Jornalista comenta “Crise” nas Vendas Físicas de Mangás e Futuro do Mercado
Recentemente a Japan Magazine Publishers Association (JMPA) revelou que pela primeira vez a revista Weekly Shounen JUMP ficou abaixo de 1 milhão de copias em circulação.
Essa informação acabou gerando certa preocupação, já que reafirmava a constante queda nos números mensais da JUMP, que teve seu auge lá em 1994, com aproximadamente 6 milhões de copias impressas.
Entretanto, o jornalista Daisuke Okura, do site LIMO, fez um artigo tentando explicar melhor o cenário de mangás no Japão e como essa queda nas vendas da JUMP não significam uma crise no mercado editorial.
Segundo Okura, as quedas nas vendas da JUMP refletem um processo de transição na forma como as editoras vem lidando com suas propriedades intelectuais (IP).
O antigo modelo de atrair leitores para a revista e lucrar com vendas físicas está deixando de ser o foco para dar espaço a um ecossistema mais abrangente, onde licenças globais e adaptações (animes, filmes, jogos) vem ganhando mais valor.
Além disso, a queda nas vendas físicas também é um reflexo do aumento da demanda por conteúdo digital. Atualmente o aplicativo da Shonen Jump+ já ultrapassou os 30 milhões de downloads, enquanto que pesquisa indicam que a compra de mangás digitais tem se tornado cada vez maior, especialmente com o publico na faixa dos 50 anos.

Outro ponto levantado por Okura foi a questão logística por traz da distribuição de mangás.
Com a saída da empresa Nippon Shuppan Hanbai da rede de distribuição, aproximadamente 30 mil lojas no Japão deixaram de ser atendidas.
Isso significa que devido a problemas de transporte e falta de mão de obra, lojas de conveniências não tem conseguido disponibilizar copias físicas da mesma forma que antes.
Em adicional, Okura também pontuou que o preço da Weekly Shounen JUMP aumentou em torno de 3,3 vezes desde sua 1º edição lançada em 1968.
Somando ao fato de que o mercado de entretenimento atual oferece opções mais baratas ou gratuitas, as edições da revista começaram a soar “caras” para o publico mais jovem, mesmo ainda estando em um preço barato.
Por fim, Okura completou dizendo que quem realmente sofrerá com essas mudanças serão os setores de livrarias físicas, distribuidoras e empresas de logística, já que a transição para o mercado digital e foco em licenciamentos globais devem aumentar, deixando assim as vendas físicas em segundo plano e como uma fonte de renda adicional.
Fonte: Automaton
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