Pesquisadora critica que Animes são violentos e perturbadores demais pra o público Ocidental
Recentemente a cidade de Otaru, no Japão, recebeu um simpósio internacional com o objetivo de debater o tema “Anime e Gênero”.
A reunião de especialistas, pesquisadores e estudiosos acadêmicos reacendeu uma velha discussão sobre a violência dos animes e as diferenças culturais que isso cria em uma mídia que se tornou global nos últimos tempos.
O principal ponto do debate veio por conta de Sharalyn Orbaugh, professora de Estudos Asiáticos e Estudos de Gênero na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
Segundo os estudos feitos por Shararlvn ao longo de vários anos, existe uma diferença enorme na forma como o Japão trata a violência em animações (desenhos/animes) e os países ocidentais.
Como base do seu argumento, a pesquisadora usou Kimetsu no Yaiba, que no Japão é transmitido em horário nobre nas TVs e permite que qualquer criança possa ter acesso. Por outro lado, o mesmo conteúdo recebe classificação indicativa para maiores de 18 anos nos Estados Unidos e Canadá.
Situação semelhante acontece em exibições nos cinemas. No Japão, Kimetsu no Yaiba – Mugen Train recebeu classificação para maiores de 12 anos, sendo que nem mesmo era necessário o acompanhamento dos pais no cinema.
Já no ocidente, a obra foi classificada majoritariamente como +18 por contado do uso excessivo de violência e sangue.
Shararlvn ainda completou seus argumentos afirmando que a indústria atual de animes tem produzido muitas obras violentas e perturbadores, e que mesmo em situações em que minorias sexuais são representadas, elas normalmente são percebidas pelo público norte-americano como algo agressivo.

Em contra partida, a acadêmica Akiko Sugawa-Shimada, da Universidade Nacional de Yokohama, se destacou pela sua pesquisa sobre o gênero Mahou Shoujo e sua evolução ao longo dos anos junto da sociedade japonesa.
De acordo com as pesquisas feitas por Akiko, a evolução do gênero pôde ser vista como um registro das transformações históricas do Japão ao longo dos anos e espelhar uma transformação social que vai muita além do entretenimento.
Como base de seus argumentos, a acadêmica usou Mahoutsukai Sally (Sally the Witch), lançada em 1966 e normalmente referenciada como uma das primeiras obras do gênero.
No contexto da história, a magia da protagonista é usada para resolver problemas cotidianos, muitas vezes causados por homens. Entretanto, ao analisar a evolução do gênero, Akiko percebeu que a representação feminina dentro das obras foi mudando ao longo do tempo.
A medida em que as mulheres foram assumindo mais cargos e se tornando mais presentes no mercado de trabalho, a narrativa do gênero Mahou Shoujo foi se adaptando a isso, deixando de trazer situações banais e colocando as mulheres em missões de escala global, trabalho em equipe e com maior responsabilidade social.

Em resumo, o simpósio internacional de Otaru reacendeu discussões antigas sobre a indústria de anime e as diferenças culturais que ele cria ao ser importado para outras regiões.
Até então o estúdios priorizavam lançar suas obras para o público local, que tem sua próprias referências históricas e culturais do que é ou não é aceitável como violência e sexualidade.
Entretanto, a medida em que os animes vão se globalizando e se difundindo pelo mundo, debates como esse se tornam cada vez mais frequentes e com tom acadêmico.
Fonte: OtakuPT
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