Criador de Cowboy Bebop alerta para fim da criatividade e falta de originalidade nos animes atuais

Em uma entrevista recente para o lançamento de seu novo livro, o diretor Shinichiro Watanabe, conhecido por obras como Cowboy Bebop e Samurai Champloo, criticou o estado atual da indústria de animes e sua crescente falta de criatividade.

Para Watanabe, o principal problema da animação japonesa atual não está na quantidade de produções, mas sim na falta de originalidade: “As pessoas dizem que ter mais animes atualmente é uma coisa boa, mas eu discordo. Todos estão fazendo a mesma coisa, e eu não vejo nenhuma diversidade nisso. Nos filmes também. Cada vez mais você vê os mesmos tipos de filmes.”

Essas críticas vieram como parte da experiência que o diretor teve com Lazarus, seu último lançamento. Por mais que acredite ter feito um bom trabalho, Watanabe se surpreendeu ao descobrir que existiam pessoas o criticando de forma agressiva nas redes sociais.

Para contexto, a história do anime se passa em um futuro onde as pessoas passaram a depender de um medicamente milagroso capaz de eliminar qualquer doença. Entretanto, tudo foi parte do plano de um cientista para causar um genocídio em massa onde todos que tomaram o remédio morreriam em 3 anos.

Mesmo sem uma aparente conexão, um grupo pequeno começou a criticar a obra e acusar o enredo de promover ideais progressistas.

Quando questionado sobre esse assunto, Watanabe comentou: “Acho que se tornou uma era assustadora para se trabalhar. Tenho certeza de que esse comentários costumavam existir em bares ou algo assim, mas até agora eles não chegavam aos meus ouvidos. Eu sinto pelos diretores jovens, porque se você está sempre olhando para esse tipo de feedback, não conseguirá criar trabalhos novos.”

Em adicional, o diretor também disse que está preocupado em como isso pode afetar a criatividade dos futuros talentos da indústria, já que viver diretamente conectado com críticas e reações negativas pode influenciar seu determinação e coragem para arriscar.

Como conselho, Watanabe se usou de exemplo: “Eu arrumei briga com tanta gente. Você vai entender isso se ler o livro. Quando alguém te diz para fazer algo diferente do que pensou, você simplesmente diz não. Quero levantar a possibilidade de jovens criadores perceberem que, se tiverem determinação e força de vontade suficientes, podem alcançar sua visão. Eu não consegui fazer tudo isso (meus animes) porque tive sorte. Tive que lutar por tudo.”

Os comentários do diretor reforça, uma questão que já vem sendo discutida na indústria de animes há algum tempo, onde as “fórmulas de bolo” estão sendo cada vez mais usadas, com personagens padronizados, clichês sem profundidade e gêneros repetitivos.

Em um recente relatório, a própria Kadokawa, principal produtora de animes, assumiu que investir exaustivamente no gênero isekai não tem sido mais tão lucrativo quando se esperava.

Além disso, no relatório da Anime Data Insights Lab de 2025, foi mencionado que existia uma projeção para o aumento de remakes e reboots de séries consagradas dos anos 80-90, já que as produtores estão preferindo apostar no que já está consolidado ao invés de arriscar com algum novo.

Tudo isso reforça o ponto de Watanabe, demonstrando como a indústria de animes tem deixado de arriscar em originalidade e se apoiado em obras já consolidas.

Fonte: OtakuPT, Japan Times

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Marcelo Almeida

Fascinado nessa coisa peculiar conhecida como cultura japonesa, o que por consequência acabou me fazendo criar um vicio em escrever. Adoro anime, mangás e ler/jogar quase tudo.