Impressões semanais: Re:Zero #15

Um episódio sem relação com o comunismo.

Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu #14

E Re continua sua jornada rumo ao fim de vidas. Tanto as nossas, quanto dos personagens. Após uma espécie de arco duplo onde nosso querido Barusu dividiu os espectadores de uma forma mais abrupta que o também querido Moisés, seus traços psicológicos atuais finalmente solidificaram-se num estado discernível. Aceitar as metamorfoses da psique do garoto, no entanto, continua como um exercício segmentado. Creio que alguns continuarão a odiá-lo tanto quanto encontrar feijão no pote de sorvete, já eu, desta vez, tentarei uma nova abordagem para buscar entender nosso protagonista.

Vamos ignorar as regras enfadonhas que vossa professora de literatura tentou impregnar em suas preciosas cabeças de maneira robótica, à lá Another Brick in the Wall. Começamos a comentar pelo final do episódio.

Quando chegaram ao castelo – Subaru e os restos de Rem – e aquele ser peludo enorme erigiu das ruínas, deu-se o segundo reboot do protagonista em um curto período de tempo. Mas poxa, isso, levando em análise narrativa franca, seria uma auto-sabotagem irresponsável da obra, pois rechaça e elimina o senso de urgência e perigo do universo. Ora, se Rem – ou qualquer outra personagem – morreu, Barusu pode trazê-la de volta em instantes. De fato, isso ocorre inerentemente independente do que vou lhes dizer agora, mas penso eu que o foco do autor, então, não seja gerar um mal-estar físico, e sim que depositou todos seus esforços para fazer de Re um estudo de caráter. E por caráter me refiro ao nosso ambivalente protagonista.

Então, o meio para explorar a psique humana em forma do NEET mais famoso do ano, se dá pelas suas experiências e situações vividas, Por motivos não revelados – e assumindo que a vinda do garoto para esse mundo seja mesmo da vilã, assim como seu poder de loop -, a bruxa está brincando, testando Subaru. Talvez seja por ela ter visto alguma promissora escuridão no interior de Barusu (lembrem-se de seu poder das sombras). São apenas especulações, mas é isso ou o Tappei (criador da história) é apenas um bunda mole que não tem culhões pra matar em definitivo suas criações. Eu prefiro a teoria psicológica.

E é divertido pensar na possibilidade do autor ter criado a bruxa como uma espécia de alter-ego, como se nós fossemos Barusu e ele judiasse de nossa apreensão .

E agora voltamos ao ponto inicial: aceitar as decisões do personagem é escolha individual. Eu já deixei claro que suas atitudes no 13º capítulo são indefensáveis. Amoleci de leve o coração semana passada e agora já deixei bem exposta minha opinião. Subaru está recebendo um desenvolvimento fantástico, amplamente humanizado. Isso é fato, e também não significa que você deve concordar consigo. Hitler foi humanizado em “A Queda”. Subaru não é Hitler, antes que tirem a comparação de contexto, mas suas atitudes no 13º geraram consequências indeléveis que têm dizimado e o corroído por dentro, ainda mais do que o normal, e elas são entendíveis, não perdoáveis (e também podem ser perdoáveis, caso seja seu julgamento).

Tudo isso para falar sobre as várias faces exibidas por Barusu no episódio. Da catatonia pós primeira morte, a pseudo-esquizofrenia até chegar na expressão bad-ass-mothafucka do final. Talvez perder Rem, após sua declaração de amor, estraçalhada brutalmente, tenha colocado alguns pilares de sustentação no garoto, ou ele irá continuar sua desenfreada busca por vingança pessoal de maneira precipitada. O diferencial é que se Emilia não o mostrou apoio anteriormente, e a personalidade de Barusu não possuía bom-senso para saber o mais coerente a se fazer, agora ele teve um testemunho irredutível de Rem. Como ele irá receber as palavras da demônio, não sabemos.

Os atos do rapaz continuam um mistério, e seria teimosia negar o sofrimento por qual passou, sofrimento que geraria feridas profundas no mais tenaz dos heróis, entretanto, permaneço com a esperança de redenção por sua parte, e ele precisará de um para não perder a cabeça com tanta facilidade (das duas formas possíveis de perder a cabeça).

Subaru estava tão fragmentado psicologicamente, que seu exterior partiu-se igualmente, antes da primeira morte, e ao fundo ouvimos o “você chegou tarde demais”, na mesma voz da criatura assombrosa do castelo. Sua relação com a feiticeira, se não for a própria, é eminente. Assim como o vilão da vez, vossa majestade o espalhafatoso arcebispo do culto da bruxa. Eu tenho meus receios e uma grande relutância contra esse tipo afetado, mas no contexto, funcionou pra mim. A atmosfera criada neste episódio foi fenomenal e condizente com os trejeitos do cidadão. A escuridão das cenas, aliadas à trilha sonora macabra evocou um clima lúgubre, tétrico (de morte), e por aqueles instantes basicamente esqueci-me que qualquer morte poderia ser reparada, tamanho o pavor gerado. No mínimo devemos elogiar a versatilidade de quem transita por drama, ação, comédia e terror com tamanha facilidade e esmero.

Só temo que com excesso de exposição, o palhaço me soará ridículo, a não ser que haja um trabalho estupendo da staff pra conseguir recriar este clima assombroso em cada aparição sua, o que seria um feito digno de nudes.

E agora vamos falar de Rem. Li pela internet muitos depreciando e desdenhando das razões da empregada para tamanha devoção por Subaru. Outra vez estamos no terreno da pessoalidade. Mas muito além de opinião, isso vai da empatia e experiência de cada um. O que Subaru fez por Rem foi algo até então inédito, nunca presenciado pela mesma, como um indivíduo da caverna de Platão que recebe a luz pela primeira vez após milênios de escuridão. Acho motivos suficientes. Você talvez não, paciência.

Re continua com uma trama densa, intrincada e principalmente, imprevisível. As perguntas continuam e outras são acrescentadas. O caminho conduzido é muito envolvente e proveitoso, mas o alerta permanece ligado: se não conseguirem resolver tudo de forma satisfatória, será um desperdício e tanto. Um Lost dos animes. Façam suas preces para que não termine assim.

PS: QUEM POSTAR SPOILER SEM ALERTAR E DAR ESPAÇAMENTO MORRE! 

Avaliação: ★ ★   ★

PS:  Tô Prevendo a loucura de Spoilers que vai ser esse post. ESPAÇAMENTO sempre. Não estraguem a obra pra quem quer descobrir os acontecimentos semanalmente.

Versão em Vídeo (Opinião do Marco):

#Extras

Eu depois da prova de (insira sua pior matéria).
Cena me lembra muito uma de Tokyo Ghoul 2. Espero que seja a única semelhança.
Subaru, quais suas intenções com esse abraço?
Lembram quando Re era feliz?!

Barusu vacilão.