Sayonara no Asa | Um Adeus Para o Amanhã – Review

Mari Okada é um nome relativamente conhecido dentro da indústria de animes, já tendo criado o roteiro original de uma boa quantidade de projetos por aí (AnoHana, Gundam Iron Blooded Orphans, Nagi no Asu Kara, Wixxos). Ela, mesmo que às vezes se perca, quase sempre trás obras com aspectos curiosos, buscando um impacto forte no emocional dos espectadores e temáticas que indiretamente te levem a pensar.

Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana Kazarou surge como sua nova empreitada, trazendo um drama simples e sutil, que pode facilmente te levar a uma experiência bem agradável. E nesse Okada não é somente a criadora da história, mas a diretora também.

Uma boa aposta para poder fechar o ano.

A história de Sayonara no Asa gira em torno de Maquias, uma garota pertencente a uma raça que tem a capacidade de viver anos sem mudar sua aparência, lembrando bastante nesse aspectos os já conhecidos elfos.

Depois de um súbito ataque a ilha onde vivia, Maquias é forçada a deixar o conforto de um lugar isolado da humanidade, para enfrentar um mundo novo e desconhecido, onde ela, no meio desse processo,  acaba encontrando um bebê recém nascido, começando aí uma jornada de aprendizagem e auto descobrimento, com o objetivo de cuidar dessa criança.

Um questão de aprendizagem.

Por mais que a sinopse possa chamar um pouco de atenção, uma das primeiras coisas que salta aos olhos assim que o filme começa, naturalmente, é a qualidade técnica da animação. Filmes, em geral, são marcados por esse nível de qualidade a mais, porém, no caso de Sayanora no Asa, você realmente fica admirando com os cenários, personagens, e a trilha sonora que paira ao fundo.

Esse conjunto de elementos foi organizado de forma que, junto de um ambiente típico de fantasias medievais, faz com que o clima no filme seja carismático por si só.

São pastos floridos, cidades, castelos, campos, lugares que vão te fazendo admirar o mundo da obra enquanto acompanha a vida da Maquias e a criação do seu filho.

Só um dos vários exemplos.

Talvez, essa seja a melhor forma de expressar a experiência que o filme proporciona.

Sayonara no Asa é uma daquelas obras que te prende com o seu ambiente, e te leva a apreciar tudo com um certo fascínio, deixando de lado alguns aspectos que podem te incomodar.

A jornada apresentada dentro da obra faz com que seja uma experiência recompensadora, onde acompanhar um garota, literalmente criança, tendo que cuidar de um bebê, e aprender como se encaixar em um mundo novo, se tornar uma entretenimento muito gratificante.

O drama não é pesado, forçando momentos depressivos, ou que gerem aquele sentimento de injustiça, muito pelo contrário, ele tem um balanço gostoso entre algo mais cômico, mostrando o dia a dia da protagonista e o filho, com momentos onde te levam a pensar sobre a situação em que se colocou/foi colocada.

Mesmo que não dizendo diretamente através dos diálogos, a obra consegue contextualizar bem temáticas mais sérias, como adoção, as dificuldades de mães solteiras e alguns dramas mais existencialistas, como a noção de tempo, já que a garota passa sua vida observando o filho envelhecer enquanto continua com a mesma aparência.

Esse eufemismo que a obra carrega sobre a banalidade que a vida tem, e os limites que o tempo impõem sobre as coisas, foi um dos pontos que me fez mais gostar do filme, e valorizar os instantes mais simples, como a insegurança da Maquias em não poder compensar a vida do filho.

Observando o tempo passar.

Infelizmente, se por um lado essa criação de um drama mais simples e leve em cima da relação dos dois protagonistas desenvolve um ambiente gosto de acompanhar, por outro, acaba custando alguns pontos para a parte técnica, em especial, quando estamos falando de tempo.

Sayonara no Asa certamente levanta vários aspectos do seu mundo, não somente sobre a relação de mãe e filho, mas como também coisas mais complexas, como insinuação de preconceitos pela diferença entra raças, onde a garota tem que mudar sua cor de cabelo e tudo mais para não sofre uma espécie de perseguição, e algumas crítica a militarização, e ao abuso do meio ambiente/seres vivos, com a inserção de uma guerra entre diferentes reinos.

A relação da Maquias e seu filho consegue ter um final bem competente, com direito a uma cena que pode facilmente arrancar lágrimas de pessoas mais emotivas, mas por outro lado, nenhum dos temas acima conseguem ter o mesmo desenvolvimento, sendo concluídos de forma rasa e simples, com conflitos, interesses, e até mesmo personagens, sendo deixados sem um bom aproveitamento.

Isso não significa que seja algo difícil de engolir, mas a medida em que as coisas vão se acentuando, e você vai notando que aquilo poderia ter um melhor uso, e que elas, não necessariamente, contribuíram para a desenvolvimento da relação da Maquias com o filho, acaba sendo complicado deixar passar.

Leilia seria um bom exemplo… O plano de fundo dela é até interessante, mas acaba sendo raso e simples no final.

O drama consegue te entorpecer, é não digo isso de forma pejorativa, é muito bom pegar algo que te faça relevar problemas assim em nome das qualidades, mas é notório que o filme sofre de um rush, onde algumas transições acabam sendo bem forçado, com a personagens interrompendo suas ações e iniciando outras em uma idade avançada, sem considerar muito os contextos que levaram até ali.

E que, somados ao fato de um conjunto de conveniências começarem  a surgir na parte final, com a protagonista aparecendo em um timing perfeito em diferentes lugares  importantes para fazer sua parte, o filme acaba pecando em alguns aspectos mais críticos, o que pode acabar pesando para quem espera algo mais completo.

Haja pernas para andar a cidade inteira e participar de tudo o que aconteceu.

Resumindo, Sayonara no Asa é um filme muito bonito, que por mais que carregue seus problemas, ainda consegue ter mais pontos positivos no final.

Vale bastante a pena assistir, em especial, se tudo o que você quer é uma obra que pode te emocionar fácil, e ensinar algumas coisas importantes sobre a vida.

Nota do autor

Extra

Uma pena não terem tido tempo para trabalhar ela.

Leilia cria tantos pontos oposto a Maquias, que chega a ser um desperdício não terem a aproveitado melhor. Toda a questão da solidão, liberdade, separação com a filha podiam intensificar ainda mais o drama do filme.

Daria para colocar o filme todo em gifs, mas é melhor ver por si mesmo.

Chegou a me fazer arrepiar em como essa cena simboliza bem essa questão de proteção materna.

 

Marcelo Almeida

Fascinado nessa coisa peculiar conhecida como cultura japonesa, o que por consequência acabou me fazendo criar um vicio em escrever. Adoro anime, mangás e ler/jogar quase tudo.