Sangatsu no Lion #10 – Impressões Semanais

Pesado. Essa é palavra para definir este episódio de Sangatsu; um clima que parecia temporário e teve uma pequena pausa para respiro na cena com o professor espalhafatoso e com cordas vocais privilegiadas, mas que logo retornou para cobrir toda a atmosfera de seus pouco mais de 20 minutos, como uma manta densa e pegajosa.

Não é difícil encontrar a razão para tal, é claro. Ao contrário do habitual, as irmãs, antípodas de nosso protagonista e que atuavam como contraponto da personalidade do garoto, como a luz em meio às trevas, não deram as caras, sendo substituídas por alguém que não se encaixa nem no reino de Rei nem das Kawamotos, mas que habita em seu pequeno inferno pessoal.

Tampouco necessita-se de uma retrospectiva detalhada para conhecermos bem a relação entre os dois. O ódio de alguém que teve seu lar invadido por um estranho que, como uma praga, tomou todas as atenções da figura paterna. Não à toa, novamente a garota buscou afetar o juízo do rapaz para uma vindoura partida, com a astúcia de um detetive para esmiuçar a vida de seu oponente. E, como um henólogo que tem a chance de saborear o mais nobre dos vinhos, a loira arrasta suas palavras o máximo possível, com a maior quantidade de veneno possível, ávida por impregnar sua maliciosidade em Rei como uma adaga – tudo isso enquanto não consegue evitar um sorriso de cruel prazer estampado em sua enganadoramente bela face.

Há um porém nisso tudo: tenho como hábito formar a review enquanto assisto o conteúdo que escreverei sobre. O que me veio à mente imediatamente no diálogo entre os irmãos é como Kyouko era dependente de Rei, a quem utiliza como receptáculo de seus podres. Entretanto, o garoto é bem direto ao expor que, inexplicavelmente, sente o desejo de ouvir tudo que ela tem a dizer, com culpa ou não. Culpa, afinal, que me parece o motivo para tal situação; Rei se atormenta e remói o passado por considerar-se o tornado que avassalou a residência de uma então pacífica família, tendo como consequência a destruição de tantas vidas e o despertar do ser abominável que se denomina Kyouko Kouda.

Nada disso, como deve ser, fora suficiente para fazer Rei abandonar sua “besta inferior”, sua fome pela vitória, seu pavor pela derrota. Pavor, este, que toma conta de seu taciturno e combalido rival, que já parece entrar na disputa derrotado e apenas adia o inevitável como pose, ao som de uma inquietante trilha sonora.

E a indignação de Rei ao avistar a obviedade da desistência interna do sujeito evidencia o peso que carrega consigo por mais uma existência que se julga responsável, novamente pelas palavras de Kyouko.

E é de tudo isso: do peso, da angustia, aflição, de todos esses tormentos que Rei foge, ao final, tendo como fundo um lindo pôr-do-sol que adorna seu excruciante desabafo, o desabafo de alguém que não aguenta mais.

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Carlos Dalla Corte

Curto 6 coisas: animes, cinema, escrever, k-pop, ler e reclamar. Juntei todas e criei um blog.