Madoka: Magia Record é a tão aguardada continuação de Madoka? – Primeiras Impressões

Madoka foi um anime que me marcou bastante, tanto que Magia Record foi um dos jogos que eu mais me esforcei para tentar ler em japonês.

Com anuncio da adaptação em anime, naturalmente, eu fiquei empolgado para ver tudo animado, e cá estamos nós, com três episódios lançados. Eu não posso garantir reviews semanais, mas, por enquanto, vamos falar do que o anime mostrou.

Saudades de Madoka.

Uma das primeiras coisas que acho importante destacar nessa adaptação é o trabalho da direção. Meu maior medo era que o novo diretor não conseguisse entregar ao no nível do anime original, mas, para mim surpresa, ele vem fazendo um bom trabalho, e mantendo as coisas com aquela ar “Madoka”.

O início do primeiro episódio foi um pouco confuso, com a adição de uma personagem que não estava no jogo e algumas cenas meio desconexas, mas as coisas foram se acentuado bem com o decorrer do episódio.

A forma como mostraram o problema da Iroha (protagonista) ficou bem interessante, passando uma sensação de desconformo com a forma creepy que as cenas tem.

O quarto dela ter sido dividido exatamente no meio, com até as cortinas desaparecendo é algo que marca bem a ideia de que a irmã dela foi apagada do mundo de uma forma não natural, o que somado ao que já sabemos sobre os desejos e o mundo das bruxas, dá um toque final sombrio para a história.

Sutil, mas bem jogado.

Já os outros dois episódios são o equivalente ao primeiro arco do jogo, e servem para introduzir um pouco melhor a cidade que a protagonista foi, por mais que, nesse ponto, talvez seja onde a adaptação já deu uma certa pecada.

Para mim é fácil juntar os pontinhos e entender a função de cada personagem ali, ou de como as coisas funcionam na cidade, já que eu li o jogo e tenho noção.

Mas para quem não sabe muito sobre a história, personagens como a Mitama acabam se tornando meio vagos, já que a sua função ali (Coordenadora) não fica muito clara, mesmo mostrando que ela é uma espécie de suporte para as Mahou Shoujos da cidade, ao ponto de poder dar energia para as Soul Gems só com o toque.

Por mais Mitamas nos próximos episódios.

Outra coisa que ficou um pouco abaixo do que eu esperava nessa parte, foi a participação da Iroha na história. Não que ela seja a senhora protagonista, mas ela é bem mais proativa no jogo, e busca bem mais entender o que está acontecendo ali.

Talvez por terem que focar nas outras duas garotas, ela acabou ficando como espectadora demais nessa história, então eu espero que nas próximas consigam deixar ela em destaque.

No segundo episódio ela foi bem, já no terceiro, nem tanto.

Já aproveitando, e deixando o lado fanboy falar mais alto, eu, sinceramente, adorei como ficou esse arco. Não que ele seja perfeito, claro, mas as minhas expectativas sobre o anime estavam bem baixas, e ver tudo aquilo que eu li ganhando vida de uma forma que eu não esperava é algo bem empolgante para mim.

Conseguiram compilar até que bem esse primeiro arco do jogo, mostrando a ideia por traz dos rumores que circulam na cidade, e dar uma base de como as bruxas funcionam ali.

Teve alguns bons fanservices com outras Mahou Shoujos do jogo aparecendo ao acaso, e a forma como concluíram o problema foi bem legal.

Não que a conclusão em si seja boa. Ela é simples, na verdade (Pedir desculpa e derrotar a bruxa), mas a forma como foi feita é que me deixou muito contente.

Rena é aquela tsundere clássica, mas eu gosto dela.

Ver a Rena dizendo que se odiava enquanto assumia a forma de outras pessoas é algo que só o anime pôde entregar. Mesmo que no jogo tivesse todo esse contexto da amizade entre as duas, a adaptação conseguiu entregar cenas que realmente me deixaram impressionado.

A gente está falando de Madoka, então é fácil perceber os traços da personalidade dela através daquilo, o que faz com que esse desfecho do arco se torne bem mais legal do que no jogo.

Uma garota que não consegue ser sincera consigo e pode se transformar em outras pessoas, em especial naquela que mais admira…

Por mais que seja mais light, para quem entende como os desejos são distorcidos, essa versão de Madoka  também tem sua carga de sofrimento na vida das personagens, e era isso o que eu mais queria ver no anime.

Esse é o lado bom de não se hypar nada.

Por fim, esses três episódios conseguiram resumir bem a ideia de Magia Record. A adaptação não se preocupa em introduzir a história original, então é difícil para quem não viu Madoka acompanhar.

Se seguirem o mesmo ritmo, os próximos quatro episódios devem introduzir as três garotas que fazem parte do grupo principal, para então começar a trabalhar o plot central com os rumores e o desaparecimento da irmã da protagonista.

O jogo já concluiu esse mistério do desaparecimento, então material para adaptar algo completo eles tem. Agora é esperar que tudo continue bem no anime, e não acelerem muito as coisas na parte final.

Para quem espera uma continuação do anime original, essa versão da obra não vai entregar exatamente isso, mas pode servir para matar a saudade e apresentar um pouco mais do mundo da franquia através de outros personagens.

Extra

Para quem quiser entender como exatamente o jogo pode se situar dentro da história original, sugiro ver esse vídeo da introdução da Madoka Deusa no jogo.

Para quem não entende inglês, basicamente é o relato da Madoka Deusa dizendo que encontrou uma gravação (record) de um mundo que nunca tinha visto antes, onde outras possibilidades poderiam acontecer.

Em outras palavras, o título do jogo “Magia record” vem, provavelmente, dai. Onde o mundo da Iroha seria uma nova possibilidade que a Madoka Deusa ainda não viu depois do que aconteceu na história original.

Mami já deu as caras. A próxima é a Sayaka e depois a Madoka com a Homura não-badass.

Ren… Espero que mostrem mais dela T-T

Não vou deixar tão subjetivo no texto, então vamos explicar…

O desejo da Rena era se tornar outra pessoa porque não se aceita pelos vários motivos que ela mesmo listou no episódio (personalidade, tsunderagem e blá blá blá).

O Kyuube, como a boa vadia que é, realizou o desejo dela de se “transformar em outra pessoa”, mas isso só fisicamente. Por essa razão, quando ela se sente acuada acaba se transformando em alguém mais apropriado, só que, obviamente, isso não muda quem ela é, e aí é a boa ironia de Madoka.

Se repararem a transformação dela, e a magia, tem vários espelhos, o que acaba sendo uma referencia ao fato dela “refletir” as outras pessoas, e também precisar se encarar.

Yachiyo é muito Deusa <3

Ficou bem legal essas transformações.

E refizeram tudo ao invés de reaproveitar as do jogo.

Marcelo Almeida

Fascinado nessa coisa peculiar conhecida como cultura japonesa, o que por consequência acabou me fazendo criar um vicio em escrever. Adoro anime, mangás e ler/jogar quase tudo.