O mundo sombrio de Sabrina: Família, Religião e Feminismo| Review

Primeiramente, eu sei que o blog é focado em animes, mas como já comentamos filmes e séries aqui, achei válido fazer minhas impressões do mundo sombrio de Sabrina que é uma série que estreou dia 26 de outubro na Netflix baseada nos quadrinhos da bruxinha de 2014, que possuem um tom mais sério e obscuro.

E vale abrir uma nota que a Netflix é famosa por acertar ou errar maravilhosamente bem em muitas séries,sendo uma produtora 8 ou 80 e felizmente, no caso dessa obra, ela acertou bastante, fazendo uma aposta em uma serie teem, mas com um conteúdo um pouco mais adulto e critico.

Portanto, ela me agradou de forma considerável por realmente se alicerçar e se autorreferenciar  em um tipo de terror e horror que eu gosto, que é o terror  psicológico.

E para quem não está por dentro das diferenças entre um terror mais trash e o psicológico, o segundo não é tão voltado a impactar com o gore, mas busca te afetar com a carga de mistério e suspense contidos no enredo.

Mas não se engane, como dito, a série possui uma temática mais obscura, com uma pegada bem macabra e por isto possui um pouco de gore sim, mas não tão pesado, já que não é o objetivo do show, então com toda a certeza você não assistiria a obra com seu irmãozinho de 5 ou 6 anos.

Aquela cenazinha de canibalismo básica pra animar as coisas  XD

Ao menos é claro que você queira que ele saia dizendo louvado seja satã e amaldiçoado seja perto de seus parentes. E entrando nesta temática religiosa, gosto do silogismo que a série faz com as religiões de cunho cristã.

A igreja da noite seria basicamente uma igreja católica ortodoxa romana as avesas, demonstrando que o certo ou errado as vezes pode ser uma mera jogada de pontos de vista.

Nesse caso nem é tanto um ponto de vista, já que a série acaba mostrando que a intenção de muitos bruxos não é ruim, mas o senhor das Trevas é bem sacana e traiçoeiro.

No entanto, na questão deles tratarem o deus cristão como um deus falso e repudiarem outras praticas religiosas que não sejam a deles, é notório que é uma critica sutil e uma alusão ao fundamentalismo religioso (não apenas aos cristão, pelo amor, mas aos radicalismos).

Mas o que mais me agradou no show , além do quão atual a série pode ser ao trabalhar  com determinados conteúdos como bullying e o feminismo, foi as referências as obras de terror e horror clássicas em diálogos ou cenas do show.

Referência a cena do vômito de o Exorcista de 1963

Ah, e quando cito o feminismo, não é aquele feminismo mimi, mas o feminismo voltado realmente a independência feminina e a garantia de que as mulheres sejam respeitadas como sujeitos individuais e com direitos não tão diferente dos homens.

Então a obra acerta em muito em  ter em seu centro uma protagonista extremamente ativa que apesar de ter uma série de problemas envolvendo sua família, como ela ser mestiça.

Ela não deixa de ser decidida e altamente cética e crítica em relação ao que dizem para ela que deveria ser o correto a se fazer ou o modo que ela deveria agir por ser uma Spelman.

Ou seja, Sabrina é realmente o estereótipo de bruxa independente e que age de acordo com suas concepções e ideais e não do que lhe é imposto por familiares e outros bruxos ou bruxas.

Em suma, a bruxinha não é uma protagonista bundona que se faz de coitada por causa de seus problemas, ela tenta resolvê-los e os enfrenta de frente, mesmo que as vezes ela cometa erros ou aja de forma não tão correta e moral.

Menina é ousada ashuahsuhausa… pena que…

E em relação aos erros, outra coisa que gostei na série é que cada ação realmente é canalizada em uma consequência que impacta a protagonista e pessoas a sua volta, não é tipo um erro que você comete e depois de solucionado está tudo certo e como antes novamente.

E isto faz uma diferença enorme, já que o enredo consegue passar mais realismo, além de transmitir a tenção e os conflitos internos que seus personagens sofrem, principalmente a Sabrina que é constantemente levada a escolher ente o mundo mortal ou o mundo bruxo.

Em suma, o show esta sempre colocando a bruxinha na beira de um abismo, entre duas escolhas e aqui não existe meio termo. Outro ponto positivo, já que nem sempre é possivel fazermos algo sem sacrificarmos outras no meio do percurso.

E talvez este tenha sido o cerne desta serie, mostrar que o poder é uma via de mão dupla, que cada ação possui uma reação e que nem sempre podemos ter o que almejamos sem pagar o preço.

Pois é Sabrina, todo poder vem com uma consequência

Contudo, nem tudo é flores para o roteiro da série, e apesar da protagonista ser expressa como uma personagem de pulso forte e cética em relação a alguns personagens , em determinados momentos é incrível como ela pode ser ingênua.

Isto porque, é deixado claro que a madame Satã, uma antagonista importante na série, estava a manipulando, mas por mais que a professora agisse de forma estranha ou muito prestativa as vezes, a senhorita Spelman aceitava as ajudinhas sem se questionar e não parava pra refletir que a professora tinha mudado demais.

Ela só questiona a personagem uma vez e depois simplesmente esquece e passa a confiar 100% na vilã, como se o fato dela ter mentido ou agido de forma suspeita não fosse o bastante. Ai neste ponto, a questão consequencial é quebrada.

Quando o que é quebrado deve ser dificil de ser concertado, principalmente algo chamado confiança. Além disso, não adianta ela desconfiar do sacerdote da igreja da noite se segundos depois ela esta conversando com alguém menos confiável quanto. Cria muita inconsistência para o meu gosto.

Fica indignada, questiona a megera, mas depois voltam a ser melhores amigas ¬¬

Outro problema da série é o tempo narrativo, por ter apenas 10 episódios, muitos temas são tratados e resolvidos de maneiras muito rápida e não permite por tanto um maior aprofundamento deles.

Em suma, os problemas na série são resolvidos de maneira que parece ser muito fácil, quando deveria passar uma dificuldade maior de serem resolvidos e mesmo que a Sabrina não seja uma bruxa comum e com potencial “desconhecido”, mais dificuldades para ela seria muito bom.

No entanto, como dito, a série não é ruim, o roteiro consegue se sustentar e cumprir com suas propostas, fechando um ciclo narrativo com começo, meio e “fim”. O que é bom, já que o público sai com uma sensação de primeira parte realmente concluída.

Contudo, pela narrativa ter que fechar este ciclo muito rápido, o que deveria ser o climax principal é praticamente morno, já que sua resolução se dá em apenas um episódio praticamente, quando que seria mais indicado ter dois ou três episódios para tal.

Isto também se estende pra algumas cenas e eventos ao decorrer da série que seriam melhor executados se tivessem um tempo maior de narrativa o que iria lhes conferir mais completude e sentido.

Positivamente o sobrenatural não é apenas um plano de fundo, mas é realmente  bastante presente na serie. Sendo o sobrenatural um dos pontos centrais da própria história.

No entanto é notório o quanto apesar de muitos artifícios usados na cenografia ressaltarem a atmosfera macabra e obscura, como bordas borradas, cenários com cores mais desbotadas; com pouca luz, etc

Os efeitos especiais precários acabam quebrando um pouco com a imersão, e sinceramente, o design do lorde das trevas apesar de ter uma concepção legal, bem parecido com o deus Baphomet, acaba parecendo demasiadamente artificial.

No entanto, esta serie não se suporta em efeitos especiais deslumbrantes, mas em seus personagens,  alias, os personagens secundários também não decepcionam e atuam muito bem junto de Sabrina.

E quando não o fazem, são pelo menos aceitáveis . Falo isto para as duas amigas dela que achei meio que apagadas em relação aos demais personagens da serie.

Mais apagadas que estas duas amigas, só o Salém XD

A interação entre as duas tias da bruxinha é bastante divertida, apesar de meio bizarra e você acaba gostando bastante em como cada uma delas possui um jeito peculiar oposto uma a outra.

Ambrose, o primo da Sabrina,  atua como um bom conselheiro e amigo intimo da bruxinha, sendo alguém  que entende melhor seus conflitos internos que suas duas tias. Ele age como a voz substituta de Salem, já que o gato não aparece tanto na série e pra manter o realismo, só Sabrina consegue escutar seu familiar.

As interações de Sabrina com o namorado também são bastante naturais e orgânicas, sendo o casal um pluss bastante delicioso para história, já que é impossível não se sentir bem vendo os dois juntos por possuírem uma química que não perpassa uma relação forçada.

Além disso, em contradição ao HQ, Harvey é um namorado bastante gente boa, compreensível e presente na vida da Sabrina, que realmente gosta da bruxinha e não fica apenas pensando em fazer sexo com ela.

Portanto, para aquelas pessoinhas que gostam de obras com elementos de terror, humor e drama adolescente decentemente composto, O mundo sombrio de Sabrina é um titulo que sem dúvidas eu recomendo bastante, já que apesar de ter seus por menores, acaba agradando bem o seu nicho.

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E você, que nota daria ao episódio?

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#Extras

Só eu acho que a cara do Nicholas aqui foi um “whf” bem grande?

Sirlene Moraes

Apenas uma amante da cultura japonesa e apreciadora de uma boa xícara de café e livros.