Impressões semanais: Etotama 8


Liderança e motivação

-A maior dificuldade em se lidar com um grupo de pessoas é conseguir liderá-las a fim de alcançar determinada meta ou objetivo. Muitas vezes, o que vai acontecer é o seguinte: ou o trabalho será dividido em partes mais ou menos iguais entre todos os membros ou uma só pessoa vai servir de muleta enquanto o resto só assina o nome. O dilema da Uma-tan é quase isso, pois ela parece ser a única disposta a levar a corrida (a grande sacada da direção foi colocar um cavalo pra administrar uma corrida de animais) a sério. Citando o poeta contemporâneo Hichigaya Hachiman: “Eles dizem que o kanji de humano representa uma pessoa ajudando a outra, mas um lado apenas está servindo de apoio.”

-O que fazer, então, quando é absolutamente essencial que todos participem e deem seu melhor, já que os índices de audiência dependem disso? A resposta é motivá-los, seja positivamente (prêmio) ou negativamente (punição), Para alegria da Uma-tan, o próprio deus assumiu a responsabilidade de líder, podendo oferecer a recompensa que quisesse com seus poderes ilimitados. Skinner (psicólogo behaviorista do século XX) já apontava a importância do reforço positivo como forma de induzir a repetição de um determinado comportamento desejável. Um século antes, Pavlov havia condicionado um cachorro a salivar sempre que ouvisse um sino, após o mesmo ter se acostumado a receber comida sempre que o ouvia, e por conseguinte associasse o toque do sino com a comida.

O mundo cruel da televisão

Gráfico da minha motivação através dos anos

-Como todos sabemos, as grandes emissoras de tevê só querem uma coisa: audiência. É pra isso que existe programa de auditório, pra isso que existe BBB, pra isso que existe Masterchef e tantos outros programas de variedades. Quanto mais audiência, maiores as chance de um anunciante ficar interessado em anunciar seu produto no canal, e mais dinheiro entrando, obviamente. No caso dos animes que passam em horário nobre, esse percentual de televisores ligados em canal “X” é de extrema importância, almejando principalmente a venda de brinquedos (no caso de animes voltados para o público infanto, como Precure) e outros produtos associados da franquia, e podendo até ser um fator de cancelamento se este for baixo demais (Bleach é um exemplo de anime que foi cancelado por esse motivo). 

-Já aqueles animes que passam de noitinha ou de madrugada (Etotama passa às 23:00) querem mais é vender BD para otakus do que conseguir índices significativos de audiência, e é justamente essa a crítica que a Usa-tan faz aos fãs, que preferem gravar a série (uma prática comum no japão) do que comprar os discos. Apesar disso, é compreensível que não estejam vendendo tão bem, visto que BDs são relativamente mais caros lá e essa temporada vem apresentando alguns títulos de franquias populares (Fate), de estúdios populares (Kekkai Sensen), de light novels populares (Oregairu), a segunda temporada de Kiniro Mosaic, e volumes de Shirobako, SAO, Kimiuso, Kuroko e [email protected] CG (outra franquia), entre outros, ainda sendo lançados, Como diria Hachiman novamente: “O trabalho duro não trai ninguém, mas os sonhos traem vários.”

-Outra coisa que achei interessante comentar foi a Nya-tan e o meio de aumentar a audiência por ela recomendado; tirar a roupa, em outras palavras. Parece uma bobagem até, mas garanto pra vocês que eu lembro até hoje do programa em que a Tiazinha tirou a calcinha e saiu correndo do palco.

Corrida maluca e o apelo esportivo

-Muitos se lembraram com razão de Mario Kart, mas há outro título de proposta muito similar que teve sua exibição original entre 1968 e 1970. Me refiro a “Wacky Races”, conhecido no Brasil pelo nome de “Corrida Maluca”. Seu elenco era formado por personagens das mais variadas possíveis, desde generais do exército pilotando tanques de guerra até patricinhas pilotando veículos cor-de-rosa, além de aviões e carros da idade-da-pedra. Algumas dessas personagens chegaram a ganhar séries solo posteriormente, como no caso de Penelope charmosa e Dick vigarista. Esse é o exemplo mais antigo que eu conheço de uma produção televisiva/midiática com tal proposta. Os episódios estão disponíveis no youtube para quem se interessar.
-Esportes no geral são uma espécie de entretenimento de massa cuja aprovação é unânime. A Fórmula 1, o futebol, o vôlei, o basquete, e agora o surfe com o Medina, são todos exemplos de como o ser humano gosta tanto de competição que é capaz de dedicar uma parcela do seu tempo livre para assistir pessoas e/ou times que nunca vão conhecer concorrendo por pontos e por um troféu a longo prazo. E alguns gostam tanto que isso acaba definindo grande parte de sua identidade, criando um sentimento muitas vezes de intolerância para com aqueles que não se inserem na mesma torcida, um fervor religioso que faz com que a pessoa individual se eleve ao status de pessoa pública que, junto ao grupo, compartilha e intensifica sentimentos de uma forma que seria inviável em um estado de solitude. Dada a intensidade desse sentimento, não é surpreendente que o público da corrida com o nome longuíssimo das Eto-shinn fossem justamente deuses, de cujo culto emana uma harmonia grupal e intensidade muito semelhantes.

Referências

DÍAZ, Ruan. PEREIRA, Adair. Estratégias de ensino-aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1991.