To Be Heroine – Um nonsense dramático e divertido

Nota Inicial: O anime é um spin-off de To Be Hero, mas não é necessário ver o outro anime para acompanhar esta história.

Sirlene – E voltando mais uma vez com o quadro que eu sempre sequestro o Marcelo, o assunto da vez vai ser um anime nem tão famoso e destacado na temporada, mas que acabou surpreendendo, não apenas pela animação, mas por demonstrar que uma produção chinesa pode ser bem promissora e criativa. To Be Heroine definitivamente é uma revelação bem agradável e divertida de se acompanhar.

Marcelo – Bem por aí mesmo. To Be a Heroine conseguiu ser aquele anime que você começa por falta do que fazer, mas acaba querendo acompanhar até o final, e o melhor ainda, se surpreende com o que foi mostrado ali.

Sirlene – Concordo. Inicialmente comecei a ver o anime apenas por ser uma animação bem fluida e consistente, mas acabei sendo conquistada pela obra e olha que, normalmente, eu não curto comédias muito nonsense, pela maioria das vezes serem paródias muito exageradas, ou apenas comédia pela comédia mesmo. Mas fui surpreendida com uma direção bem diferente e que soube mesclar o seu humor com um plot sério, sem fazer mudanças muito bruscas e repentinas no tom da série, já que desde o início o anime te deixa claro que aquilo tudo ali não vai ser só zoeira.

Começamos achando uma coisa, e no final foi outra.

Marcelo Essa abordagem “explícita”, por assim dizer, dos dois lados da história, se mostrou um dos principais diferenciais do anime para me fazer acompanhar. Como você mesmo disse, inicialmente tudo tem uma cara de nonsense, com uma ideia bem maluca sobre transformar roupas em armas vivas para te ajudar, porém, isso rapidamente é intercalado por flashbacks e monólogos que deixam nítido que existe um lado mais realista daquele mundo.

Sirlene – Sendo, portanto, essencial que se entenda que, apesar de ser algo bem viajado, o anime se propõe pelo menos a tentar aprofundar e dar sentido às coisas malucas que são desencadeadas em tela, com cada acontecimento daquele tendo um significado e desenvolvendo um conflito interno da protagonista, além de dialogar com o próprio público, apresentando alguns aspectos e conceitos que são mais reflexivos, como a questão das escolhas e que mesmo não querendo, somos forçados a fazer.

Marcelo – Eu acho legal tocar nesse assunto, porque To be Heroine leva o seu título bem a sério, o que deixa as coisas ainda mais legais, a medida em que você vai acompanhando. Para quem é mais ambientado nessa questão de roteiros e tudo mais, provavelmente já ouviu falar da estrutura de Jornada do herói, onde um personagem começa sua saga para evoluir, e a Futaba segue essa mesma linha, sendo intitulada logo de cara como a grande heroína do mundo onde foi invocada, o que como já foi falado, traz um significado por trás.

Vale a pena prestar atenção em como os mundos se relacionam.

Sirlene – Sim, To be Heroine é um roteiro bastante centrado na jornada do herói, com todo o seu plot voltado em trabalhar a protagonista , mas o interessante é que o roteiro não fica preso ao clichê Isekai desses problemas internos e o crescimento da protagonista serem todos resolvidos apenas naquele mundo. A obra intercala isto com sucessões de acontecimentos na realidade, dividindo o roteiro em duas partes, uma centrada na Futaba encarando seus problemas internos naquele mundo e em seu retorno para a realidade com seus novos conflitos de como levar adiante suas resoluções e lidar com a dura verdade que lhe é apresentada.

Marcelo – Dai “To be a Heroine”. A Futaba precisa aprender a se salvar e lidar com os próprios dilemas, e então salvar o mundo! Mas… Se a gente já bateu tanto nessa tecla sobre a composição do Isekai, já deve estar na hora de falar sobre o dito mundo real e como ele é o tempero final para essa mistura que o anime tenta criar.

Sirlene – Este tempero final, infelizmente, tem seus problemas, já que a série precisaria de um número maior de episódios para desenvolver melhor o que é apresentado, mas mesmo que a situação desencadeada seja algo já esperado, devido ao plot twist que foi almejado ser um evento que já poderia ser cogitado de início, apenas o fato dele se propor a isto para dar seriedade a discussão sobre escolhas apresentada no início do anime, foi uma decisão do roteirista que me agradou e que acabou dando mais corpo sólido para a série. Portanto, o anime trabalhar realmente esta temática, e para destacar isto acaba mostrando coisas bem densas e que não seriam esperadas no tipo de animação em questão por aparentar apenas puxar para comédia, foi o que me vendeu a obra. Resumindo, To Be Heroine acabou sendo um anime misto,  um drama com comédia nonsense que apresenta o mundo como ele é, preto no branco, podendo ser um ambiente bastante cinza, cheio de pressões sociais e cruel, mas ainda assim, apresentar uma quantidade de luz calorosa e esperança .

Marcelo – Como você mesmo ressaltou, o tempo foi um dos grandes vilões na reta final do anime, não somente por acelerar os avanços da Futaba no mundo dos sonhos, como trazer situações abruptas demais para a realidade. Por mais que os primeiros episódios tenham vendido muito bem o drama do mundo real, quando a transição aconteceu, acabou me incomodando um pouco como o outro mundo invadiu a realidade sem grandes explicações, por mais que no final essa sensação tenha diminuído consideravelmente.

Sirlene – Realmente, o “imaginário” impactando no “real” e as transições sem explicações entre eles são um problema que infelizmente a obra possui decorrente dessa falta de tempo de tela para trabalhar melhor suas ideias e conceitos. Então, muitas coisas apenas ficam jogadas para o público e introduzidas entre trancos e barrancos de forma brusca, o que também me desagradou bastante, já que por ter optado por um plot mais sério, é esperado que o roteiro explique as “brechas” sem sentido e mesmo sendo um nonsense, não deveriam ter levado tão a sério esta classificação, mas no final, tudo é meio que enfiado na sua cara e fica por isto mesmo.

Leva um tempo para digerir que a fantasia também é parte da realidade do anime.

Marcelo – Porém, por mais que a ausência de informações acabe levando a uma sensação de estranhamento, o final em si consegue ser bem gratificante, mostrando uma boa resolução para os problemas da Futaba, além de trazer uma cena bem bacana e animada, incluindo o final romântico que cai bem com o drama desenvolvido anteriormente.

Sirlene – Contudo, por mais que este final tenha tido uma boa resolução para o que foi proposto pela história, senti que deixaram ele muito aberto e subjetivo, o que ressalto, não é um problema tão gritante e que estraga a experiência, mas deixo claro que pode ter mais de uma interpretação para o encontro estabelecido e dependendo da interpretação ele acaba quebrando com tudo que foi trabalhado em uma despedida que é uma situação chave para o desenvolvimento de Futaba.

Marcelo – É um daqueles finais arriscados, onde o autor tenta agradar ambos os lados, mas pode acabar prejudicando o desenvolvimento que fez. Eu gostei de como tudo se encaixou, e prefiro acreditar que foi apenas uma coincidência aquele final, mas é inevitável considerar que aquilo foi sugestivo demais.

Sirlene – No saldo de entretenimento, apesar do anime ter muitos furos e ser bastante absurdo em suas transições entre “o real” e o “imaginário”, To Be Heroine foi uma jornada agradável de se acompanhar e bastante peculiar, já que a produção do anime é tão diferente quanto a própria obra .

Marcelo – De fato, To be a Heroine não está livre dos seus problemas, mas isso pode ser facilmente superado devido ao entretenimento proporcionado, e a abordagem particular criada dentro dos próprios episódios (usarem o idioma original para os flashbacks do mundo real, e o japonês para o outro mundo, dá uma cara própria para obra). Além do mais, se somarmos o fato de terem meros sete episódios, o anime se saiu muito bem em criar seu mundo, desenvolver seus personagens, e trazer uma solução para eles.

Sirlene – E depois de acompanhar essa aventura tão dramática e divertida, eu sinceramente espero que os chineses produzam obras tão promissoras quanto e que este seja o primeiro passo para obras chinesas mais criativas, já que o país já provou ter um grande potencial para narrativas, tanto em filmes e agora, em séries animadas.

Marcelo – Amém.

 

Nota Final

Marcelo 

Animação: 9/10

Trilha Sonora: 8/10

Roteiro: 6/10

Direção: 8/10

Entretenimento: 8/10

Sirlene

Animação: 9/10

Trilha sonora: 7/10

Roteiro: 6/10

Direção: 8/10

Entretenimento : 7/10

Nota do autor

 

#Extras

A Opening e Ending do anime são muito divertidas e viciantes XD

 

Lutas incríveis! Não, pera…

Pronto, agora sim.

Só faltou ficar careca :v

Sirlene Moraes

Apenas uma amante da cultura japonesa e apreciadora de uma boa xícara de café e livros.