Mii-chan – Anime de Drama é acusado de usar Pessoas Vulneráveis como Entretenimento
Em julho desse ano foi anunciado que o mangá Mii-chan to Yamada-san (Mii-chan and Miss Yamada) irá receber uma adaptação em anime e desde então a obra vem sendo duramente crítica por conta de seu conteúdo sensível.
Os problemas surgiram por conta da história da obra. O enredo acompanha Mii-chan, uma nova funcionária de um clube noturno, e Yamada, uma colega mais experiente. Devido às suas limitações, a protagonista não sabe ler e comete erros que fogem da normas sociais, sendo exposta ao ridículo por parte de clientes e funcionários. A relação entre as duas garotas evolui para uma amizade codependente, levando a desfechos que aborda violência e exploração sexual
Por mais que o mangá em si não tenha confirmado algum tipo de deficiência intelectual por parte da personagem, o comportamento de Mii-chan, somando a certas declarações da autora, levaram muitas pessoas a acreditar que a personagem representa indivíduos com deficiência intelectual, em especial pelo fato do termo “Mii-chan” ser um termo ofensivo usado para zombar de pessoas com essas características.
Devido as proporções que as polêmicas chegaram, a Associação de Autismo do Japão (JAA) emitiu um comunicado oficial se pronunciando sobre o assunto e seu posicionamento sobre o caso.
Em seu documento, a JAA apontou que os desafios enfrentando por pessoas com deficiência intelectual estão sendo explorados como forma de entretenimento e lucro.
A JAA destacou um vídeo publicado no canal YanMaga Daily Life, onde era possível ver legendas com as frases “Quero ver a Mii-chan ter um destino terrível”, “Quero ver a escória deste mundo” e outras mensagens com tom semelhante ditas pelos editores do mangá.
Outro ponto criticado foi a disponibilização de um suporte em acrílico da personagem seminua e chorando como prêmio de um sorteado exclusivo.
Segundo a JAA, esses pontos deixam claro a intenção da Kodansha (editora/produtora do anime) em explorar deficiências intelectuais como entretenimento afim de lucrar, comercializando o sofrimento dessas pessoas sem se importar com o desconforto causado aos familiares.
Por fim, o documento da JAA conclui que a organização não acredita que definir uma faixa etária e restringir a exibição do anime em canais de grande alcance sejam o suficiente para resolver o problema em vista da cultura do mangá em si e da forma como foi trato tópicos tão delicados.
A organização concluiu seu texto dizendo:
“Do ponto de vista da nossa associação, que busca proteger pessoas com autismo, pedimos a sua compreensão para que não haja zombaria ou desprezo por pessoas com deficiência, e que não se faça chacota de seus irmãos ou familiares. Ao mesmo tempo, pedimos que as dificuldades do mundo real, físicas ou mentais, não sejam usadas como material para a busca do sucesso financeiro, mas sim para encaminhar as pessoas que precisam ao suporte necessário.”
A publicação do texto da JAA voltou a reacender as discussões sobre o anime, com pessoas defendendo o cancelamento da obra, enquanto que outras argumentam que isso criaria um precedente que colocaria em risco a liberdade de expressão do meio.
A staff do anime não se pronunciou sobre o comunicado da JAA, mas em julho emitiu um nota negando o uso malicioso do mangá e se comprometeu a tomar os cuidados necessário para trabalhar com o material original.
O vídeo do canal YanMaga Daily Life citado pela JAA já foi removido do Youtube.
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