Editora de Frieren se envolve em grande polêmica por esconder autores condenados por crimes sexuais
Recentemente, a editora Shogakukan se envolveu em uma grande polêmica no Japão por terem sido descobertos casos em que autores condenados por crimes sexuais contra menores estavam trabalhando sob pseudônimos na divisão digital MANGA ONE, o que levou a vários autores e fãs a acusarem a editora de não estar sendo transparente e até mesmo agindo como cúmplice dos casos.
Para entender a polêmica, é necessário conhecer o caso de Shouchi Yamamoto, autor de Daten Sakusen. Em 2020 Shouchi foi preso por crimes graves envolvendo abuso sexual de uma de suas alunas em 2016, o que levou ao cancelamento de seu mangá.
Entretanto, em fevereiro desse ano, a justiça japonesa sentenciou Shouchi a pagar uma indenização para vítima que sofre com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), o que trouxe o caso de volta a mídia e com ainda mais força.
Em meio a uma grande comoção sobre o caso, foi descoberto que Shouchi ainda trabalhava na Shogakukan, mas sobre o pseudônimo Ichiro Hajime, roteirista do mangá Joujin Kamen lançado em 2022.
O caso tomou proporções ainda maiores quando foi revelado que Eri Tsuruyoshi, ilustradora do mangá, não sabia da real identidade de “Ichiro Hajime” ou de seus crimes, mesmo já tendo trabalhado com ele por quase 4 anos.
As polêmicas internas não se limitaram apenas a Eri. Eno Sumi (Aftergod) pediu para sua série ser suspensa temporariamente, enquanto que Ryuhei Tamura (Cosmos) – uma das promessas da Shogakukan –, está pedindo para sua obra ser removida do catálogo da MANGA ONE.
As obras da autora Rumiko Takahashi (MAO, Ranma ½, InuYasha) também foram retiradas da MANGA ONE, além de Sousou no Frieren também ter feito mesmo e deixado o catálogo do serviço digital.
O autor de One Punch Man também se pronunciou sobre o assunto, pedindo um posicionamento mais firme da editora.

Em resposta a toda a polêmica gerada, a Shogakukan emitiu uma nota pedindo desculpa sobre o ocorrido e assumindo que houve uma falha no processo de verificação editorial e nas decisões contratuais dos autores da MANGA ONE.
A editora anunciou a criação de um comitê de investigação independente que irá apurar os fatos e revisar o sistema de nomeação dos autores para identificar as causas que levaram a escolha de um pseudônimo e evitar isso no futuro.
Além disso, a Shogakukan também emitiu uma nota adicional confirmando que está ciente da contratação de Tatsuya Matsuki, ex-roteirista de Act-Age, sob o pseudônimo Miki Yatsunami.
De acordo a editora, a contração de Tatsuya Matsuki aconteceu de forma consciente após uma analise no seu histórico criminal revelar que ele havia cumprido sua pena e estava participando de apoio psicológico, onde demonstrava arrependimento por suas ações, o que o colocaria em uma situação de reintegração social.
A decisão de adotar um pseudônimo veio como uma medida de preservar as vítimas, mas a editora admite que não considerou se essa seria realmente a melhor forma de respeitá-las, ou se isso poderia causar mais sofrimentos a elas.
Para finalizar, a Shogakukan reafirmou seus pedidos de desculpa, direcionando eles não somente as vítimas, mas também aos leitores que se sentiram ofendidos e desconfortáveis pela falta de transparência da empresa.
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