previas que bem entender. Por um lado é legal ter essa liberdade em enxergar o que quiser ali, mas, por outro lado, também abre espaço para que nada seja visto da mesma forma.

Ela também não se ajuda xD

É melhor do que nada…

Eu acho importante explicar esse tipo de coisa, então não posso reclamar, mas era mais bonito ter só falado “porque sim”, ao invés de enfeitar tanto com aquela coisa de emaranhado quântico.

Quem não ficaria assim depois daquilo?

Ou disso.

 

Marcelo Almeida

Fascinado nessa coisa peculiar conhecida como cultura japonesa, o que por consequência acabou me fazendo criar um vicio em escrever. Adoro anime, mangás e ler/jogar quase tudo.