Liz to Aoi Tori – O sutil voo dos pássaros | Review

Eu já vinha de olho em Liz to Aoi Tori há um certo tempo, mas somente agora consegui abrir um espaço para poder assistir a animação.

Felizmente, e para minha surpresa, o filme se mostrou algo bem mais interessante do que apenas “outra boa animação da KyoAni”, entregando um desenvolvimento para as duas personagens de Hibike Euphonium de forma satisfatória, além de uma experiência dramática interessante.

Conhecendo um pouco mais da senhorita Mizore Yoroizuka

Só para refrescar a memória, Liz to Aoi Tori conta a história de Nozomi e Yoroizuka, duas garotas que tem um pequeno arco em Hibike Euphonium.

Como deve dar para supor pelo parágrafo de cima, um conhecimento prévio do anime, ou da novel, ajudaria a entender melhor os contextos do filme, principalmente no que se refere ao emocional de cada personagem e o passado que dividem.

Porém, caso essa review consiga atingir o propósito de conseguir te convencer a ver o filme, não precisa ter medo, mesmo sem conhecimento da obra principal dá para assistir sem problemas.

Toda a história do filme deriva de um conto sobre uma garota solitária chamada Liz, e o seu encontro com um pássaro azul, que decide se transformar em humano para fazer companhia a ela.

Essa fábula toma forma no filme através de um livro e do título da próxima música que o clube irá apresentar, além de servir com uma metáfora para a relação das duas garotas, então a base da história não é prejudicada pela falta de conhecimento.

Sem desculpas para não poder assistir.

Uma das primeiras coisas que senti ao acompanhar o filme foi que o clima da obra é um pouco melancólico, não no sentido de ser algo depressivo, mas de uma forma positiva que consegue expressa bem o mundo em que a personagem vive.

A Yoroizuka é uma garota tímida e introvertidas, que se vê totalmente dependente da Nozomi, mas que vive uma etapa da sua vida em que essa condição precisa ser encarada.

Os planos para o futuro, e o simples medo de perder a amiga novamente, fazem com que a personagem cria uma ansiedade sobre se relacionar com a Nozomi.

O filme consegue apresentar isso de uma maneira bem interessante, sempre direcionado os olhares da Yoroizuka até a amiga, e pontuando os silêncios da melhor forma possível.

Toda a hesitação da personagem vai sendo transmitida por esses pequenos detalhes e te prendendo na construção desse conturbado relacionamento que Yoroizuka tem consigo mesma.

Esse, que por sinal, é uma das grandes abordagens do filme como um todo.

Liz e o pássaro azul.

Por mais que inicialmente pareça ser uma metáfora sobre um relacionamento de “salvação”, o conto de Liz e o pássaro azul se desenrola em uma ideia bem mais complexa e complicada de lidar.

Você estaria disposto a abrir mão de alguém que ama?

Essa dualidade de sentimentos é o que leva a relação das duas garotas a um estado de crise, ainda mais quando os dilemas sobre o futuro profissional entram em jogo.

Esse aspecto também é muito bem aproveitado pela direção do filme, que expressa essa questão de uma forma visual bem bacana.

São diversas cenas em que os passos das personagens são o foco, remetendo a ligação de seguir em frente. Elas precisam fazer essa caminhada, dar o próximo passo e encarar o futuro que as esperar depois do ensino médio.

Porém, existe o problema de uma possível separação entre as duas, o que Yoroizuka não consegue aceitar pela sua dependência a Nozomi.

O filme, por sinal, começa com uma cena onde a Yoroizuka está justamente sentada olhando para os próprios pés, enquanto observa outras garotas caminhando, mas é só quando vê a Nozomi se aproximando que decide se mover.

Isso também é reforçado com situações onde a câmera se posiciona nas costas da Nozomi para mostrar ela caminhando, já que é o ponteiro que guia Yoroizuka.

Essa, que por suas vezes, recebe uma única cena da mesma perspectiva, somente no final do filme, depois de ter passado pelo seu desenvolvimento.

Contextos simples que ajudam a melhorar a experiência do filme.

Esse desenrolar do relacionamento das duas através do conto, e de detalhes como esses, faz com que o filme seja uma experiência bem interessante de acompanhar, e transforme o desabafo de ambas em algo emocional, fechando tudo o que o filme levantou.

Vale ressaltar também que o trabalho da sonoplastia foi muito bem executado nessa parte (assim com em todo), conseguindo transmitir as emoções das duas garotas durante, não somente na parte verbal, mas como também na performance que fazem para se expressar.

É muito legal ver a Yoroizuka tendo voz para dizer o que sente, e ver a maneira como a Nozomi se vê em relação a amiga e a sua dependência.

Talvez, esse seja um dos pontos que daria para criticar no filme. Por mais que a Yoroizuka tenha muito tempo de tela e trabalhe bem sua perspectiva, Nozomi acaba ficando em segundo plano.

Não é um completo desperdício da personagem, mas fica faltando um pouco de profundidade nos dilemas dela, ainda mais por esses ditos dilemas serem interessantes, como o fato dela estar sempre rodeada de amigas, mas também ser dependente da Yoroizuka.

Bom o suficiente, mas podia ter sido melhor usado.

Resumindo, Liz to Aoi Tori é um filme recomendado para todos aqueles que acompanharam Hibike Euphonium e sentem falta do anime, mas ainda pode ser uma experiência extremamente valida para quem gosta de slice of life e um pouco de drama.

O trabalho da KyoAni não decepciona, para variar, e entrega uma qualidade acima da média, com uma animação linda e muito bem feita.

Extra

Concordo em gênero, número e grau.

E nem adianta…

… Discordar.

Essa menina foi bem legal no filme, pode aparecer mais daqui para frente.

Marcelo Almeida

Fascinado nessa coisa peculiar conhecida como cultura japonesa, o que por consequência acabou me fazendo criar um vicio em escrever. Adoro anime, mangás e ler/jogar quase tudo.