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	<title>Arquivos As Crônicas de Arian - Livro 2 - IntoxiAnime</title>
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	<description>Tudo sobre animes, tops, light novels, mangas, notícias, rankings e vendas.</description>
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	<title>Arquivos As Crônicas de Arian - Livro 2 - IntoxiAnime</title>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 26 &#8211; A Voz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jan 2020 23:41:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
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<p><strong>Capítulo 26 &#8211; A voz</strong></p>
<p>&#8220;Acorde criança, ele está chegando&#8221;.</p>
<p>Assim que escutou a voz Kadia abriu os olhos lentamente, conforme seu corpo saia de um estado de dormência. Estava claro, mas não conseguia ver nada direito com sua visão embaçada. O ar fedia a carne podre e o chão abaixo dela estava muito frio, dando para sentir a terra úmida e pedras em suas costas. Tentou levantar, mas foi em vão, não tinha força alguma e o máximo que conseguia mexer era a ponta dos dedos.</p>
<p>Após algum tempo começou a escutar vozes, mas não conseguia identificar exatamente o que estavam falando. Assim como a maioria dos outros sentidos, a audição estava prejudicada.</p>
<p>Tentou dizer algo, mas embora sua boca abrisse, sua linguá ainda estava dormente. Os sintomas eram de uma maldição ou envenenamento, com o segundo sendo mais provável dado que desmaiou logo depois de comer na noite passada. Mas quem fez aquilo, e por que?</p>
<p>Finalmente seus olhos começaram a definir melhor o céu encoberto por nuvens escuras através da nevoa branca que encobria a área a volta dela. Com o tempo assim não conseguia ver nenhuma das estrelas usadas para medir o tempo ao longo do dia, não sabendo então se era manhã ou tarde.</p>
<p>Tentou olhar ao redor, mas não conseguia mexer a cabeça direito. Se sentindo impotente, respirou fundo na esperança de se acalmar, mas era difícil lutar contra o nervosismo no meio daquela situação. Não fazia ideia de onde estava e qualquer animal poderia chegar ali e come-la viva sem que pude-se fazer nada.</p>
<p>Ao menos não parecia estar em uma área totalmente aberta. Uma antiga estátua em ruínas, que poderia facilmente ser confundida com uma pedra enorme, estava encostada na montanha ao lado dela, criando um abrigo que lembrava uma caverna.</p>
<p>O tempo continuou a passar, até que reconheceu e começou a compreender as vozes perto dela. Eram Arian e Lara. Aliviada de ter conhecidos por perto, ela se esforçou para virar a cabeça na direção deles e arregalou os olhos pasma com o que viu.</p>
<p>Será que estava sonhando? Faria mais sentido do que acreditar na situação que estava vislumbrando com os olhos.</p>
<p>— Mas&#8230; o que&#8230;?!</p>
<p>Arian estava deitado no chão, enquanto Lara, sentada em cima dele, o estava beijando e o enforcando ao mesmo tempo&#8230; O guardião em vez de resistir estava cravando seus dedos ao chão. Kadia não entendia se ele estava gostando ou tentando não reagir.</p>
<p>Ela tentou levantar, mas seus membros não estavam respondendo direito.</p>
<p>— Mas que merda&#8230; — disse Lara, soltando o pescoço de Arian e pegando um pouco de ar. Ela parecia exausta.</p>
<p>Arian havia desmaiado.</p>
<p>— O que&#8230; você&#8230;?</p>
<p>Kadia ainda não conseguia falar direito. Se sentia um bebê se esforçando ao máximo para pronunciar cada palavra.</p>
<p>Lara se virou para ela.</p>
<p>— Finalmente acordou!</p>
<p>Kadia queria saber o que tinha acontecido com Arian, que claramente não parecia bem, e onde eles estavam, mas a primeira pergunta que acabou saindo da sua boca foi outra.</p>
<p>— O que&#8230; vocês&#8230; estavam&#8230;?</p>
<p>Parecendo cansada e de extremo mau humor, Lara ficou de pé com dificuldade, foi até a demônio e se agachou ao lado dela.</p>
<p>— Claramente eu fiquei com desejo depois de ver ele todo arrebentado e o Arian tem fetiche por pessoas o enforcando durante o sexo&#8230;</p>
<p>Kadia a olhou com nojo, mas Lara ignorou. Ela tirou um objeto da pequena bolsa em sua cintura e colocou na mão direita de Kadia. Era a relíquia do Lich.</p>
<p>— O que&#8230; você&#8230;?</p>
<p>— Ah&#8230; Me sinto bem melhor&#8230; Acho bom usar as memórias que pegou da Joanne para relembrar como usar sua energia celestial, caso contrário seu corpo vai fazer isso sozinho e queimar toda sua energia espiritual muito mais rápido do que deveria.</p>
<p>Ela viu nas memórias de Joanne o que aconteceu na última vez que tocou naquilo, mas era ainda pior do que imaginou. Seu corpo naturalmente começou a tentar drenar energia da dimensão celestial para bloquear a maldição do objeto de mata-la, mas aquilo estava acabando com a energia espiritual do seu corpo muito rápido.</p>
<p>— Eu&#8230; Não&#8230; Consigo&#8230;</p>
<p>Lara olhou para ela com frieza.</p>
<p>— O segredo é ficar calma, quanto mais nervosa ficar mais rápido sua energia espiritual vai ser drenada. Por mais que eu não goste de você não estou fazendo isso para te torturar. Preciso de mais energia para regenerar o Arian, ele tem mais ossos quebrados do que inteiros, não vai conseguir andar tão cedo se eu não der um jeito rápido. Tive que apaga-lo o sufocando para parar de sentir dor.</p>
<p>Kadia parecia surpresa com o que ela disse, o que fez Lara segurar uma risada.</p>
<p>— Acreditou mesmo na história do sexo, né?</p>
<p>Kadia não prestou atenção na última frase, estava muito ocupada com a dor que o objeto em sua mão estava causando em seu corpo.</p>
<p>— Droga, Kadia, fica calma ou não vai me dar tempo nenhum antes de entrar no seu pagamento. Está queimando sua energia espiritual muito rápido. Respira fundo e se concentra, esse lugar está bloqueando minha conexão com a dimensão dos celestiais, se tiver que segurar a relíquia ao mesmo tempo quase não consigo curar o Arian.</p>
<p>Lara voltou para cima de Arian e o beijou de novo, transferindo energia celestial para seu corpo.  Kadia não aguentou muito tempo e entrou em seu pagamento, estava mordendo os lábios para não gritar, até que chegou em seu limite.</p>
<p>— Lara!</p>
<p>A sacerdotisa não respondeu e continuou se concentrando em curar o Arian.</p>
<p>— Lara! Por&#8230; Favor.</p>
<p>Ainda sem resposta. Kadia ficou nervosa e gritou.</p>
<p>— Lara!</p>
<p>A sacerdotisa finalmente desgrudou seus lábios de Arian, foi até Kadia e pegou a relíquia.</p>
<p>— Você é uma decepção com energia celestial&#8230;</p>
<p>Kadia sentiu um forte alivio assim que Lara pegou o objeto. Não só seu corpo ficou mais level, como podia respirar direito de novo.  Havia entrada em seu pagamento, mas comparado a seu estado anterior, era o menor de seus problemas. Ela então voltou a olhar para Arian, reparando melhor em seu estado deplorável.</p>
<p>— O que aconteceu com ele? — Kadia já estava conseguindo falar normalmente.</p>
<p>Lara torceu a cara pensando na forma mais curta de contar o que aconteceu.</p>
<p>— Muita coisa&#8230; Mas em resumo, lutou contra o Raziel e se arrebentou todo. Para piorar encontramos algumas criaturas pouco amistosas quando chegamos aqui e ele acabou coberto no sangue de um lagarto que derreteu boa parte da sua pele. O braço esquerdo ficou tão ruim que caiu. Como se isso não fosse o bastante esse lugar maldito está bloqueando minha conexão com o plano celestial. Estou usando o pouco que consigo puxara para manter a relíquia sobe controle.</p>
<p>— Para que estava em cima dele?</p>
<p>Sem saco para responder mais perguntas, Lara falou com sarcasmo.</p>
<p>— Tenho fetiche por sexo com gente quase morta&#8230;</p>
<p>Kadia ficou olhando feio para ela, até que a sacerdotisa elaborou uma resposta decente.</p>
<p>— Estou tentando curar ele com o pouco que resta da minha conexão com o plano celestial desde ontem a noite, mas mesmo injetando diretamente pela boca, que deveria ser muito mais eficiente, só consegui parar o sangramento, nada mais. O braço ainda está desconectado do corpo e o sangue da criatura que enfrentamos ontem continua misturado na pele dele derretendo gradualmente ela. Se tivesse me dado mais tempo talvez eu pudesse ter ao menos reconectado os ligamentos do braço&#8230; Se eu não ajeitar ele rápido vai apodrecer e ele vai perde-lo.</p>
<p>Desanimada, Lara deitou no chão e fechou os olhos. Seu rosto estava pálido e com olheiras visíveis.</p>
<p>— Minha última esperança era você acordar, segurar a relíquia por um tempo e eu cura-lo mais rapidamente enquanto isso. Mas não pensei que você fosse tão ruim nisso&#8230;</p>
<p>Kadia tentou ignorar a provocação e pensar em uma solução. Passou algum tempo até que algo bem simples lhe veio a mente.</p>
<p>— Eu&#8230; tenho uma ideia.</p>
<p>Lara sentou e olhou para a demônio.</p>
<p>— Estou ouvindo&#8230;</p>
<p>— Pegue um pouco do meu sangue e coloque na boca dele.</p>
<p>A sacerdotisa torceu a cara para a sugestão.</p>
<p>— Aquilo que fizeram contra os sekai? No que ele ficar mais forte por um minusculo período de tempo vai ajudar agora?</p>
<p>— Aquilo não faz só isso&#8230;</p>
<p>Lara parecia desconfiada da proposta.</p>
<p>— Está mesmo com medo que eu force um pacto temporário com ele?</p>
<p>— Para de ler minha mente, Kadia!</p>
<p>— Não vou perder meu tempo tentando te convencer do contrário. Mas mesmo que fosse o caso ainda aceleraria muito o processo de cura se ele fizesse um pacto comigo. Não é isso que você quer?</p>
<p>— Que ele fique a sua merce e tenha que obedecer qualquer ordem sua até o pacto terminar? Se já quase violentou ele só por ter entrado no seu pagamento imagino o que vai fazer se tiverem um pacto&#8230;</p>
<p>Kadia tentou ignorar a provocação e olhou fundo nos olhos de Lara.</p>
<p>— Prefere mesmo que ele morra a correr o risco dele fazer um pacto temporário comigo? Pensei que gostava dele&#8230;</p>
<p>Lara olhou para ela com desconfiança e depois para Arian. A sacerdotisa serrou os lábios com raiva e depois respondeu.</p>
<p>— Certo. O que eu faço?</p>
<p>— Meu sangue precisa entrar em contato com o dele, então pegue um pouco do meu sangue e coloque em qualquer parte do corpo que esteja ferida. O resto é comigo.</p>
<p>Lara fez um corte na mão de Kadia com sua espada, e depois deixou um pouco de sangue cair na lamina. Em seguida foi até Arian e derramou o sangue em uma ferida do braço dele.</p>
<p>— E agora?</p>
<p>— Segure ele e mantenha o braço que se separou o mais unido possível ao corpo.</p>
<p>Lara correu para cima de Arian enquanto Kadia fechou os olhos e se concentrou. Em seguida os olhos de Arian se abriram e ele gritou muito alto conforme seu corpo começou a se regenerar absurdamente rápido. Infelizmente não durou muito, mas foi o bastante para a pele voltar na maioria do seu rosto, que antes estava em carne viva com alguns pedaços com os ossos aparecendo.</p>
<p>Lara, ainda em cima dele, parecia surpresa com o resultado. Varias partes do corpo ainda estavam com feridas aparentes e nem toda pele havia voltado, mas em geral ele estava muito melhor. Até o braço havia se ligado de volta, mesmo que de forma precária, com apenas alguns ligamentos e músculos tendo se único.</p>
<p>— Parece que estava falando a verdade&#8230;</p>
<p>— Eu não sou você Lara, eu não minto para conseguir o que quero.</p>
<p>Lara arregalou os olhos ao notar que Kadia devia estar se referindo a alguma coisa que ela havia pensado na hora.</p>
<p>— Já disse para sair da minha mente!</p>
<p>— Não estou nem tentando&#8230; Minha habilidade funciona sozinha, esqueceu? Não é como se eu gostasse de saber tudo que se passa na sua mente, principalmente o pensamento de me matar enquanto estou debilitada.</p>
<p>Lara se assustou novamente do quanto ela estava conseguindo ler do que passava pela sua cabeça.</p>
<p>— São pensamentos soltos, todo mundo pensa em coisas idiotas que obviamente não vai fazer. Se eu quisesse mesmo te matar poderia ter feito a tempos enquanto estava desmaiada.</p>
<p>— Felizmente não desceu tão baixo ainda&#8230;</p>
<p>— Eu estou te bloqueando desde que saímos de Arcadia, se está conseguindo ler agora está fazendo algo diferente.</p>
<p>— Eu? Já olhou seu reflexo? Você está acabada. Não creio que esteja conseguindo bloquear muita coisa no momento.</p>
<p>Lara tirou sua espada e começou a caminhar até ela com uma postura ameaçadora.</p>
<p>— Ou você dá um jeito de sair da minha mente ou&#8230;.</p>
<p>As duas foram interrompidas por Arian tossindo sangue. Parecia engasgado e com dificuldade em puxar ar para seus pulmões. Ele se virou para o lado e conseguiu cuspir o sangue acumulado em sua boca.</p>
<p>Seu coração batia rápido tentando compensar a falta de sangue e cada parte de seu corpo doía de uma forma indescritível. Ele tentou se levantar, mas Lara correu até ele e o empurrou de volta ao chão.</p>
<p>— Não se mexa, vai abrir os ferimentos de novo! Seja lá o que aconteceu só curou a parte mais crítica, você ainda tem ossos fraturados por todo o corpo e a parte interna está longe de ideal. Seu braço nem se fala&#8230;</p>
<p>Lara estava com uma das mãos segurando firme o braço esquerdo, que ainda estava tão ruim que os ossos do cotovelo estavam aparecendo.</p>
<p>— Mas o que&#8230; Lara você não bloqueou a energia azul?</p>
<p>— Eu avisei que a cada vez que fazia isso ficava menos efetivo&#8230;</p>
<p>Em vez da coloração normal, os olhos de Arian estavam azulados. Olhando mais atentamente era possível ver feixes de energia azul se mexendo dentro deles.</p>
<p>— Estou vendo tudo em azul&#8230;</p>
<p>— Pode ser bom. O estrago do sangue do lagarto nos seus olhos foi tão grande que duvido que já estaria enxergando sem isso. Está sentindo algo tentando dominar seu corpo?</p>
<p>— Não&#8230; Geralmente vou ficando com cada vez mais raiva quando a energia surge, mas agora não estou sentindo nada fora dor.</p>
<p>— Está parcialmente bloqueado então. O pouco que o bracelete não está conseguindo barrar da sua conexão com o espirito que fica tentando te possuir não parece ser problema.</p>
<p>— Ainda assim ver tudo em azul e 360º graus é horrível.</p>
<p>— Não vejo desvantagem em ter olhos nas costas&#8230; Na verdade bem que queria isso&#8230; — disse Lara.</p>
<p>— Tem o triplo de informação da minha visão normal, é extremamente confuso.</p>
<p>Lara estava checando o corpo dele, principalmente os reflexos.</p>
<p>— Parece tudo normal fora uns ossos quebrados e ferimentos. Está sentindo mais alguma coisa de diferente?</p>
<p>— Não consigo mexer minha mão esquerda direito.</p>
<p>— Claro que não&#8230; Seja lá o que você fez agora deve ter ligado os ossos e parte dos ligamentos, mas ainda vão precisar de mais tempo para se curarem completamente.</p>
<p>— Calma, &lt;E&gt;, estou te vendo.</p>
<p>A fantasma estava desesperadamente balançando as mãos na frente dele.</p>
<p>Kadia finalmente conseguiu se mexer o bastante para sentar, e então se virou para os dois.</p>
<p>— Agora que o Arian estabilizou, podem finalmente me dizer onde estamos?</p>
<p>— Fomos pegos por um portal. E quanto a onde estamos&#8230;</p>
<p>Arian parecia estar pensando se haveriam outras possibilidades fora a mais obvia.</p>
<p>— Aqui fede, só tem arvores mortas e plantas da dimensão negra, muita névoa a nossa volta e escuto uns gritos estranhos de tempos em tempos. Poderia chutar vários lugares no Sul com base nisso, mas só em um deles dizem que o céu está sempre encoberto&#8230;</p>
<p>— A Floresta dos Amaldiçoados&#8230; — sussurrou a demônio.</p>
<p>— É o mais provável&#8230; —  confirmou o guardião.</p>
<p>Lara se levantou e olhou para cima, pensativa. Foi quando um rugido muito alto ecoou por todo o local.</p>
<p>— De novo&#8230; Temos que sair daqui e achar um lugar mais seguro assim que você conseguir andar, já matei mais de 10 amaldiçoados desde que nos escondemos. Se vier um de classe alta ou seja lá o que for essa coisa rugindo, vai ser complicado&#8230;</p>
<p>Arian olhou para si mesmo e não fez uma cara boa. Sua armadura estava quebrada em diversas partes e cheia de fissuras em outras. Ele tentou mexer as pernas. Uma estava normal, mesmo que dolorida. A outra ele até conseguiu mexer, mas sentiu uma dor alucinante quando o fez. O braço esquerdo estava ainda pior.</p>
<p>Ele respirou fundo e sorriu com sarcasmo para si mesmo.</p>
<p>— Maravilha&#8230; Poderia ser pior&#8230;</p>
<p>— Sério? Acha mesmo isso? — questionou Kadia, incrédula.</p>
<p>— Não, mas era o que uma velha amiga falava quando a coisa estava muito ruim&#8230; Parecia funcionar para ela&#8230; Ou então ela fingia muito bem&#8230;</p>
<p>— Na verdade estava bem pior ontem. Ficou alucinando sem parar de tanta dor que estava sentindo.</p>
<p>&lt;E&gt; se encontrava sentada ao lado de Arian, o observando com uma cara de preocupação. Ele detestava ver ela desse jeito, mas não tinha muito o que fazer com a vida que levava. Na verdade ele estranhava ela já não ter se acostumado.</p>
<p>— Não lembro de muita coisa depois que meu braço caiu&#8230; Quantas vezes você me apagou?</p>
<p>— Umas oito? E foi você que pediu da primeira vez. Eu te enforcava até você desmaiar, mas nunca durava muito.</p>
<p>Kadia estava distraída olhando para o pequeno rasgo em seu espartilho e notando que havia uma ferida no peito.</p>
<p>— Mas o que&#8230; Quem tentou me matar?</p>
<p>— Raziel atravessou uma espada em você para provocar o Arian.</p>
<p>A demônio arregalou os olhos com o relato de Lara.</p>
<p>— Relaxa, não acertou nenhum órgão. Honestamente, de todos nós você é quem está em melhor estado&#8230;</p>
<p>— Agora entendi a dor no peito que estava sentindo&#8230; — disse a demônio, massageando o local da ferida.</p>
<p>Foi quando o chão novamente tremeu com um rugido ensurdecedor. Kadia levou um susto.</p>
<p>— Que droga é essa?</p>
<p>— Não sei, mas está chegando mais perto — respondeu Lara.</p>
<p>Arian olhou para sua fantasma.</p>
<p>— &lt;E&gt;, consegue ver algo lá fora?</p>
<p>A garota se dirigiu a entrada do lugar e olhou um pouco a volta. Depois fez um sinal de mais ou menos com mão.</p>
<p>— A neblina atrapalha&#8230; Fique de olho de qualquer forma e se ver algo se aproximando me avise.</p>
<p>A garota sorriu e fez um sinal de positivo com a mão. Como Arian já havia reparado diversas vezes, dado o estado corpóreo ela não tinha muito que pudesse fazer na maioria dos problemas que ele enfrentava, então sua companheira parecia se sentir muito bem quando finalmente podia ser de alguma utilidade. O guardião então começou a se auto avaliar.</p>
<p>— Eu me curo rápido, acho que em uns três dias consigo andar de novo&#8230; — ele tentou mexer a perna quebrada de novo e sentiu uma dor alucinante. — Talvez quatro&#8230;</p>
<p>— Não temos esse tempo todo. Você sangrou nesse local todo, está atraindo amaldiçoados sem parar.</p>
<p>Arian olhou a volta dele e de fato havia muito sangue seco em cima das pedras a volta dele.</p>
<p>— Maravilha&#8230; Podia ser pior&#8230;</p>
<p>— Pode parar de dizer isso? Se a coisa piorar mais um pouco vamos todos morrer — reclamou Lara.</p>
<p>— Certo, o que fazemos então? — perguntou Kadia, olhando para os dois companheiros.</p>
<p>— Não olhe para mim&#8230; Situações como essa são especialidade dele&#8230; — Lara apontou para Arian, que fez uma cara pouco confiante.</p>
<p>— Sabia que em todos os anos que passei na minha guilda nunca me deixaram liderar um grupo antes? Reprovei em todos os testes que fizeram comigo.</p>
<p>— Mas você é um Rank SS&#8230; — disse Kadia, incrédula com a revelação.</p>
<p>—  Sou Rank S&#8230; SS é devido a eu ter matado um Rank SS de verdade com essa porcaria azul que eu não controlo&#8230; Um Rank SS de verdade não quase morreria derretido para um lagarto amaldiçoado&#8230; Olha o Raziel, por exemplo, aquele é um rank SS de verdade, em uma tabela eu provavelmente estaria entre os mais fracos existentes&#8230;</p>
<p>— Tá, Tá&#8230; Já acabou com a auto-depreciação? Precisamos do Arian confiante agora. Se vai ficar resmungando chama sua outra metade sarcástica.</p>
<p>Arian riu do pedido.</p>
<p>— Ele não gosta de sentir dor&#8230; Nunca que vai aceitar trocar comigo&#8230;</p>
<p>— Que seja, você ainda é um rank S que já trabalhou para o exército e ficou anos em uma guild, não é possível que não consiga pensar em uma saída — disse Kadia.</p>
<p>Arian ainda parecia pouco confiante.</p>
<p>— Esqueça esse negócio de ranks&#8230; Eles não tem nada a ver com capacidade de liderança&#8230; Segundo a líder do grupo com que passei mais tempo eu sou muito útil sendo comandado, mas imprevisível e irresponsável demais para me responsabilizar por pessoas. Se a Lara lembrar o que aconteceu com o terceiro membro da nossa aventura contra os Goblins vai ver que ela tem razão&#8230; Aquela não foi a única vez que algo que tentei liderar deu errado&#8230; Longe disso&#8230;</p>
<p>— Dane-se sua líder ou como te avaliaram! Eu passei a maioria dos anos da minha vida presa em um castelo em Moonsong e depois presa em uma escola de sacerdotes no Sul, e essa demônio tem a confiança de um coelho acuado para tomar decisões que envolvam a vida dos outros. Você é o melhor que temos aqui para esse tipo de situação, então para se choramingar e pense em alguma coisa ou vamos todos morrer!</p>
<p>Por mais que Arian não quisesse admitir, Lara tinha razão, ele ficar ali só resmungando não ajudava em nada. Ele olhou um tempo para cima, tentando lembrar de tudo que podia sobre situações semelhantes aquela.</p>
<p>— Primeira precisamos ter um conhecimento melhor dessa área e seja lá o que está rugindo. Por sorte temos uma fantasma que consegue ver bem mais longe que uma pessoa normal. Ela pode achar uma saída daqui se encontrarmos um local alto o bastante para nos aproveitarmos da visão de longo alcance dela.</p>
<p>— Bem útil isso&#8230; — disse Kadia.</p>
<p>— Sim&#8230; Mas a visão dela é bloqueada como a de qualquer pessoa, seja por arvores ou montanhas que estiverem na frente&#8230; Sempre achei que é por isso que ela gosta tanto de lugares altos&#8230;</p>
<p>Lara riu da constatação, ao mesmo tempo que Kadia fez uma cara confusa com o que viu na mente dela.</p>
<p>— Já disse para sair da minha cabeça, Kadia&#8230;</p>
<p>Arian não entendeu o que estava acontecendo ali, mas deixou para lá e resolveu focar sua atenção no morro ao lado deles por um tempo.</p>
<p>— Qual a altura desse morro?</p>
<p>— Não consegue ver?</p>
<p>— Não, minha visão está limitada a cerca de 20 metros de distancia com essa porcaria azul. O estranho é que geralmente isso me permite ver bem mais longe que o normal&#8230; O bloqueio da Lara deve estar afetando o alcance.</p>
<p>Kadia olhou para cima.</p>
<p>— Não é muito alto, cerca de 40 metros no máximo.</p>
<p>— Consegue subir ao topo?</p>
<p>— Acho que sim. Só espera eu conseguir andar direito que testo.</p>
<p>— Sozinha eu sei que consegue. Mas tem que me carregar junto para a &lt;E&gt; ver algo lá de cima.</p>
<p>Kadia olhou para cima estudando a possibilidade. O morro era bem inclinado e quase todo coberto de pedras que pareciam bem escorregarias.</p>
<p>— Lara, você está exausta, se não dormir um pouco vai ser mais inútil que eu caso sejamos atacados — disse Arian.</p>
<p>Lara não retrucou, só pegou a lamina de sua espada e olhou seu reflexo nela. Pela cara de susto que fez ela mesma não esperava que estivesse tão ruim.</p>
<p>Kadia se apoiou no chão e finalmente conseguiu ficar de pé.</p>
<p>— Vou ficar de vigia. Vocês dois descansem&#8230; Arian, me passe uma das suas espadas de prata.</p>
<p>— Estão no chão perto de você.</p>
<p>Ambas estavam cravadas no corpo de um amaldiçoado morto.</p>
<p>Ela pegou as espadas e então sentou perto da entrada do local.</p>
<p>Lara finalmente conseguindo relaxar, deitou ao lado de Arian e em seguida apagou.</p>
<p>Quase um dia inteiro se passou até que ela acordasse de novo. Despertou com o barulho de Kadia e Arian descendo do morro. A demônio saltou de uma pedra e caiu na frente de Lara.</p>
<p>— Ai! — reclamou Arian, que estava nas costas da demônio e com o braço em melhor estado a volta do pescoço dela.</p>
<p>Ambos pareciam desconfortáveis com a situação, mas não era isso que deixou Lara nervosa.</p>
<p>— Vocês subiram lá e me deixaram sozinha aqui?!</p>
<p>— Você estava exausta, não queríamos te acordar. E dava para ver se alguém chegasse perto desse local lá de cima.</p>
<p>Ela não pareceu muito satisfeita com a justificativa mas acabou deixando para lá ao notar a pilha de corpos de amaldiçoados do lado de fora do caverna improvisada onde estavam.</p>
<p>— Que aconteceu enquanto eu estava apagada?</p>
<p>— Fomos atacados algumas vezes. Achei até estranho você não acordar com o barulho — disse Arian, mancando até perto de Lara e sentando ao lado dela. — Kadia subiu o morro em dois saltos. A energia da dimensão negra ser mais forte aqui parece estar aumentando bastante as habilidades físicas dela.</p>
<p>— Não só físicas&#8230; Isso explicaria ela lendo a minha mente&#8230; Descobriram algo lá em cima pelo menos?</p>
<p>— Nada muito animador&#8230; As arvores cercando esse local são muito altas e bloqueiam a visão da &lt;E&gt;. De bônus tem a neblina espessa nessa área que impede a visão da arvore gigante da floresta de Ask, o melhor ponto de referência que poderíamos ter.</p>
<p>— O que fazemos então? — questionou Lara.</p>
<p>— Seguimos em qualquer direção e o mais reto que der até sairmos daqui.</p>
<p>— Tem certeza? Não existe o mito de que quem entra na Floresta dos Amaldiçoados nunca mais consegue sair? — disse Kadia.</p>
<p>— É só uma história para assustar crianças&#8230;</p>
<p>— Então como nunca vimos ninguém que entrou aqui falar o que encontrou? Nunca vi livros sobre isso&#8230; — disse Lara.</p>
<p>Arian não teve como contra argumentar isso, mas insistiu.</p>
<p>— Olha, não temos outra opção, temos?</p>
<p>&#8220;Não vão para as arvores&#8230;&#8221;</p>
<p>Lara e Kadia olharam ao mesmo tempo na direção da voz.</p>
<p>— De onde veio isso? — perguntou Lara.</p>
<p>— Veio o que? — falou Arian.</p>
<p>— Não escutou nada?</p>
<p>— Não</p>
<p>— Eu escutei — falou Kadia.</p>
<p>— Estranho&#8230;</p>
<p>— Talvez seja um ser que só possa ser escutado por mulheres — cogitou Kadia.</p>
<p>&#8220;Vocês tem que sair dai, agora! Ele está a caminho!&#8221;.</p>
<p>— De novo — Lara parecia estar procurando a origem da voz a volta deles.</p>
<p>— O que está dizendo?</p>
<p>— Que temos que sair daqui, e rápido — disse Kadia.</p>
<p>— Nisso eu concordo.</p>
<p>&#8220;Para cá. Venham para cá&#8221;</p>
<p>— Está dizendo para irmos para lá.</p>
<p>Kadia apontou na direção da voz.</p>
<p>— Pode ser uma armadilha —  argumentou Lara.</p>
<p>— Lá não é o local que a &lt;E&gt; sinalizou ter algo? — perguntou Kadia.</p>
<p>— Sim, uma construção&#8230;</p>
<p>— E então? — questionou Lara.</p>
<p>— Vamos na direção da voz. Se tiver algo errado a frente &lt;E&gt; vai conseguir ver e nos avisar.</p>
<p>— Já consegue andar?</p>
<p>— Muito mal&#8230; Vou precisar me apoiar em uma de vocês.</p>
<p>Lara foi até ele rapidamente e colocou o braço bom dele a volta do pescoço dela.</p>
<p>— Vamos lá.</p>
<p>— Não é nada pessoal, Lara, mas acho que é melhor a Kadia fazer isso.</p>
<p>Ela olhou para ele sem entender.</p>
<p>— Por que?</p>
<p>— Ela é mais forte, pode me carregar com facilidade, e em termos ofensivos essa sua espada é bem mais útil que as duas de prata que ela está carregando. Não sou o melhor líder do mundo, mas qualquer idiota sabe que te cansar tentando apoiar alguém bem mais pesado enquanto uma demônio com super força pode fazer isso fácil, é burrice.</p>
<p>Lara fez uma cara feia, mas não tinha como contra argumentar.</p>
<p>— Tudo bem, Kadia?</p>
<p>Pela cara dela não parecia muito a vontade com a proposta, mas acabou concordando.</p>
<p>— Ah.. Certo&#8230;</p>
<p>Ela colocou o braço ruim de Arian a volta do pescoço dela e eles começaram a andar. Ela estava bem corada.</p>
<p>— Desculpe&#8230;</p>
<p>Kadia olhou para ele sem entender.</p>
<p>— Está no seu pagamento ainda? Deve ser desconfortável.</p>
<p>— Na verdade é bastante prazeroso, o problema é eu me controlar para não te atacar, de novo&#8230;</p>
<p>Kadia fez uma cara triste ao dizer aquilo, para a profunda confusão de Arian.</p>
<p>Eles seguiram viagem com &lt;E&gt; apontava os caminhos com o menor número de amaldiçoados e Lara matava os poucos que não tinha como evitar. Kadia seguia um pouco atrás com Arian.</p>
<p>Todo o local mantinha o padrão de terra úmida e muitas pedras. O terreno era relativamente plano, com algumas pequenas montanhas e plantas estranhas da dimensão negra a volta. Em certo ponto encontravam resquícios de um pequeno vilarejo a muito abandonado.  Perto de um quarto do dia se passou enquanto eles seguiam vagarosamente por causa do estado de Arian.</p>
<p>— Quanto tempo até chegarmos lá?</p>
<p>Arian olhou para &lt;E&gt;, que pensou um pouco e levantou três dedos.</p>
<p>— Perto de três dias nessa velocidade.</p>
<p>— É tempo demais&#8230; E não comemos nada a 2 dias, só estamos usando a água da dimensão azul para nos manter.</p>
<p>— Não temos muita escolha, nada aqui parece comestível&#8230; — disse Arian, olhando o terreno a volta deles.</p>
<p>— Na verdade tem algumas plantas da dimensão negra que são comestíveis sim, só não sei se é o caso para humanos também&#8230;</p>
<p>— Bem, se a situação ficar crítica usamos isso — disse o guardião.</p>
<p>— Teoricamente eu posso compensar nutrição com energia celestial, mas minha conexão está fraca demais para eu fazer isso por todos nós.</p>
<p>— Se conseguir manter a si mesma já está de bom tamanho. Eu aguento mais dias que um humano normal sem comer.</p>
<p>— Eu não&#8230;</p>
<p>— Come uma daquelas plantas que falou se ver outras pelo caminho então&#8230; Tem uma outra opção mas só vamos usar quando não sobrar mais nada.</p>
<p>— Qual seria? — questionou Lara.</p>
<p>Arian parecia estar tentando encontrar a forma menos nojenta de dizer aquilo.</p>
<p>— Eu e Kadia&#8230; Bem&#8230; Nos regeneramos rápido se tivermos uma parte pequena do músculo do braço ou perna cortado&#8230;</p>
<p>Lara e Kadia arregalaram os olhos encarando o guardião, enquanto o grupo continuava a caminhar.</p>
<p>— Ficou maluco?</p>
<p>— Preferem morrer?</p>
<p>— Já teve que fazer isso antes?</p>
<p>— Eu prefiro não falar sobre isso&#8230;</p>
<p>Kadia estava fazendo uma cara de nojo olhando para Arian. Ele sabia bem o motivo.</p>
<p>— Eu não ligo que esteja lendo minha mente, mas eu não ficaria vendo essas memórias se fosse você.</p>
<p>— Eu acho que prefiro morrer&#8230;</p>
<p>— Acredite&#8230; Quando a gente fica com fome de verdade, faz e come coisas que não acredita&#8230; E acha gostoso ainda.</p>
<p>— Dá para pararmos de falar sobre isso? — disse Lara, olhando para trás.</p>
<p>— É um bom preparo psicológico de qualquer&#8230;</p>
<p>Arian foi interrompido pelo chão tremendo unido ao rugido de uma criatura que devia ser enorme pelo barulho que fazia.</p>
<p>&#8220;Rápido! Ele está se aproximando!&#8221;</p>
<p>— A voz disse que precisamos ir mais rápido.</p>
<p>— Bem que eu gostaria&#8230; — disse Arian.</p>
<p>Kadia olhou para ele pensativa.</p>
<p>— Posso sugerir algo?</p>
<p>— Estou ouvindo&#8230;</p>
<p>— Que tal eu te carregar?</p>
<p>— Por mim tudo bem, mas você já parece incomodada só comigo me apoiando? Pensei que era o pagamento, mas você já parece ter saído dele e continua me olhando de forma estranha.</p>
<p>— Não tem nada a ver com você se apoiando, é que&#8230; — Kadia ia dizer algo mas desistiu.</p>
<p>— Ah não, estou de saco cheio desse climão. Já vi isso acontecer um bando de vezes e sempre acaba mal. Se eu te fiz algo fala que a gente resolve.</p>
<p>— Você fez&#8230;? Eu que te ataquei!</p>
<p>Arian estava incrédulo ao finalmente entender qual era o problema.</p>
<p>— Espera&#8230; Está me olhando assim desde que acordou por causa do que aconteceu no acampamento?</p>
<p>— Eu te violentei&#8230;</p>
<p>— Com um beijo?</p>
<p>— Sem consentimento&#8230;</p>
<p>— Olha, eu não me importo&#8230; Mas se está te incomodando tanto, ou você pede desculpas e acabamos com isso ou posso forçar um beijo em você e ficamos quites&#8230;</p>
<p>Kadia olhou feio para Arin. Não só ela, &lt;E&gt; e Lara estavam querendo matar ele com os olhos também. O clima aliviou quando a demônio deu uma risada e pareceu finalmente relaxar.</p>
<p>— Bem&#8230; Desculpe por aquilo então, de verdade.</p>
<p>— Desculpas aceitas. Podemos voltar ao normal agora?</p>
<p>Kadia fez um sim envergonhado com a cabeça e os dois apertaram as mãos.</p>
<p>— Espera&#8230; Você gostou daquilo?</p>
<p>— Para de ler minha mente&#8230;</p>
<p>— Desculpe&#8230; — disse a garota, sorrindo com uma mistura de vergonha e contentamento.</p>
<p>Lara estava olhando para os dois com cara de quem queria vomitar.</p>
<p>— Certo, como quer me carregar então? Nas costas de novo não, por favor, você fica segurando bem onde minha perna está fraturada e eu quase desmaiei de dor quando subimos a morro.</p>
<p>— Certo&#8230; Que tal isso?</p>
<p>Kadia pegou Arian e colocou ele deitado em um dos ombros, enquanto um dos braços dela segurava em volta das pernas dele.</p>
<p>Eles andaram por mais algum tempo, agora bem mais rápido, enquanto Arian soltava resmungos constantes.</p>
<p>— Qual o problema? — questionou Lara, cansada de escutar ele reclamando.</p>
<p>— Ele está bem, só esperava que fosse mais confortável mesmo.</p>
<p>Kadia tentou ajustar a posição dele.</p>
<p>— Ao menos sua leitura de mente serve para poupar minhas cordas vocais&#8230; Ai!</p>
<p>— É tão ruim assim?</p>
<p>— Muito! Aperta meu abdomen e meu braço quebrado fica batendo nas suas costas. Carreguei pessoas assim por anos, mas não sabia que era tão desconfortável.</p>
<p>— Bem, aguenta ai, porque a outra opção é ser carregado no colo&#8230;</p>
<p>— Não te incomoda ter uma bunda ao lado da sua cara?</p>
<p>— É uma bela bunda.</p>
<p>Lara se virou pasma e Arian também parecia surpreso com a resposta.</p>
<p>—  Está no seu pagamento ainda, não é?</p>
<p>— Talvez&#8230; — disse a demônio, com um sorriso malandro no rosto.</p>
<p>Arian podia jurar que não estava.</p>
<p>— Ai&#8230; Acho que quero arriscar o colo&#8230;</p>
<p>— Sério&#8230;? Então tá.</p>
<p>Kadia o segurou com os dois braços, como se fosse um bebe gigante. Os dois se encararam por um tempo, até que ela não aguentou e teve que debochar da situação.</p>
<p>— Quem diria que a princesa que carregaria o príncipe&#8230;</p>
<p>— Que coisa estranha&#8230; — disse Arian, olhando para si mesmo e depois para Kadia, com o rosto logo acima dele.</p>
<p>Lara parecia cada vez mais infeliz com aquilo.</p>
<p>— Acho melhor vocês voltarem para a posição anterior.</p>
<p>— Que nada, ele gostou dessa&#8230;</p>
<p>— Ei, se acalma com a leitura de mente ai&#8230; — reclamou Arian.</p>
<p>— Você é muito estranho. A maioria dos homens estaria muito envergonhado de ser carregado por uma mulher.</p>
<p>— Por que? Eu estaria mais desconfortável sendo carregado por um homem.</p>
<p>Eles andaram por mais algum tempo, já estava começando a anoitecer.</p>
<p>— Quanto tempo nesse passo?</p>
<p>— Segundo a &lt;E&gt;, mais um dia.</p>
<p>Eles dormiram nas ruínas de uma pequena casa feita de pedra que acharam e voltaram a caminhar no dia seguinte, enquanto os rugidos ficavam cada vez mais altos.</p>
<p>Kadia continuava a carregar Arian no colo, e ele parecia cada vez mais a vontade com a situação. Em certo ponto ela deu uma risada e olhou para ele.</p>
<p>— Fala logo, está pensando nisso desde ontem.</p>
<p>— Por que você está cheirando tão bem? Está quase anulando o odor de carne podre ao nosso redor.</p>
<p>Lara olhou para trás incrédula com a conversa, mas não tinha muito tempo para reclamar enquanto tentava manter sua atenção nos contantes ataques de amaldiçoados de baixo nível.</p>
<p>— É da minha raça, exalamos um cheiro que parece muito atrativo para os homens&#8230; A parte estranha é você não ter reparado até hoje&#8230; Aqui está mais forte que o normal devido a quantidade de energia da dimensão negra que estou recebendo.</p>
<p>— Então era isso&#8230; Quando nos conhecemos achei que você vivia se enchendo de perfume&#8230; Mas quanto aos efeitos, devo ter resistência&#8230;</p>
<p>— Não está tentando me beijar ou me apalpando, então com certeza tem. Isso faz muito mais do que só parecer um cheiro bom.</p>
<p>— Você pode controlar?</p>
<p>— Posso aumentar ou reduzir o efeito, mas parar totalmente é impossível.</p>
<p>— Curioso&#8230; Mas o cheiro é bom&#8230; Só falta um travesseiro e conseguiria até dormir&#8230;</p>
<p>Arian olhou de um lado para o outro. Parecia estar pensando em algo.</p>
<p>— Pode. — disse a demônio.</p>
<p>Ele olhou para ela sem entender.</p>
<p>— Posso ler sua mente enquanto estou encostando em você, lembra?</p>
<p>— Ah&#8230;</p>
<p>Arian estava pensando se ficaria mais confortável apoiando a cabeça para o lado no peito de Kadia. Com a permissão dela, ele mandou ver e acabou quase dormindo, o que não podia fazer porque elas dependiam dos avisos da &lt;E&gt; sobre qualquer coisa a frente e que direção seguir.</p>
<p>Já estava começando a anoitecer quando viram um enorme castelo em ruínas ficando mais nítido a frente deles. A volta dele estavam ruínas de uma cidade a tempos abandonada.</p>
<p>— Então era essa a tal construção&#8230; As ruínas de Celestia do Sul&#8230; Estamos mesmo na floresta dos amaldiçoados. No centro dela para ser mais exata. — disse Lara.</p>
<p>— Ainda não consigo ver nada distante&#8230; Os celestiais viviam aqui? — perguntou Arian.</p>
<p>— Não exatamente&#8230; Alguns humanos descendentes de celestiais, ou meio-celestiais, se juntaram e formaram um pequeno reino aqui antes da guerra entre Sul e Norte começar. Os celestiais gostaram da ideia e começaram a usar o local como base intermediaria, inclusive com um deles acabando por ficar por aqui e se tornando o Rei — disse Lara, lembrando de suas aulas de história — No ápice da guerra toda essa área acabou destruída e amaldiçoada pelo Lich.</p>
<p>Eles andaram pela cidade abandonada em direção ao castelo, até que Kadia viu algo que não gostou.</p>
<p>— Aquilo é um fosso?</p>
<p>— Está mais para um desfiladeiro&#8230; O castelo de Celestia do Sul é todo cercado por um vão de mais de 200 metros de profundidade e 50 metros de uma ponta a outra. Você só entra lá se baixarem a ponte do castelo ou tiver asas.</p>
<p>Eles andaram um pouco mais, até que o desfiladeiro começou a ganhar forma. A ponte que permitia a passagem de um lado a outro do penhasco estava abaixada, mas só puderam ver os pedaços que restaram dela de ambos os lados, a parte sobre o abismo já havia despedaçado e caído no fundo faz tempo.</p>
<p>— E agora?</p>
<p>— Vamos dar a volta nele. Deve ter uma parte menos distante que dê para a Kadia saltar levando um de nós de cada&#8230;</p>
<p>Arian foi interrompido por &lt;E&gt;.</p>
<p>— O que foi?</p>
<p>&lt;E&gt; estava puxando Arian e apontando para trás. Ela fez um bando de gestos até ele entender.</p>
<p>— Não estou vendo nada lá. Alguém está vindo?</p>
<p>Um rugido ecoou por toda a área. Era tão alto dessa vez que eles tiveram que colocar a mão nos ouvidos. Em seguida começaram a escutar muitas pessoas correndo.</p>
<p>— Quantos são?</p>
<p>— Pelo barulho, muito mais do que dê para contar&#8230;</p>
<p>— Arian, está vendo aquilo?</p>
<p>— Não, mas pela sua voz e a cara da &lt;E&gt; não parece nada bom.</p>
<p>Kadia e Lara estavam boquiabertas, mas não era com o exercito enorme de amaldiçoados correndo em direção as ruínas da cidade, e sim com uma sombra colossal que podia ser vista atrás deles, encoberta pela neblina. A cada vez que ela dava um passo o chão tremia.</p>
<p>— O que é aquilo&#8230;?</p>
<p>A criatura atrás do exército de amaldiçoados rugiu e abriu suas gigantescas asas, dissipando parte da névoa que a estava encobrindo. O corpo era quase todo negro com algumas partes esverdeadas. Os olhos verdes brilhantes chamavam bastante a atenção, assim como as asas e altura descomunal que passava facilmente da montanha que Kadia escalou. Embora até hoje fosse apenas uma lenda para ela, Lara não teve dúvidas do que era. Com uma voz cheia de pavor ela disse o nome da criatura.</p>
<p>— ArcFall, o dragão amaldiçoado&#8230;. Estamos mortos&#8230;</p>
<p><strong>Próximo:</strong> Capítulo 27 &#8211; A Espada de Celestia</p>
<p>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</p>
<p>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-26-a-voz/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 26 &#8211; A Voz</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 25 &#8211; A Floresta dos Amaldiçoados</title>
		<link>https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-25-a-floresta-dos-amaldicoados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 22:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-25-a-floresta-dos-amaldicoados/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 25 &#8211; A Floresta dos Amaldiçoados</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
<p>O Livro 1 completo <a href="http://amzn.to/2D2NZCl">já está a venda na Amazon</a>.</p>
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<p><strong>Capítulo 25 &#8211; A Floresta dos Amaldiçoados</strong></p>
<p>— Arian, cadê você?</p>
<p>— A sua direita. Não faça barulho, esse local está cheio de amaldiçoados em todas as direções.</p>
<p>Estava tudo escuro a volta deles, e o céu quase que completamente encoberto por uma nuvem negra. Arian ainda podia ver algo a noite, mas Lara teve que usar magia para iluminar o local a sua volta.</p>
<p>Haviam muitas arvores mortas de diversos tamanhos, clareiras e elevações no horizonte, mas nenhuma vegetação, o chão era pura terra e pedras.</p>
<p>Arian estava ajoelhado no chão parecendo estar com muita dor enquanto olhava em direção ao corpo de Kadia, caído de lado a alguns metros dele.</p>
<p>Lara se aproximou do corpo da demônio e colocou a mão em seu pescoço.</p>
<p>— Ela está viva, não se preocupe.</p>
<p>Arian olhou para Lara sem entender. A sacerdotisa então arrancou a lamina do peito da demônio sem qualquer preocupação.</p>
<p>— O que&#8230;?</p>
<p>— Sabia, quase não está sangrando. Ele atravessou sem encostar em nenhum órgão.</p>
<p>Arian estava confuso e aliviado ao mesmo tempo, já que parecia uma boa notícia. Mas isso logo foi esquecido por algo que chamou sua atenção no horizonte.</p>
<p>— Lara, depois você explica, agora apaga isso!</p>
<p>— Mas não vou conseguir ver nada!</p>
<p>— Apaga, agora!</p>
<p>Em seguida Lara arregalou os olhos e fechou a mão rapidamente, sumindo com a luz dourada que emanava dela.</p>
<p>— Você viu aquilo?</p>
<p>Fora corpos menores se mexendo lentamente ao longe, haviam duas criaturas que pareciam te-los visto. Deviam ter perto de 3 metros de altura cada, mas era difícil dizer com exatidão aquela distancia. Não era o tamanho que chamava atenção, no entanto, mas suas formas. A primeira parecia um corpo humano se arrastando para frente em vez de andar, e a segunda uma aranha gigantesca com um torço humanoide onde ficaria a cabeça de uma aranha comum.</p>
<p>— Uma Aracne e uma Lamia&#8230;</p>
<p>O guardião parecia preocupado.</p>
<p>— É tão ruim?</p>
<p>— Elas tem sub-espécies de rank B até S, algumas são tão ou mais inteligentes que humanos e tem habilidades completamente absurdas.</p>
<p>— Qual o plano então?</p>
<p>— Não faça barulho. Eles pararam. Se dermos sorte não nos viram e só estão de passagem.</p>
<p>— Você está sangrando pelo corpo todo, vão sentir o cheiro de qualquer forma.</p>
<p>— Acho que já sentiram&#8230;</p>
<p>As criaturas voltaram a se aproximar, só que agora mais lentamente.</p>
<p>— E então&#8230;?</p>
<p>— São inteligentes, se fossem de rank baixo ou amaldiçoados não reduziriam a velocidade. Temos que sair daqui e achar um abrigo antes que&#8230; Droga&#8230; Por que agora?</p>
<p>Os ferimentos no corpo de Arian começaram a emanar uma forte luz azul.</p>
<p>— Você se afastou muito do circulo de magia que Raziel usou, o bloqueio perdeu o efeito. Vou tentar bloquear de novo, mas está ficando mais difícil a cada vez.</p>
<p>— Espera&#8230; Faz isso depois que resolvermos essa situação. Minha perna e braço esquerdo estão esmigalhadas, não vou conseguir me mexer direito sem a energia azul sustentando meu corpo. Você pega a Kadia e se afasta o quanto puder, eu distraio eles.</p>
<p>Arian estava suando frio e respirando com dificuldade. Parecia exausto, mesmo com a energia azul parando o sangramento em seu corpo e realocando de volta no lugar os ossos quebrados.</p>
<p>Lara foi para o lado dele e desembainhou sua espada branca.</p>
<p>— O que está fazendo?</p>
<p>— Acho que vou ficar sentada sem fazer nada enquanto você se mata?</p>
<p>— Mas você não consegue ver a noite.</p>
<p>— A curta distancia vou conseguir ver o bastante graças a você. Parece uma vela gigante com o tanto de ferimentos brilhando no seu corpo agora&#8230;</p>
<p>Arian olhou para si mesmo e constatou que ela não estava exagerando.</p>
<p>— Certo. Não temos a Kadia para bloquear poderes mentais nem o Jon para me lembrar todas as habilidades loucas que esses dois podem ter, então se mostrarem hostilidade, a gente tenta matar o mais rápido que der. Caso fique muito feio, eu vou agarrar a Kadia e pular enquanto você congela a área inteira com a espada. Não pense suas vezes antes de usar aquilo, no meu estado e você com a visão limitada estamos totalmente em desvantagem aqui.</p>
<p>— Não é melhor eu fazer isso de uma vez?</p>
<p>— Não, nada garante que não vamos encontrar coisa ainda pior se sobrevivermos a eles.</p>
<p>As criaturas finalmente chegaram perto o bastante para eles poderem ver seu corpo em detalhes. A parte de baixo do primeiro era de fato o corpo de uma cobra com a parte da frente com torço que lembrava um homem. O corpo de cobra tinha uma escama negra com tons azulados brilhantes em várias partes. O peitoral tinha algumas escamas da mesma cor. O rosto era mais normal, tirando as orelhas pontiagudas, cabelos azulados e os olhos dourados com fendas.</p>
<p>A segunda era bem mais assustadora. Uma aranha enorme com o corpo todo negro e símbolos vermelhos que brilhavam no escuro. Onde cima de onde fica a cabeça de uma aranha normal tinha o torço de uma mulher de longos cabelos brancos e olhos vermelhos brilhantes. Os seios estavam cobertos por um tecido branco que lembrava uma teia.</p>
<p>Ambos pareciam receosos enquanto se aproximando cada vez mais lentamente, até que pararam e a Aracne falou com eles em uma linguá que não conseguiram entender.</p>
<p>— O que ela disse? — Perguntou Lara.</p>
<p>— Não tenho ideia.</p>
<p>— Ela perguntou quem são vocês.</p>
<p>Dessa vez quem falou foi o homem cobra.</p>
<p>— Inacreditável, essa coisa fala mesmo.</p>
<p>A criatura olhou com raiva para Lara.</p>
<p>— Eu tenho nome, humana!</p>
<p>Lara riu em tom de deboche, o que pareceu ter deixado a Aracne nervosa. Arian se virou para Lara com uma cara de &#8220;o que você está fazendo?!&#8221;, enquanto o homem cobra deu um urro ensurdecedor.</p>
<p>— Eu disse que era perda de tempo tentar falar com eles! — disse o Lamia macho, ameaçando avançar contra Kadia.</p>
<p>A sacerdotisa entrou em posição defensiva, mas antes que fosse atacada, a Aracne se colocou na frente do aliado enfurecido, olhou para ele e balançou a cabeça negativamente. Ao mesmo tempo Arian estava tentando acalmar Lara.</p>
<p>— Eu disse que se fosse hostil era para atacar com tudo, mas não foi o caso ainda, se acalma. — Arian se virou e falou em direção a Aracne — Não queremos lutar sem necessidade.</p>
<p>Todos os quatro voltaram a se encarar por algum tempo. A Aracne então olhou para o Lamia e falou algo para ele. A criatura respirou fundo e então perguntou:</p>
<p>— É um sinal de respeito dizer os nomes antes de inciar uma conversa, ao menos para o meu povo. Meu nome na linguá de vocês seria algo como&#8230; Kshir. E essa ao meu lado é Ziran.</p>
<p>Arian abaixou sua espada e apontou para Lara.</p>
<p>— Essa é Lara. Eu sou Arian e aquela demônio desacordada é a Kadia.</p>
<p>— O que fazem aqui?</p>
<p>— Fomos pegos por um portal quando estávamos no Sul.</p>
<p>A resposta pareceu desapontar ambas as criaturas.</p>
<p>— O que foi?</p>
<p>— Tinhamos esperança que fosse outro caso&#8230; Estamos na mesma situação que vocês. Fui invocado para esse lugar muito tempo atrás por um portal. O caso de Ziran é mais complicado, ela já estava aqui bem antes de mim.</p>
<p>— Sabe onde estamos? — questionou Arian.</p>
<p>— Uma floresta sem fim&#8230;</p>
<p>— Isso não disse muito&#8230; — falou Lara.</p>
<p>A Aracne parecia curiosa com alguma coisa faz algum tempo pelas expressões que estava fazendo, e conforme a conversa ficou mais pacífica, ela pareceu ter tomado confiança para se aproximar de Arian. A cabeça dela ficou a poucos palmos dele. Parecia o estar analisando de cima a baixo enquanto sentia melhor o seu cheiro.</p>
<p>Lara estava muito tensa com a situação, mas Arian continuava segurando o braço dela com força sinalizando para não saber nada.</p>
<p>Apesar da aparência da parte de baixo do corpo ser assustadora, e os olhos vermelhos intensos, a Aracne não passava agressividade alguma em sua expressão de curiosidade. Seu rosto era muito bonito, lembrando até um pouco o de &lt;E&gt;, embora em uma versão adulta.</p>
<p>O Lamia macho ficou observando o comportamento da Aracne por algum tempo e encarando Arian e Lara vez ou outra com ar de desconfiança, até que perguntou:</p>
<p>— Como está tão calmo?</p>
<p>Arian fez uma cara triste, como se estivesse lembrando de algo.</p>
<p>— Já conheci alguém parecido com ela no passado&#8230;</p>
<p>A Aracne falou alguma coisa, mas de novo ele não entendeu, então olhou para o homem cobra, na espera de uma tradução.</p>
<p>— Ela quer saber sua raça. Seu sangue não tem cheiro humano, ela nunca sentiu nada parecido antes. Está se controlando ao máximo para não come-lo.</p>
<p>Arian arregalou os olhos na hora. Não era bem o que parecia pela cara bondosa que ela estava fazendo enquanto o encarava na espera de uma resposta.</p>
<p>— Para ser sincero, eu também gostaria de saber&#8230; Mas a Aracne que conheci anos atrás disse coisa parecida&#8230; Embora não tenha sido tão sincera sobre a parte de me comer&#8230;</p>
<p>A Aracne riu, parecendo entender a resposta, e depois se aproximou mais um pouco e fixou seus olhos nos dele por um tempo. Lara estava engolindo a seco enquanto sua mão pressionava o cabo da espada com força. Após algum tempo a mulher aranha sorriu e se afastou de Arian. Em seguida olhou para o Lamia fazendo um sinal de afirmação com a cabeça.</p>
<p>— Parece que você não está mentindo — disse o Lamia.</p>
<p>— O que elas fez? — perguntou Lara.</p>
<p>— Aracnes podem ler intenção com os olhos.</p>
<p>— Se não sabem onde estamos, sabem dizer se&#8230;</p>
<p>Antes que Arian terminasse a pergunta, foi interrompido por um rugido que fez todo o chão tremer. Eles ficaram estáticos olhando de um lado para o outro em busca da fonte do barulho, mas não viram nada.</p>
<p>— É melhor saírem daqui, e rápido — falou Kshir, o homem cobra.</p>
<p>— O que foi esse grito?</p>
<p>— O rei da floresta. Não vão querer encontrar com ele.</p>
<p>A Aracne olhou para o Lamia e falou algo.</p>
<p>— Não dá, são muito lentos para nos acompanhar e não confio neles o bastante também.</p>
<p>A Aracne fez uma cara de decepção para a resposta do companheiro. Depois disso, ambas as criaturas se viraram e começaram a se afastar.</p>
<p>— Espera. Onde vocês vão? — gritou Arian para eles.</p>
<p>Ambos pararam e se viraram:</p>
<p>— Nos esconder, e vocês deveriam fazer o mesmo se sobreviverem aos que estão vindo matar vocês.</p>
<p>— Quem?</p>
<p>A Aracne apontou em uma direção com o dedo e disse alguma coisa. Se Arian fosse chutar parecia algo como &#8220;boa sorte&#8221;. Em seguida ela e o homem cobra se viraram e voltaram a correr até sumirem no horizonte.</p>
<p>Pouco depois Arian viu mais de 10 sombras ao longe se aproximando rapidamente deles.</p>
<p>— Ótimo — disse ele com sarcasmo.</p>
<p>— Acha que essas vão querer bater papo também?</p>
<p>— Sem chance, esses que estão vindo parecem todos amaldiçoados.</p>
<p>Lara entrou em posição ofensiva enquanto Arian carregou energia azul em sua espada.</p>
<p>Quatro das criaturas pareciam lagartos com seis pernas e um enorme buraco redondo cheio de dentes onde ficaria a cabeça. O corpo de dois deles tinha perto de 2 metros, enquanto o terceiro e quarto eram muito maiores, podendo engolir uma pessoa inteira com facilidade pelo buraco que parecia sua boca. Os outros pareciam humanos amaldiçoados.</p>
<p>— Quatro engolidores amaldiçoados e sete amaldiçoados humanos. Tente congelar os dois engolidores menores e cuidado com o bote deles, se pegarem qualquer parte do seu corpo arrancam na hora. Fique calma e se concentre em desviar até ver uma abertura para congela-lo. E esquece o que falei sobre a luz, vai precisar dela agora.</p>
<p>Lara reuniu energia em sua mão o bastante para iluminar bem toda a área a volta deles.</p>
<p>— E os maiores?</p>
<p>— Eu cuido deles. Os humanos são mais fáceis de matar e vão se dividir entre nos dois, só tome cuidado para não te morderem.</p>
<p>— São rank alto?</p>
<p>— Que eu lembre engolidores são B, mas estão amaldiçoados, então o rank é inútil. Se absorveram muita energia da dimensão escura podem considerados até mesmo rank S. Fique pronta para habilidades inesperadas.</p>
<p>Assim que Arian terminou de falar um dos maiores lagartos chegou neles e saltou sobre o guardião, que mirou a espada na direção da boca do bicho, esperou até o último momento e liberou a energia acumulada da espada para dentro dela. O Impacto lançou a criatura para trás e explodiu a parte posterior do corpo. Arian se jogou para trás e puxou Lara junto na tentativa de desviar do sangue negro que espirrou.</p>
<p>— Quanto mata-las cuidado com o sangue, ele pode derreter sua pele até os ossos.</p>
<p>Em seguida o resto das criaturas chegaram e saltaram sobre eles. Ambos desviaram ao mesmo tempo, se jogando cada um para um lado. Em seguida Lara usou sua espada para lançar uma faixa de gelo e congelar uma das criaturas menores e dois amaldiçoados humanos que estavam alinhados. A segunda criatura cuspiu algo na direção dela, mas ela desviou. Em seguida o lagarto pulou mirando seu braço e ela saltou de novo, seguindo as orientações de Arian para focar na esquiva ao invés do ataque.</p>
<p>Outra investida. Lara desviou apenas o bastante para a criatura passar direto por ela e arrancou a cabeça do amaldiçoado humano que tentou ataca-la em seguida. Teve que pular para o lado logo depois para não ser pega por um novo bote do engolidor. Isso se repetiu mais cinco vezes. Ele não dava a ela tempo nem a distancia necessária para usar a magia de gelo da espada.</p>
<p>— Se é assim&#8230;</p>
<p>Lara virou de costas e correu do engolidor, que a perseguiu na mesma hora. Infelizmente para a criatura, a sacerdotisa já tinha pegou distancia o bastante para usar a magia de sua espada. Assim que a criatura pulou sobre ela, Lara fez um corte no ar com a espada que lançou uma magia que congelou o lagarto amaldiçoado. Em seguida ela se jogou para o lado e o lagarto se espatifou em pedaços ao bater no chão com o corpo congelado.</p>
<p>— Até que&#8230; foi divertido, devia ter virado aventureira em vez de sacerdotisa — disse ela, vislumbrando os inimigos que matou.</p>
<p>Em seguida ela correu de volta para auxiliar Arian. Ele já tinha acabado de arrancar a cabeça do último amaldiçoado humano, só restando o lagarto maior.</p>
<p>A criatura se jogou em cima dele em uma velocidade desproporcional para o tamanho de seu corpo. Arian desviou para o lado e em seguida saltou para cima da criatura e arrancou um pedaço de sua cabeça antes que ela pegasse impulso para outro salto. Ainda vivo, o lagarto pulou para trás, enquanto sua cabeça se regenerava quase que por completo. A parte da cabeça que Arian cortou se transformou em uma criatura semelhante a maior, só que em uma versão proporcional ao tamanho do pedaço arrancado.</p>
<p>Lara foi para o lado de Arian.</p>
<p>— Eles deveriam fazer isso?</p>
<p>— Como eu disse, mutação por absorver energia da dimensão escura.</p>
<p>Arian chamou a atenção da criatura maior, enquanto Lara tentou lançar magia contra o lagarto pequeno, mas ele saltou e desviou.</p>
<p>— Não pode ser sério&#8230;</p>
<p>A criatura pulou em cima dela, que por pouco não foi pega. Em seguida o lagarto pulou de novo. Dessa vez Lara prestou atenção na direção, desviou rapidamente, e antes que ele caísse no chão lançou a magia de gelo com a espada, congelando o alvo completamente.</p>
<p>Arian ainda estava tentando lidar com lagarto maior. O guardião tento acumular energia na espada e implodi-lo como fez com o primeiro, mas esse parecia ter aprendido com a morte do companheiro e sempre pulava para longe quando Arian ameaçava descarregar a energia da espada nele.</p>
<p>Lara estava correndo para ajudar, mas antes que chega-se viu mais seis criaturas chegando. Um parecia um lobisomem, e os outros humanos normais, todos com olhos verdes e pele apodrecida, como era comum dos amaldiçoados. Ela correu para intercepta-los antes que chegassem em Arian.</p>
<p>Conseguiu congelar três dos amaldiçoados, mas o lobisomem foi mais rápido e conseguiu chegar até Arian, que se virou na direção dele e partiu seu corpo ao meio enquanto a criatura ainda estava no ar. Só que quando o fez o lagarto se aproveitou e saltou sobre ele, o engolindo inteiro.</p>
<p>— Arian!</p>
<p>Lara arregalou os olhos em desespero, quase sendo mordida pelo último amaldiçoado humano que ainda estava vivo. Em seguida ela deu um grito de ódio e arrancou a cabeça da criatura.</p>
<p>O lagarto que engoliu Arian começou a andar lentamente na direção dela, preparando para engoli-la da mesma forma que fez com Arian.</p>
<p>Não tinha como congelar um corpo tão grande na mesma forma que fez com os lagartos pequenos, e seu poder da dimensão celestial estava muito fraco devido a forte ligação da dimensão negra naquele local, então só restava seu trunfo.</p>
<p>Com ódio nos olhos, Lara apontou sua espada para os céus e gritou.</p>
<p>— Arkedian!</p>
<p>A Lamina brilhou em uma forte luz azul. Ela se preparou para cravar a espada no chão enquanto a criatura correu na direção dela com um urro. Mas antes que ambas executassem o que tinham em mente, o corpo da criatura explodiu.</p>
<p>No meio dos restos do animal, Arian se levantou completamente coberto em um sangue negro, gritando e tentando desesperadamente tirar o liquido escuro do seu corpo. Lara entendeu rapidamente o motivo ao lembrar do que ele havia dito sobre o sangue da criatura.</p>
<p>Ela correu até ele e usou uma magia simples do plano azul para produzir água nas mãos e limpar Arian o mais rápido que pode. Se fosse alguém com afinidade a dimensão azul poderia lava-lo a distancia com uma quantidade muito maior de água, mas ela estava limitada aquilo.</p>
<p>Arian gritava de dor enquanto passava a mão em seu rosto para tirar o sangue. Pedaços da pele acabavam arrancados por estarem moles ou meio derretidos.</p>
<p>Assim que terminou de limpa-lo as mãos de Lara estavam em carne vida de encostar no sangue do lagarto, e o corpo de Arian, tirando as partes cobertas por armadura e outras protegidas pela energia azul, estavam em carne viva. Seu rosto estava completamente deformado, e não dava para ver seus olhos. Lara estava horrorizada.</p>
<p>Ele caiu de joelhos no chão parecendo que iria desmaiar. Em seguida escuram de novo o rugido que fez a terra tremer.</p>
<p>— Temos&#8230; Que&#8230; Sair daqui</p>
<p>Como se estivesse respondendo ao estado dele, a energia azul começou a cobrir as partes em situação mais críticas do corpo de Arian. Tentando ao máximo ignorar a dor alucinante que estava sentindo, ele se levantou, pegou Kadia e colocou em um dos ombros. Em seguida fez o mesmo com Lara.</p>
<p>— O que está fazendo? Eu posso andar!</p>
<p>— Não temos tempo, um bando de outros amaldiçoados está vindo para cá depois do barulho e iluminação que proporcionamos. &lt;E&gt;, para onde? Qualquer lugar protegido serve&#8230; Rápido, estou quase desmaiando.</p>
<p>A fantasma, ainda pasma com o estado dele, tentou se concentrar no pedido e seus olhos brilharam em vermelho enquanto olhava a área a volta deles. Ela então apontou em uma direção. Arian correu o mais rápido que pode, ignorando e desviando de vários amaldiçoados pelo caminho, até que depois de algum tempo vendo apenas arvores mortas e plantas estranhas da dimensão negra, chegaram a um local com várias pedras de mais de 10 metros de altura encostadas em uma enorme montanha. Arian correu para trás de uma delas e colocou Lara e Kadia no chão.</p>
<p>— Agora Lara, bloqueie esse treco antes que eu perca o controle.</p>
<p>Lara tentou por um bom tempo até conseguir bloquear a energia azul, e quando o fez o bracelete dela e de Arian trincaram em várias partes. A sacerdotisa então caiu de joelhos no chão. Arian estava sem folego e mal conseguindo se manter de pé.</p>
<p>— Eu disse, está perdendo efeito. Se tentarmos soltar e bloquear mais uma vez acho vai quebrar.</p>
<p>— Esperemos&#8230; Que eu não precise usar mais&#8230;</p>
<p>Ele foi interrompido por um berro vindo de trás dele.</p>
<p>— Ah, Droga&#8230;</p>
<p>Arian se virou e arremessou as duas espadas que ficavam em suas costas contra uma criatura que os havia seguido. Em seguida o guardião caiu para trás.</p>
<p>— Lara, corta a cabeça! — gritou ele, sem conseguir se levantar.</p>
<p>A Sacerdotisa se levantou e iluminou levemente o local para ver onde estava o corpo. Era um amaldiçoado. Estava se remexendo no chão com as espadas de Arian cravadas em seu peito. Ela correu até ele e cortou a cabeça com um golpe. Lara então se assustou com algo que viu junto da espada que Arian arremessou.</p>
<p>— Arian&#8230; Seu braço.</p>
<p>O guardião então olhou para o chão ao lado da criatura e viu seu braço ainda segurando a espada que arremessou. Assustado, ele olhou para o braço esquerdo e viu que não havia nada depois do cotovelo.</p>
<p>— Merda&#8230;</p>
<p>Em seguida ele desmaiou.</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-26-a-voz/">Capítulo 26 &#8211; A Voz</a></p>
<p>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</p>
<p>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-25-a-floresta-dos-amaldicoados/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 25 &#8211; A Floresta dos Amaldiçoados</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 24 &#8211; Distany</title>
		<link>https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-24-distany/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2019 20:12:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-24-distany/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 24 &#8211; Distany</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<p>Ou você pode ler de graça se cadastrando nesse <a href="https://amzn.to/2I411Fv">link</a>.</p>
<p><strong>Capítulo 24 &#8211; Distany</strong></p>
<p>Diferente da carruagem comum deles, que fora destruída pela tempestade de portais, a  que trouxeram para levá-los a Distany era extremamente luxuosa, toda em preto reluzente e com almofadas vermelhas nos bancos. Um casal de meio-elfos apareceu guiando ela pouco depois da chegada da guardiã de Distany no acampamento. O espaço era amplo, cabendo 3 em cada banco com folga. Joanne, Jon e Zek de um lado e Dorian, Marko e Irene do outro.</p>
<p>Eles voltaram pela estrada e seguiram para Distany, que ficava a uns 3 dias do acampamento deles. Omaha, a líder dos guardiões, disse que conseguiriam fazer em apenas um, já que aqueles cavalos eram especiais e podiam não só correr em uma velocidade absurda, mas também o aguentavam fazer por muito tempo.</p>
<p>Joanne, muito mais animada que o normal, estava bombardeando Jon de perguntas. O garoto não tinha certeza se era uma forma dela aprofundar a relação deles ou pura e simples curiosidade que estava contendo até hoje, devido ao posto de líder.</p>
<p>— Isso é a coisa que achou mais estranha nesse mundo, sério?</p>
<p>— Eu cai no chão de susto a primeira vez que vi a terceira lua de vocês. Ela parecia que iria se chocar com esse planeta de tão próxima que fica — disse Jon.</p>
<p>— Planeta? — questionou Marko.</p>
<p>— É como chamamos os mundos que vemos no céu de onde eu venho. De qualquer forma, a primeira coisa que achei muito estranha foi vocês terem várias luas, e nos só uma.</p>
<p>— Que diferença isso faz? — questionou Dorian, que parecia interessado no assunto.</p>
<p>— O dia aqui dura mais devido as duas luas próximas desse planeta. Fora que elas causam marés completamente absurdas, gerando aquele mar turbulento de ondas gigantes pelos quais vocês não conseguem navegar.</p>
<p>— Espera&#8230; Até onde eu sei aquilo foi uma maldição dos deuses para nos prender nessas terras, assim como a área escura atrás das montanhas do norte, de onde ninguém nunca conseguiu voltar com vida.</p>
<p>— Por mais que eu acredite em deuses, duvido que tenham algo a ver com o mar revolto. Aquilo é culpa do sistema maluco de luas de vocês. As três luas normais eu não liguei muito, só me assustei de verdade quando a terra começou a tremer e aquele planeta azul surgiu no horizonte parecendo que iria se chocar conosco.</p>
<p>Zek, que estava sentada ao lado de Irene, conteve um riso ao lembrar da cena. Ela estava do lado de Jon no dia que aconteceu e foi a responsável por tentar acalma-lo quando ele se desesperou.</p>
<p>— Ainda bem que só acontece a cada 100 dias, ou como você chamam aqui, um ciclo.</p>
<p>— Sente falta de alguma coisa em particular do seu mundo? — perguntou Joanne.</p>
<p>— Um sistema mais preciso de medição de tempo. Não acho a dependência de estrelas que vocês tem muito funcional.</p>
<p>— Para quê precisa dividir o dia em mais de 34 partes?</p>
<p>Existiam 34 estrelas que iam se iluminando ao longo do dia, o povo daquele mundo usava elas para contar o tempo. Eram o equivalente a horas para eles. Se a 17ª estrela estivesse iluminada, o dia estava na metade. Embora prático, dependia do céu estar limpo para visualizar, e qualquer medição mais meticulosa ou aproximada era inviável.</p>
<p>— Melhor pararmos pro aqui ou vou acabar embolando o cérebro de vocês de verdade ao tentar explicar o que é um relógio digital.</p>
<p>— Um o que? — perguntou Irene.</p>
<p>— Como eu disse, é melhor nem saber.</p>
<p>— Então é só isso, medir o tempo?</p>
<p>— Não, tem alguns confortos no meu mundo que sinto falta também, principalmente alguns tipos de comida, mas fora isso, gosto bastante desse mundo de vocês.</p>
<p>— Certo. E namorada?</p>
<p>Jon ficou meio sem jeito com a nova pergunta de Joanne.</p>
<p>— Nunca&#8230; Nunca tive uma.</p>
<p>Joanne ficou pensativa com a resposta.</p>
<p>— O que foi?</p>
<p>Irene não se conteve e respondeu enquanto ria.</p>
<p>— Ela esta pensando em como te contar que não é tão pura quanto você.</p>
<p>Jon fechou a cara com a provocação.</p>
<p>— Eu sei que ela já saiu com vários caras antes! Não quero os detalhes, obrigado!</p>
<p>— Devia ver como ele ficava sempre que você saia a noite com um novo pretendente. Ele se isolava na biblioteca com uma cara de quem queria morrer.</p>
<p>Joanne pareceu surpresa e acabou sorrindo com o comentário.</p>
<p>— Por que demônios está sorrindo depois de ouvir algo tão patético?</p>
<p>— Não sei&#8230; Você ficar com ciumes me deixa feliz, eu acho&#8230;</p>
<p>Irene então colocou a mão no ombro de Jon e disse:</p>
<p>— Pare de reclamar, Jon, finalmente ganhou sua chance, só aproveite. Mas é bom mostrar um desempenho na cama, a maioria dos caras que ela largou depois de um encontro foi por decepção nessa parte.</p>
<p>— Irene! — gritou Joanne, ficando totalmente sem graça.</p>
<p>Como se já não estivesse ruim o bastante, Dorian completou.</p>
<p>— Falar isso para um cara cuja única experiencia é ter sido violentado por uma bruxa foi particularmente brilhante, ele vai ficar bem mais calmo agora.</p>
<p>Jon não disse nada, só engoliu a seco, preocupado, enquanto Marko e Irene caiam na gargalhada.</p>
<p>A viagem continuou enquanto eles conversavam e Irene tentava deixar Jon mais envergonhado do que já estava com Joanne encostada no ombro dele o tempo inteiro. Embora estivesse tentando fingir que aquilo não tinha nada demais, estava suando mais que o normal, e seu batimento cardíaco estava muito mais acelerado do que ele gostaria de admitir.</p>
<p>— Estamos chegando — disse a meio-elfa de capuz verde que estava guiando a carroça.</p>
<p>O sol estava começando a se por no horizonte. Pouco depois da estrada começar a beirar um lago, eles puderam ver ao longe um muro de mais de 20 metros de altura. Diferente do muro de Amira, esse era todo coberto por uma planta verde cheia de espinhos. Jon nunca tinha visto algo parecido.</p>
<p>O muro começava na beira do lago e seguia até uma montanha. Com a proteção do lago de um lado de uma montanha muito alta do outro, o local era perfeito para uma cidade.</p>
<p>Não havia portão ou sequer guardas. Na entrada, suficiente para duas carruagens lado a lado, estava apenas um homem de barba branca coberto com o mesmo manto verde de Arian, de forma que não era possível ver seu rosto por completo. Ele estava sentado em uma cadeira, e ao invés de vigiar o lado de fora, parecia mais preocupado em observar o lado de dentro da cidade, principalmente as mulheres que estavam andando perto dali.</p>
<p>Omaha, a líder dos guardiões, só fez um sinal com a cabeça para ele, que acenou de volta e então deu uma rápida olhada para as pessoas dentro da carruagem.</p>
<p>A parte de dentro da muralha era menos impressionante do que Jon esperava. As casas pareciam novas e bem cuidadas, mas a maioria era comum. As ruas eram todas de pedra e inacreditavelmente limpas, mas era só isso, nada da cidade que tanto ouviu as pessoas mistificarem. Era bem pequena também, já que não muito a frente deles estava um outro muro que deveria ser o fim da cidade. Deviam ter no máximo 100 pessoas morando ali.</p>
<p>Apesar de já estar começando a escurecer, horário que se evita ficar perambulando pelas ruas, havia muita gente circulando de um lado para o outro. A maioria meio-elfas, uma mais linda que a outra, mas haviam também alguns humanos. Jon pode jurar que viu uma das escravas que o Arian comprou em Amit e mandou para cá, mas logo a perdeu de vista.</p>
<p>Curioso, perguntou aos dois que estava guiando os cavalos.</p>
<p>— Tudo bem não ter guardas aqui com tanta gente circulando a noite?</p>
<p>— Distany não tem guardas, apenas 7 guardiões. Bem, na maioria do tempo 4, já que um vive perambulando pela floresta fora da cidade, o outro geralmente é mandado como escolta de mercadorias muito valiosas que produzimos, e tem o Arian, que está quase sempre em missões externas. Aquele homem pelo qual passamos é Izak Blazer, ele vale por muito mais que 1000 guardas.</p>
<p>Jon lembrava dos dados de cada guardião daquele cidade. Izak era um classe SS veterano com mais de 300 anos. Segundo a lenda, era filho de um humano com uma deusa antiga.</p>
<p>— Quanto pagam a ele? Com a idade que tem já deve ter mais dinheiro do que eu posso imaginar, não consigo entender porque um classe SS aceitaria virar um simples guardião.</p>
<p>— Vai achar ainda mais curioso saber que ele trabalho de graça então&#8230; Na verdade, ele foi um dos primeiros aqui, chegou antes de mim. Pelo que me disseram ele apareceu do nada e se ofereceu para ajudar na segurança.</p>
<p>Dessa vez foi Joanne que ficou espantada.</p>
<p>— Sério? Não pediu absolutamente nada em retorno?</p>
<p>Como as informações dos guias da carruagem ficaram limitadas, a líder dos guardiões aproximou seu cavalo da janela da carruagem e completou.</p>
<p>— Izak é fascinado por meio-elfas, ficar em uma cidade rodeado delas é um sonho realizado. Aqui é o único local nesse mundo onde vai achar tantas meio-elfas juntas.</p>
<p>Jon não se conteve e fez a pergunta mais obvia.</p>
<p>— Não é perigoso? Ele nunca atacou nenhuma?</p>
<p>— Aquele velho tarado é orgulhoso demais para isso. As únicas que ele tocou até hoje foram as que se ofereceram. Ele já tem 5 esposas e alguns filhos.</p>
<p>— Como sabem que ele nunca fez nada?</p>
<p>Marko deu uma risada e respondeu.</p>
<p>— Vocês já vão descobrir.</p>
<p>Assim que passaram pela entrada do segundo muro Jon arregalou os olhos. Não era o fim da cidade, na verdade, era ali que ela realmente começava.</p>
<p>— Bem vindos a Distany — disse a meio-elfa guiando a carruagem.</p>
<p>— Pelos deuses! — disse Irene, de boca aberta.</p>
<p>De fato, era como entrar em uma cidade de deuses. Todas as casas eram brancas, com detalhes finos e relevos detalhados de plantas e raízes nas paredes. Os telhados azuis pareciam quase ter luz própria de tão reluzentes que eram. Branco era a cor que dominava quase todo o local, o que dava um ar muito limpo a cidade. Até o cheio do local parecia mais puro que o normal. A volta deles apenas a montanha de um lado, o lago do outro, e depois do florestas.</p>
<p>— O que era aquele outro local que acabamos de ver? Isso aqui é totalmente diferente daquele outro setor da cidade.</p>
<p>— Lá atrás é onde ficam os que ainda estão sendo avaliados a terem a entrada permitida na cidade. Só alguns conseguem permissão para entrar direto. Tem aproximadamente 50 pessoas ali, enquanto a cidade principal tem perto de 300 atualmente.</p>
<p>— Por que não conseguimos ver a cidade principal antes de passarmos pelo muro?</p>
<p>— Tem uma magia ilusória a volta desse local, serve para afastar os curiosos que ficavam vindo até aqui e rodando os muros da cidade, ou escalando a montanha e olhando ela de cima. Agora, tudo que eles veem é uma enorme floresta.</p>
<p>Eles pararam perto de uma casa que ficava bem próxima da entrada.</p>
<p>A líder dos guardiões desceu do cavalo, se aproximou de uma das casas e bateou na porta algumas vezes.</p>
<p>— Sirley, checagem. E coloque uma roupa dessa vez! — disse Omaha.</p>
<p>— Já vai&#8230;</p>
<p>Pouco depois uma bela mulher aparentando uns 30 anos saiu de dentro da casa. Sua orelha era maior que a de uma meio-elfa, e a silhueta um pouco mais fina. Era uma elfa? Jon não tinha certeza já que nunca viu uma pessoalmente. Seu longo cabelo dourado estava bastante bagunçado, e ela estava com cara de sono. Mas não era isso que chamava atenção, e sim o fato dela não estar usando nenhuma roupa fora um avental de cozinha.</p>
<p>— Mas que droga, Sirley!</p>
<p>A elfa riu e então falou em tom de deboche.</p>
<p>— Isso não conta como roupa? Se não gostou é só me despedir&#8230;</p>
<p>— Só faz logo o que tem que fazer e saia da minha vista.</p>
<p>A mulher riu e então caminhou calmamente até a carruagem. Ela se debruçou na janela aberta e serrou os olhos por um tempo olhando para cada dos passageiros com curiosidade.</p>
<p>— E então?</p>
<p>— Eles são muito interessantes. A inexpressiva gosta do garoto magrelo, que por sua vez gosta da loira, que quer gostar do garoto mas não sabe se vai dar certo. A garota do arco está desesperada com a loira mas está tentando parecer calma, o bonitão ali atrás odeia o Arian mas ao mesmo tempo não consegue aceitar que ele pode ter morrido, e o Marko está pensando coisas boas sobre mim&#8230; Não precisa pensar Marko, é só passar aqui mais tarde, ainda vou estar usando só esse avental que você tanto gostou. O garoto inseguro também, passe aqui mais tarde e eu te dou umas aulas praticas de como agradar sua namorada.</p>
<p>Ela então piscou para Jon, que ficou levemente corado.</p>
<p>Omaha estava com uma cara de quem queria matar Sirley, que estava falando sobre tudo, menos o que interessava a ela saber. A elfa então deu seu veredito.</p>
<p>— Todos limpos. Nenhum tem animosidade alguma contra meio-elfas ou essa cidade.</p>
<p>— Certo, vamos para o alojamento então.</p>
<p>A carruagem voltou a andar, enquanto Sirley gritava atrás deles.</p>
<p>— Espera ai, e o meu requerimento, Omaha?</p>
<p>— Estamos procurando uma substituta ainda, assim que encontramos eu te aviso.</p>
<p>— Você está me falando isso a mais de ano!</p>
<p>Ela ignorou e se virou para Jon.</p>
<p>— Bem, creio que teve sua pergunta sobre saber se alguém aqui tem más intenções foi respondida garoto.</p>
<p>— Ela pode ler mentes? — perguntou.</p>
<p>— Não, ela faz melhor. Ela consegue ler intenções e sentimentos. Diferente de pensamentos, não existem truques para esconder intenções.</p>
<p>— Só tem ela para verificar qualquer um que entra?</p>
<p>— Tinhamos outras duas com habilidade de ler mente que revesavam o serviço com ela, mas já foram enganadas várias vezes, então colocamos a Sirley em uma casa na frente da entrada e usamos só ela agora. A maldita é completamente insubordinada, mas seu talento é inegável.</p>
<p>— Ela não parece muito feliz&#8230;</p>
<p>— Ela ganha um dos maiores salários da cidade, e é a única que pode me afrontar e sair pelada de casa sem acabar expulsa daqui. Então acredite, ela está mais feliz do que parece.</p>
<p>— Tem mais elfos por aqui? Pensei que tivesse só meio elfos e humanos nessa cidade.</p>
<p>— Tem mais alguns sim. Inclusive, todo o design das construções da cidade foi arquitetado por eles. Isso aqui virou quase uma mini-cidade elfica nos últimos anos.</p>
<p>— Por que elfos viriam para cá? — questionou Joanne.</p>
<p>— Tem os parentes dos meio-elfos que vieram morar aqui, e alguns como Sirley, que foram banidos da cidade dos Altos elfos, ou então saíram por vontade própria.</p>
<p>Embora claramente fosse algo mais privado, Irene não pensou duas vezes antes de perguntar.</p>
<p>— O que ela fez?</p>
<p>Omaha não respondeu imediatamente, parecendo estar a procura das palavras certas.</p>
<p>— Elfos são normalmente bastante frios e pouco interessados em interação física, seja com sua raça ou qualquer outra. Sirley é uma anomalia, já que ela gosta bastante do negócio, seja com homens ou mulheres. Segundo ela nos contou, fora punida diversas vezes por conduta imprópria para sua raça, até que finalmente a baniram do território dos elfos e ela então veio para o Sul.</p>
<p>— E o que ela queria no tal requerimento que fez a você?</p>
<p>— Um ano de folga e construir uma segunda casa para ela ao lado da do Arian. O que estamos enrolando ao máximo para fazer.</p>
<p>— Entendo a parte da folga ser complicada devido a utilidade dela, mas qual o problema de fazer uma outra casa para ela se tem tanto dinheiro?</p>
<p>— Olhem para a direita. Estão vendo aquela torre com um disco branco em cima na parte mais alta da cidade?</p>
<p>Jon ficou impressionado com a construção. A casa tinha vidro a toda volta do disco, de forma que era possível ver a parte de dentro quase que por completo.</p>
<p>— É com certeza a torre de vigilância mais bonita que já vi.</p>
<p>— Aquilo não é uma torre de vigia, é a casa do Arian. Aquela fantasma idiota dele é obcecada com vistas, então ele mandou fazer aquele negócio como casa. Foram muitos ciclos com nossos maiores construtores para terminar aquele negócio quando poderíamos ter usado eles em coisas mais uteis.</p>
<p>— Por que aceitaram, então?</p>
<p>A mulher olhou para eles sem entender a pergunta. Foi então que ela viu Marko balançando a cabeça.</p>
<p>— Ah, ele não contou&#8230;</p>
<p>— Contou o quê?</p>
<p>— Vão acabar descobrindo mais cedo ou mais tarde&#8230; Se ele não contou não sou eu que vou fazer. Mas de qualquer forma, Sirley quer uma daquelas também, ficou inconformada que a casa do Arian chama mais atenção que a dela.</p>
<p>A carruagem parou em frente a uma construção enorme com várias janelas.</p>
<p>— Aqui é área de hospedes onde vocês vão ficar. Não ataquem ou tenham relações com alguém sem consentimento e não teremos problemas. Se quiserem algo para comer é só pedir na recepção, é tudo de graça. A recepcionista vai dar a chave dos quartos. Jon, você vem comigo, Sara quer te ver imediatamente.</p>
<p>— Não podemos ir junto? — perguntou Joanne.</p>
<p>— Não, ela só pediu por ele. Mas é sua escolha aceitar vir comigo ou não.</p>
<p>Jon olhou para Marko, que fez um sinal de positivo com a cabeça.</p>
<p>— Tudo bem.</p>
<p>Joanne e os outros seguiram para dentro da hospedaria, encantados com o luxo da construção. Em seguia a carruagem levou Jon até uma casa mais ao norte da cidade. O clima do local era algo fascinante. Não havia ninguém nervoso ou triste andando pelas ruas, todos que Jon viu pareciam honestamente felizes. Até hoje nunca tinha visto nada parecido, seja em seu mundo ou nesse.</p>
<p>Sendo uma cidade pequena, rapidamente chegaram no local pretendido, uma casa de médio porte. Omaha desceu e bateu na porta.</p>
<p>— Sara, eu trouxe o Jon.</p>
<p>— Estou indo.</p>
<p>— Agora é com você garoto. Espero que possa realmente ser útil.</p>
<p>Depois de dizer isso Omaha se virou e saiu apressada com seu cavalo. A carruagem ficaria ali para levar Jon de volta depois.</p>
<p>A porta da casa se abriu e Jon ficou deslumbrado com a bela meio elfa com um cabelo acinzentado descendo até os pés. Estava usando um vestido branco bem simples, o que só destacava ainda mais seus belos olhos verdes.</p>
<p>— Finalmente&#8230; Ola, Jon.</p>
<p>— Desculpe mas&#8230; Já nos conhecemos?</p>
<p>— Sim e não.</p>
<p>— Não ajudou muito.</p>
<p>— Vai entender em breve.</p>
<p>A garota sorriu e então o encarou por algum tempo, pensativa.</p>
<p>— Entre, por favor.</p>
<p>Jon obedeceu e sentou em uma cadeira que Sara apontou. Ela então se sentou em frente a ele.</p>
<p>— Indo direto ao ponto, meu nome é Sara Hills, e preciso da sua ajuda para salvar o Arian.</p>
<p>— Sabe onde ele está?</p>
<p>— Sei&#8230; Mas isso não ajuda em nada. Não podemos ir até lá.</p>
<p>— Então o que faremos?</p>
<p>— Vou te explicar. Vai ser complicado, mas essa é minha última chance. Não haverá uma próxima vez.</p>
<p>— O que quer dizer?</p>
<p>Sara voltou a ficar pensativa, e então falou com bastante calma.</p>
<p>— Quero que me escute com atenção e não faça perguntas até eu terminar&#8230;</p>
<p>Ele fez um sinal de positivo com a cabeça.</p>
<p>— Jon, eu conheci o Arian&#8230; — Sara ficou meio insegura com o que diria a seguir — 2000 anos atrás&#8230;</p>
<p>Jon não perguntou nada, só a encarou completamente incrédulo.</p>
<p>— E essa é a 17ª vez que vejo você fazer essa cara depois de ouvir isso.</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2020/01/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-25-a-floresta-dos-amaldicoados/">Capítulo 25 &#8211; A Floresta dos Amaldiçoados</a></p>
<p>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</p>
<p>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-24-distany/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 24 &#8211; Distany</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 23 &#8211; Livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Sep 2019 20:31:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-23-livre/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 23 &#8211; Livre</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<p><strong>Capítulo 23 &#8211; Livre</strong></p>
<p>Jon despertou e seus sentidos voltaram lentamente. Após algum tempo, conseguia escutar e ver o que estava a sua volta, mas seu corpo não se mexia. O local era bastante escuro, embora desse para notar pela pouca luz vindo da entrada que se tratava de uma caverna. A pergunta é, como foi parar ali? Não lembrava nem de ter ido dormir na note passada.</p>
<p>— Finalmente acordou.</p>
<p>Jon desviou seus olhos para a voz que vinha do canto esquerdo da caverna. Havia alguém sentado em uma pedra. Pelo manto preto poderia jurar que era Raz, mas a silhueta era um pouco menor que a dele, sem falar na voz mais fina. Foi então que a figura se virou para ele e Jon ficou ainda mais confuso. Era uma mulher que nunca tinha visto.</p>
<p>— Você estava suando frio e gemendo a noite inteira, e como não era efeito do que dei a vocês, suponho que estava tendo outro pesadelo com a bruxa de Lain&#8230; Deve ser a terceira vez que isso acontece desde que saiu de Amit. Tem que superar garoto, ou vai acabar te destruindo mais do que já está. Feridas físicas saram sozinhas, mas as da mente precisam de um pouco mais de esforço da nossa parte.</p>
<p>— O&#8230; que&#8230;</p>
<p>— Difícil falar? É normal, seus músculos estão todos meio paralisados, incluindo os da boca. Você vai recuperar os movimentos gradualmente.</p>
<p>O garoto continuou a olhar para ela sem entender o que estava vendo. Foi então que ela tirou o capuz negro e falou:</p>
<p>— Calma, Jon. Sou eu, Raziel, meu pagamento muda minha aparência, assim como o de Lara. Aproveite, são poucos os que já me viram nessa forma.</p>
<p>Jon tentou falar alguma coisa, mas nenhum som saiu de sua boca.</p>
<p>— É, acho que vai ter que esperar mais um pouco até poder falar direito. Vamos por partes. Para começar imagino que deseje saber o que está acontecendo&#8230;</p>
<p>Jon fez um sim com a cabeça.</p>
<p>— Já ouviu falar do Beijo do Sono Eterno?</p>
<p>Jon tentou fazer um não com a cabeça, mas não conseguiu se mover muito.</p>
<p>— É uma substancia que está ficando bem famosa na União central. Estamos nos esforçando para acabar com ela, mas continua se espalhando. Ela te faz cair em sono profundo e apaga um pouco de suas memórias de antes do ocorrido. O uso mais comum é entre estupradores. O pó não tem gosto, então eles colocam em uma bebida e a vítima desmaia pouco depois. Quando acorda, o estrago já foi feito e ela não se lembra da pessoa que a drogou. É bem problemático&#8230; Mas em resumo, foi o que ocorreu com vocês, desculpe por isso&#8230;</p>
<p>Jon parecia assustado, e então Raz completou.</p>
<p>— Não precisa fazer essa cara, o veneno é quase inofensivo, só faz as pessoas dormirem por um bom tempo. No seu caso, no entanto, está com a alma tão danificada que não quis arriscar e te dei o antidoto para acordar antes do efeito passar. Tive que usar uma baita dose para colocar a Valkyria e o Lobisomem para dormir, então enquanto eles devem acordar em breve, um humano como você ficaria dormindo por uns 10 dias, o que pode ser perigoso.</p>
<p>— Por&#8230; quê&#8230; Fez&#8230; Isso?</p>
<p>— Sendo o mais direto que posso, precisava testar o Arian, confirmar se ele é mesmo quem Lara pensa que é. Sendo esse o caso, era necessário saber se ele herdou o poder da mãe ou do pai, e com vocês acordados não seria possível chegar ao extremo que precisava para descobrir. Não espero que me perdoe por isso, só quero que entenda e depois explique aos outros quando acordarem.</p>
<p>Jon tentou olhar a volta dele para ver se estavam todos ali, mas não conseguia mexer corpo.</p>
<p>— Estão&#8230; todos&#8230; bem?</p>
<p>— Os que estão aqui sim, mas enquanto Arian lutava comigo a tempestade de portais avançou até o acampamento. Arian, Lara e Kadia foram pegos por um dos portais. Não faço a menor ideia de onde foram parar ou se estão vivos ainda.</p>
<p>Jon arregalou os olhos.</p>
<p>— A missão&#8230;</p>
<p>— Não adianta se desesperar, Jon, não tem nada que possamos fazer. Se estiverem vivos vão dar um jeito de voltar para cá, se não&#8230; Melhor não ficarem por aqui esperando muito tempo&#8230; Logo depois deles sumirem peguei todos vocês e trouxe para essa caverna. Já tinha gasto muita energia na luta, e teleportar todos vocês até aqui gastou mais um bocado, o que me levou a minha aparência atual.</p>
<p>Mudança de sexo, Jon já tinha ouvido falar daquele tipo de pagamento. Assim como o de Lara, pagamentos que alteravam a forma do corpo estavam entre os mais incomuns.</p>
<p>Ambos ficaram um tempo em silêncio, até que Jon finalmente conseguiu se mexer e olhar a volta dele. Estavam todos dormindo tranquilamente. Raziel se levantou e foi até a entrada da caverna. O sol estava quase sumindo no horizonte.</p>
<p>Jon pensou um pouco, respirou fundo, e perguntou.</p>
<p>— Valeu&#8230; a pena?</p>
<p>Raziel riu.</p>
<p>— Sim e não&#8230; Descobri o que queria, mas não faria a mesma coisa se soubesse o que iria acontecer no fim&#8230;</p>
<p>— Ele tinha&#8230; O poder&#8230; dos pais dele?</p>
<p>— Parece que o da mãe, mas não faz a menor ideia disso ou como usa-lo&#8230; Pensando bem, devido ao estado atual dele, é bom que nem aprenda mesmo. O mais preocupante no entanto era se tivesse o poder do pai&#8230; Fui ordenado a mata-lo se fosse esse o caso.</p>
<p>— É perigoso?</p>
<p>— Muito&#8230; Mas o mais intrigante, no entanto, é o que exatamente fizeram com ele. Ele não parece em nada com o que deveria ser&#8230;</p>
<p>— Sabe&#8230; a raça dele?</p>
<p>Jon finalmente estava conseguindo voltar a falar quase normalmente.</p>
<p>— Sei&#8230; Mas não vale de grande coisa. Como disse, ele não está como deveria, e não faço ideia do por que.</p>
<p>— Li muitos livros de raças&#8230; As características dele não batem com nenhuma&#8230;</p>
<p>— Não vai achar nada sobre a raça dele nos livros dos humanos, é muito antiga. Talvez na biblioteca de Moonsong ou dos Altos Elfos, embora a área com essas informações seja provavelmente bem restrita&#8230; Mas como dizem, tem coisas que é melhor não saber&#8230;</p>
<p>Jon não perguntou mais nada depois disso, apenas ficou olhando perplexo para Raziel.</p>
<p>— O que foi?</p>
<p>— Não entendo você&#8230; É um aliado ou inimigo?</p>
<p>Raziel riu da pergunta.</p>
<p>— Nenhum dos dois&#8230; Ao menos por enquanto.</p>
<p>— Temos que achar a Lara, se o Lich pegar o fragmento tudo que fizemos será em vão.</p>
<p>Raziel se virou e se ajoelhou ao lado de Jon.</p>
<p>— Já saiu do Sul, Jon?</p>
<p>— Não&#8230;</p>
<p>O vendo mais de perto, achou assustador o quanto sua aparência feminina era atraente. Já tinha escutado que vampiros em geral eram muito bonitos, mas aquilo foi acima do que esperava.</p>
<p>— Lara me contou da missão de vocês&#8230; Entendo a importância, mas&#8230; Não podemos intervir nisso. Existem problemas bem maiores que Victor e sua obsessão pelos celestiais nesse mundo.</p>
<p>— O que quer dizer? E o que os celestiais tem a ver com isso?</p>
<p>— Se viver o bastante vai acabar descobrindo&#8230; Fora que temos mais negócios com o Norte que o Sul no momento. Se tivéssemos que escolher qual dos dois nos aliar, bem&#8230;Digamos que o Rei de vocês não é muito bem visto pela união central. O pai dele não era perfeito, mas ao menos era melhor com diplomacia. Já o filho parece que não aprendeu nada com seu antecessor.</p>
<p>Raziel se levantou e olhou novamente para o lado de fora. A noite estava começando a cair.</p>
<p>— Está quase na minha hora. Vou deixar para você a explicação do ocorrido, já que duvido que os outros vão encarar as coisas de forma tão calma. E aproposito, se precisar de um novo trabalho um dia, me procure em Moonsong, será muito bem vindo.</p>
<p>Jon riu de forma debochada.</p>
<p>— O que um humano que não sabe lutar ou usar magia iria te servir?</p>
<p>— Seu corpo é irrelevante, o que me interessa é sua mente e o que poderia fazer com ela se treinado adequadamente. Se saiu bem em Amit para alguém sem experiencia em situações críticas. Só precisa melhorar sua tomada de decisão, nem sempre vou estar lá para corrigir seu erro.</p>
<p>Jon não entendeu a princípio, até que refazendo rapidamente os acontecimentos naquela cidade, lembrou de quando caiu da torre com Joanne e Zek.</p>
<p>— A torre&#8230; Foi você?</p>
<p>O sol finalmente se pós. Raz se virou uma última vez, sorriu para Jon, e falou antes de sair pela entrada da caverna.</p>
<p>— Até mais, Jon, espero que nossos caminhos se cruzem de novo um dia. E é bom não saírem daqui por mais alguns dias. A tempestade de portais ainda está forte nessa área.</p>
<p>— Espera, onde você vai?</p>
<p>— Voltar para casa e contar a meu melhor amigo que sua filha foi pega por um portal. Mal posso esperar&#8230; — disse ele, cabisbaixo, antes de desaparecer na noite.</p>
<p>Jon não conseguiu se mexer até o dia seguinte, quando Zek e Marko acordaram. Diferente dele, os dois rapidamente conseguiram ficar de pé. Jon explicou a situação, enquanto Zek usava de energia celestial para acelerar a recuperação dele, fazendo o mesmo com Joanne e Irene em seguida. Jon explicou de novo o que ocorreu para as duas.</p>
<p>Irene parecia desesperada, mas Joanne, em comparação, apenas sentou no chão e ficou lá parada olhando para a saída da caverna, dizendo que precisava pensar. Tiveram que esperar mais 2 dias para a tempestade de portais passar e eles finalmente conseguirem sair da caverna. No terceiro dia, quando amanheceu, todos foram checar o estrago da tempestade no acampamento.</p>
<p>— Não! Não! Não! Não!</p>
<p>Marko estava desesperado observando a carroça virada com seus vinhos caídos e em grande parte quebrados. Dorian sentou em uma pedra e estava com uma cara difícil de descrever. Desde que recebeu a notícia do que aconteceu parecia mais perdido que Joanne, o que era curioso considerando o fato que não parecia estar ligando muito para nada daquilo até ali. Irene continuava aflita perguntando a Marko se não podia farejar os desaparecidos.</p>
<p>— Esses portais de tempestade geralmente só mandam as pessoas para outro lugar desse mesmo mundo, podem estar perto. Já li vários relatos de pessoas que foram encontradas em outra parte do mundo depois de serem pegos por eles.</p>
<p>— Eles podem estar em qualquer lugar desse mundo, Irene, qualquer um! Isso inclui terem sido jogados no meio do mar. Meu olfato não é tão bom assim. Mas não se preocupe tanto, Arian é muito chato de matar.</p>
<p>— Não é com ele que estou preocupada&#8230; Se perdermos a relíquia&#8230;</p>
<p>— Se estiverem vivos os veremos de novo algum dia. Se mire na Joanne, ela finalmente relaxou e viu que não tinha nada que pudesse fazer.</p>
<p>— Na verdade é isso que mais me preocupa.</p>
<p>Joanne estava deitada na grama olhando para o céu com um sorriso de todo tamanho na cara. Jon não estava entendendo nada, então se aproximou e perguntou.</p>
<p>— Tudo bem, Joanne?</p>
<p>— Agora está&#8230;</p>
<p>— Não está&#8230; preocupada?</p>
<p>— Inicialmente&#8230; Mas se pensar bem, o que podemos fazer? Nada, absolutamente nada. Eles podem estar muito bem, podem estar com problemas, ou podem estar mortos, seja qual for, não existe nada que possamos fazer. Como Marko disse, se estiverem vivos, vão dar um jeito de nos encontrar.</p>
<p>— Concordo, mas&#8230; Não sei&#8230; Você parece estranha.</p>
<p>— Acredite, estou mais do que bem, Jon&#8230; Me sinto&#8230; Livre.</p>
<p>Sem saber o que dizer, Jon apenas se sentou ao lado dela. Joanne então olhou para ele com mais atenção, até ele corar.</p>
<p>— O que foi?</p>
<p>A garota se levantou e sentou bem perto dele.</p>
<p>— Jon, o que falou para mim em Amit&#8230; Sobre estar apaixonado por mim&#8230; Foi sério, ou só devido ao momento?</p>
<p>— Claro que foi sério! Eu&#8230;</p>
<p>Jon olhou para Marko, que fez um sinal de positivo com o dedo, tentando o incentivar.</p>
<p>— Por que acha que me esforcei tanto para virar seu assistente, droga? Estou apaixonado por você desde a primeira vez que te vi.</p>
<p>Assim que ele confirmou, Joanne se aproximou e o beijou. Foi um beijo simples, com os lábios apenas se encostando.</p>
<p>Assim que seus rostos se separaram, Jon tomou ar e perguntou, incrédulo.</p>
<p>— Isso&#8230; Isso é um sim?</p>
<p>— Vamos ver no que dá&#8230; Não tenho nada melhor para fazer, e estou de folga. Dê o mérito a Kadia, no entanto, foi ela que me inspirou quando atacou o Arian a alguns dias. Eu devia aproveitar enquanto ainda estrou viva e ainda tenho um braço sobrando. Não sei o que me espera amanhã&#8230;</p>
<p>— Isso não foi muito romântico&#8230;</p>
<p>A garota riu.</p>
<p>— Para ser honesta, nunca olhei para você dessa forma por causa da diferença de idade&#8230; Mas pensando agora, você é basicamente tudo que desejei em um namorado e nunca consegui.</p>
<p>— Um magrelo que não sabe lutar?</p>
<p>— Já tive o bastante de parceiros fortes. Nunca deu certo. O pior é que nem eram bons de cama no fim das contas, isso sim foi uma decepção.</p>
<p>Jon se surpreendeu com a sinceridade. Essa Joanne ele nunca tinha visto.</p>
<p>— Eu luto por nos dois, não preciso de um homem forte para me defender, preciso de um inteligente que consiga manter uma conversa e goste de mim pelo que sou. E bem&#8230; Se for bom em outras coisas é um bônus.</p>
<p>— Isso eu posso fazer&#8230; Quer dizer, a primeira parte&#8230; As outras coisas eu não sei.</p>
<p>Jon parecia envergonhado. Foi quando Marko que estava ouvindo tudo de longe gritou.</p>
<p>— É só me pedir dicas. Vou te ensinar tudo que sei e essa mulher vai ficar viciada em você!</p>
<p>Joanne riu.</p>
<p>— Não sei não, nunca me viu fora do papel de líder chata&#8230; Posso não ser exatamente o que você pensa.</p>
<p>— Então, como você disse, vamos ver no que dá&#8230;</p>
<p>Jon fechou o punho, engoliu a seco para tomar coragem, e dessa vez foi ele que a beijou.</p>
<p>— Esse é meu garoto! — gritou Marko, observando os dois. Estava quase chorando, mas Jon não sabia se era de felicidade por ele, pelo desaparecimento do seu melhor amigo, ou pela perda das garrafas de vinho de Amit.</p>
<p>Irene estava olhando para o recém formado casal com um ar de preocupação. Dorian continuava pensativo, mas sorriu e fez um sinal de positivo para Jon. Já Zek parecia confusa com o que estava vendo, ora olhava para eles e hora para o chão, pensativa.</p>
<p>— Certo, seu romance de lado, o que vamos fazer? — questionou Irene.</p>
<p>— Ir para cidade mais próxima, aproveitar o dinheiro que sobrou para a viagem, e se eles não derem as caras até o dinheiro acabar, voltamos para casa.</p>
<p>— E nós? —  perguntou Marko.</p>
<p>— Estão liberados, façam o que quiserem. O resto do dinheiro de vocês&#8230;</p>
<p>Antes que Joanne pudesse terminar o que ia dizer, todos eles se viraram para o barulho de um grupo de 3 pessoas a cavalo indo na direção deles muito rápido.</p>
<p>— Aquela capa não é igual a do Arian?</p>
<p>— É sim.</p>
<p>O cavalo parou na frente de Joanne. Era uma mulher no cavalo. Ela tirou o capuz, revelando um cabelo preto, preso por um rabo de cavalo. Dava para ver que não era humana pelos olhos, de uma cor verde bastante peculiar e com uma fenda no meio.</p>
<p>— Joanne Hacken? — questionou a estranha.</p>
<p>— Eu mesma.</p>
<p>— E você seria o Jon, um teleportado?</p>
<p>— Sim&#8230;</p>
<p>— Meu nome é Omaha, sou a líder dos guardiões de Distany. Se quiserem confirmação da minha identidade perguntem ao Marko. Preciso que vocês venham comigo para Distany, agora.</p>
<p>— Não só permitem meio-elfos lá? — questionou Joanne.</p>
<p>— Vocês foram convidados.</p>
<p>— Por quem?</p>
<p>— É complicado&#8230;</p>
<p>— Está tudo bem por lá? — perguntou Marko.</p>
<p>— Sim, o problema não é exatamente o lugar, mas quem.</p>
<p>— Não vão perguntar do Arian? Creio que sabiam que estava com a gente. — comentou Jon.</p>
<p>— Sim, sabíamos. Ele e mais duas garotas foram pegos por um portal, correto?</p>
<p>Marko se surpreendeu com a adivinhação.</p>
<p>— Como você&#8230;?</p>
<p>— Eu disse, é complicado&#8230; Para ser honesta eu não acreditei quando ela me passou a localização e ordens, até ver que tudo tinha acontecido exatamente como ela disse.</p>
<p>— Quem? — perguntou Dorian.</p>
<p>— Uma meio-elfa que chegou ontem em Distany com um humano&#8230; Sara&#8230; Ela&#8230; Vocês não vão acreditar&#8230;</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-24-distany/">Capítulo 24 &#8211; A Elfa Temporal</a></p>
<p>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</p>
<p>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 22 &#8211; O Vampiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2019 23:10:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
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<p><strong>Capítulo 22 &#8211; O Vampiro</strong></p>
<p>Depois repetidas tentativas de ataque, se é que Arian podia chamar disso, Kadia dormiu amarrada a uma arvore enquanto Lara ficou de vigia anulando a super força dela com magia celestial a noite inteira, para evitar que se soltasse e voltasse a atacar Arian.</p>
<p>Assim que amanheceu, ela já havia voltado ao normal, mas estava tão envergonhada que não conseguia olhar Arian cara a cara. Lara, exausta, foi dormir. Jon e o guia estavam conversando, enquqnro Zek só observava. Os outros foram caçar algo na floresta.</p>
<p>O dia correu com Kadia isolada do grupo olhando os arredores com seu pássaro e reportando de tempos em tempos a situação da tempestade de portais, que embora tivesse regredido, parecia longe de terminar.</p>
<p>Arian estava a observando de longe. As vezes ele começa a caminhar na direção dela, mas no meio do caminho dava meia volta e voltava a se encostar em uma arvore, pensativo.</p>
<p>&#8220;Para de pensar em como falar com ela, e só vai falar com ela!&#8221;.</p>
<p>&#8220;E digo o que?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sei lá, improvisa algo&#8230; Não, espera, que tal dizer que adorou e pedir para ela terminar o serviço?&#8221;.</p>
<p>&#8220;É, isso vai deixar a situação bem menos desconfortável para nos dois, com certeza&#8230;&#8221;.</p>
<p>&#8220;Só fala alguma coisa, seus pensamentos dando voltas sobre isso estão me incomodando&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não tenho como não pensar nisso. Ela acabou de perder parte das memórias, e agora que parecia estar ficando mais a vontade com o grupo de novo isso acontece&#8221;.</p>
<p>&#8220;Então fale isso para ela e pare de me atormentar com seus pensamentos&#8221;.</p>
<p>&#8220;Vou dar mais um tempo, amanhã falo com ela&#8221;.</p>
<p>&#8220;Covarde&#8230;&#8221;.</p>
<p>Mais a noite, todos estavam comendo, quando Marko observou o guia e Lara conversando e não se aguentou.</p>
<p>— O que vocês dois tanto conversam baixinho?</p>
<p>De fato, aquilo estava deixando Arian curioso também, principalmente depois deles falarem dias atrás que iriam revelar mais sobre como eles se conhecem.  </p>
<p>— Acho melhor contar a eles de uma vez — propôs o guia.</p>
<p>— Não!</p>
<p>— Que isso, Lara, não é nada demais.</p>
<p>O homem deu um sorriso sarcástico. Durante o dia ele se cobria todo com seu manto e mal dava para ver seu rosto por baixo do capuz, mas a noite parecia mais a vontade e geralmente retirava o capuz. Poderia jurar ele era um vampiro se já não tivesse visto o sol bater em seu rosto sem que isso o incomodasse.</p>
<p>Aparentava uns trinta e poucos anos, e não fosse o cabelo preto até o pescoço todo bagunçado sobre o rosto e postura desleixada, chamaria até atenção pela beleza anormal.</p>
<p>— Nada demais? Você só pode estar de brincadeira, Raz.</p>
<p>Marko franziu a testa, cada vez mais curioso.</p>
<p>— Ele é seu ex-namorado, por acaso?</p>
<p>— Não! De jeito nenhum! Não se enganem por esse rosto, esse cara tem idade para ser meu avô!</p>
<p>— Viu? Quanto mais enrolar para explicar as coisas pior isso vai ficar.</p>
<p>Lara soltou todo o ar do pulmão, como se tivesse desistido.</p>
<p>— Certo&#8230; Mas só expliquei o essencial.</p>
<p>O guia então se virou para o grupo.</p>
<p>— Bem, para começar, digamos que menti sobre algumas coisas&#8230; Eu já conhecia Lara, servi o pai dela por anos, na verdade.</p>
<p>— O rei de Moonsong? — perguntou Jon.</p>
<p>— Ele mesmo, Alexander Moonsong.</p>
<p>Dorian ficou curioso e falou sério uma das poucas vezes aquele dia.</p>
<p>— Não serve mais? Devia ganhar uma fortuna.</p>
<p>— Já juntei o bastante. Queria conhecer o mundo e então comecei a viajar&#8230; Mas quando vi Lara com vocês fiquei curioso, e decidi me juntar ao grupo me oferecendo de guia.</p>
<p>— Isso explica ter cobrado tão barato — disse Joanne.</p>
<p>— Na verdade, nem precisa me pagar nada. Já juntei mais que o bastante para minha vida toda.</p>
<p>— Não me parece certo&#8230; Suas dicas sobre as melhores estradas estão sendo realmente úteis.</p>
<p>O homem riu.</p>
<p>— Bem, faça como quiser.</p>
<p>Marko então deu um sorriso estranho.</p>
<p>— Estão fazendo as perguntas erradas. O que temos que saber agora é, o que sabe de constrangedor da Lara?</p>
<p>— Nossa, tem tanta coisa&#8230; — o homem começou a pensar, provavelmente escolhendo as melhores histórias.</p>
<p>Lara arregalou os olhos.</p>
<p>— Não ouse&#8230;</p>
<p>— Por que? Todo mundo faz coisas constrangedoras na infância, seria bom contar algumas suas para ver se sua má fama aqui melhora. Sinceramente, nunca pensei que aquela garota doce se tornaria&#8230; bem&#8230; você.</p>
<p>— Cala essa boca, Raz!</p>
<p>O grupo só conseguiu rir enquanto o guia a encarava com desgosto.</p>
<p>— O completo oposto da irmã&#8230;</p>
<p>— Pare de me comparar a ela! Já tive que aguentar isso minha infância inteira.</p>
<p>— Como quiser&#8230; Que tal falarmos então daquele sua coleção de vestidos macabros feitos a mão? Nunca peçam para ela costurar nada, nunca vi alguém tão ruim nisso. Falando nisso, lembrei de algo interessante&#8230; Sabiam que ela explodia o quarto dela quase todo dia? </p>
<p>— Pera, como assim? — Assim como Jon, ninguém entendeu a última parte.</p>
<p>— Quase toda madrugada a gente escutava uma explosão. Era Lara mandando o quarto pelos ares. Essa louca ficava acumulando energia celestial no corpo enquanto dormia, e liberava tudo quando acordava, jogando longe ou destruindo quase tudo que tinha a volta dela.</p>
<p>— Eu não sabia controlar, droga! Não era minha culpa!</p>
<p>— Nunca vi alguém tão lerdo para aprender a controlar energia. E pior, atrapalhava o sono de todo mundo. Vários nobres que moravam perto do castelo de mudaram e as casas perderam o valor pelo barulhão que Lara causava toda madrugada. Alexander criou uma equipe especializada em refazer os quartos dela, tinham um bando de moveis iguais prontos, porque explodia o quarto inteiro sem parar, as vezes tínhamos que mudar ela de quarto porque destruía parte das paredes também. </p>
<p>— Que coisa louca, nunca ouvi falar de ninguém que acumula energia de outra dimensão dormindo — falou Irene.</p>
<p>— Como acha que consigo manter a relíquia do Lich comigo? Se tivesse que ficar me concentrado para anular ela o tempo todo não iria poder dormir.</p>
<p>— Estava no relatório que recebi sobre ela. A ligação da Lara com a dimensão celestial é tão forte que a alma dela abre portais e drena energia da dimensão sem que ela precise se concentrar, e é comum acontecer enquanto ela dorme. — relatou Joanne.</p>
<p>— Depois de um tempo ninguém ligava mais, a gente só escutava uma explosão e depois um empregado via Lara andando pelada com cara de sono a procura do quarto reserva dela.</p>
<p>— Até que nesse caso é uma esquisitice útil&#8230; Pera, então aquelas explosões que escutava as vezes no dormitório da torre de luz era você? — perguntou Irene.</p>
<p>Lara não falou nada, mas sua cara de culpada dizia tudo.</p>
<p>— Agora está explicado como ela ganhou um quarto só para ela isolado no último andar&#8230; Pensei que era por ser rica, mas na verdade era para não matar ninguém enquanto dormia&#8230; Carregar esse treco amaldiçoado é até bom, está sugando sua energia e evitando de nos matar enquanto dorme.</p>
<p>— Nunca matei ninguém enquanto dormia&#8230; eu acho.</p>
<p>— Na verdade ela quase matou um bando de empregados quando tentavam a acordar pela manhã&#8230; Por que acha que passamos a usar aquele sino barulhento para te acordar? A mania dela de dormir pelada veio disso também, ela cansou de ficar chorando pelos pijamas que destruía quando tinha os surtos.</p>
<p>— Ela chorava por pijamas?</p>
<p>— Eram feitos a mão por ela, acredita? Mas honestamente? Eram uma aberração, explodir eles com magia celestial era um favor a ela mesma. </p>
<p>Lara estava fazendo uma cara muito feia, e Arian não sabia bem se era em defesa dos pijamas feios ou as histórias que Raz estava contando, mas estava achando aquilo tudo muito engraçado.</p>
<p>— Pera, ela ainda dorme pelada? —  questionou Marco, focado na parte que o interessava.</p>
<p>A garota colocou a mão no rosto, sem saber o que fazer para parar aquele show de humilhação, que seguiu pela noite a dentro, até que todos foram dormir.</p>
<p>No dia seguinte, a tempestade de portais não havia parado, mas aumentado em vez disso.</p>
<p>— Certo, vamos ficar por aqui mais um dia, se isso não parar procuramos uma rota alternativa — disse Joanne, desanimada.</p>
<p>Arian e Kadia ainda estavam em uma situação estranha, e o resto do grupo entediado por ficar tanto tempo ali parado. Menos Marko e Irene, eles pareciam estar se divertindo muito toda vez que entravam na mata por algum tempo para conseguirem privacidade.</p>
<p>Quando começou a entardecer, Raz foi até Arian, para o profundo incomodo de Lara, que passou o dia falando com seu ex-empregado.</p>
<p>— Arian, vi que é bom com espadas. Que tal matarmos esse tédio treinando um pouco?</p>
<p>— Sabe lutar?</p>
<p>O homem riu.</p>
<p>— Um pouco.</p>
<p>Arian se levantou a tirou duas espadas das costas.</p>
<p>— Certo. Vamos usar essas espadas médias. Ao menos assim estaremos usando as mesmas armas.</p>
<p>— Justo.</p>
<p>Em seguida, os dois se afastaram e começaram a lutar. O resto do grupo, sem nada para fazer, ficou assistindo, e para a surpresa deles, o guia estava pressionando Arian. </p>
<p>— No que ele servia seu pai mesmo, Lara? — perguntou Jon, impressionado.</p>
<p>— Era meu instrutor de esgrima e um dos principais generais do meu pai.</p>
<p>— Agora as coisas estão fazendo sentido&#8230;</p>
<p>— Aposto 10 moedas nele — disse Dorian, com um sorriso enorme na cara ao ver Arian passando aperto.</p>
<p>— Apostado — disse Lara.</p>
<p>A luta era muito bonita, lembrando mais uma dança bem coreografada que um combate real. Ambos saltavam para trás, esquivavam e bloqueavam ou desviavam a trajetória da espada do adversário repetidamente. Raz parecia mais forte e ágil que Arian, que começou a evitar disputadas de força e forcar mais em esquiva.</p>
<p>De repente, o homem tentou surpreender Arian com um chute, mas o guardião desviu e chutou Raz na barriga. Ele foi jogado alguns metros, deu uma cambalhota para trás e recuperou a postura, mas Arian já estava vindo a toda para cima dele. O guia se jogou para o lado para desviar. Em seguida, ambos giraram ao mesmo tempo, e suas espadas pararam a centímetros da garganta um do outro.</p>
<p>— Empate? — reclamou Dorian.</p>
<p>Arian estava sorrindo, mas o homem a sua frente não parecia tão satisfeito quanto ele, pelo contrário.</p>
<p>— Boa luta — disse o guardião, cumprimentando Raz com a cabeça.</p>
<p>— É&#8230; — respondeu o homem, parecendo decepcionado com algo.</p>
<p>&#8220;Tem algo errado&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Do que está falando?&#8221;</p>
<p>&#8220;Acho que ele não estava lutando a sério com você&#8221;</p>
<p>&#8220;Então por que deixou acabar em empate?&#8221;</p>
<p>&#8220;Por isso falei que tem algo estranho&#8221;</p>
<p>Arian queria continuar, mas Raz disse que estava cansado e a luta acabou ali.</p>
<p>Caiu a noite, todos comeram o cavalo selvagem que Marko cassou, e estavam se preparando para dormir, enquanto o céu ficava gradativamente mais nublado, ameaçando uma chuva. Foi quando aconteceu. </p>
<p>Do nada, Jon começou a tossir e gemer de dor. Zek correu até ele, mas acabou caindo no meio do caminho. Em seguida o mesmo aconteceu com Dorian, Kadia, Marko, Irene e Joanne. Lara resistiu um pouco mais usando de energia celestial, mas acabou caindo.</p>
<p>Arian sentiu uma dor tremenda passando pelo seu corpo, a ponto de quase o fazer desmaiar, mas antes disso, deu um grito e seus olhos ficaram vermelhos. Seja o que for que estava afetando seu corpo foi anulado, e em seguida os olhos voltaram a cor normal. Ele então notou que todos a sua volta haviam desmaiado, menos Raz, que o encarava com uma expressão pensativa.</p>
<p>— Já era tempo do veneno afazer efeito.</p>
<p>— O que você fez?! </p>
<p>— Não queria interferências.</p>
<p>Arian, prevendo o que viria a seguir, recuou para não acabar machucando os que estavam caídos em uma possível luta, enquanto o guia tirava uma espada relativamente fina e toda prateada das costas, escondida em baixo do manto negro que ele usava o tempo todo.</p>
<p>— Como sabia que o veneno não iria funcionar em mim?</p>
<p>Raz começou a caminhar lentamente até ele.</p>
<p>— Se funcionasse não seria quem eu fui ordenado a encontrar. Embora admita estar confuso com que sua mãe fez com você para ficar tão fraco.</p>
<p>Arian estava cada vez mais confuso enquanto encarava aquele homem. Ambos estavam parados em meio a uma clareira, enquanto o barulho da tempestade de portais ecoava a distancia.</p>
<p>— Sabe quem eu sou?</p>
<p>— Só existe um ser que faz sentido ter uma garota de cabelos brancos e olhos vermelhos a seu lado, e ele se chamava Marven Stormlight&#8230; </p>
<p>Arian olhou para &lt;E&gt;, que também parecia confusa com o que o homem falou.</p>
<p>— Você pode ver ela?</p>
<p>— Não, e nem preciso, só existe uma garota com essa descrição, e conheço ela bem melhor que você.</p>
<p>— Quem ela é?</p>
<p>— Não conte! — gritou Lara.</p>
<p>Para surpresa de Arian, de alguma forma ela ainda estava acordada, lutando contra os efeitos do veneno com sua energia celestial e se esforçando para não desmaiar.</p>
<p>— Só aos vitoriosos é dado o direito de exigir respostas, garoto. E é bom usar sua outra espada, porque dessa vez nossa luta vai ser até um dos dois acabar morto — disse o homem, enquanto seus olhos verdes ficavam vermelhos e seu cavalo preto mudava para branco.</p>
<p>Arian já tinha ouvido falar daquela raça, mas nunca havia visto ninguém dela em pessoa. Eles podiam alterar a cor dos olhos e cabelos, e diferente de vampiros normais, o sol não os matava, apenas os deixava mais fracos e mudava levemente a aparência.</p>
<p>— Um vampiro puro?</p>
<p>— Não, mas é esse o nome que os humanos ignorantes nos deram. </p>
<p>— Raziel, pare! — gritou Lara, se arrastando lentamente até eles.</p>
<p>— Pare de tentar se mexer princesa, só vai aumentar a dor que está sentindo. Mesmo com seu poder não vai anular esse veneno tão facilmente. Tive que colocar uma baita dose na comida para deitar aquele lobisomem, então me admira ainda estar consciente. </p>
<p>&#8220;Raziel não é o nome de um classe SS de Moonsong?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não importa agora&#8230; O que importa é o que ele sabe sobre a &lt;E&gt;&#8221;.</p>
<p>Arian tirou sua espada bastarda e questionou o vampiro.</p>
<p>— Alguma chance de acabarmos isso em paz? Não lembro de ter feito nada contra você.</p>
<p>O vampiro riu.</p>
<p>— Todos servimos a alguém, Arian&#8230; Alguns ao destino, outros a deuses, e eu a meu Rei. E infelizmente para você, tenho que cumprir a ordem que me foi dada. </p>
<p>O homem desapareceu, e quando finalmente Arian entendeu que ele tinha teleportado, a espada de Raziel já estava perfurando a beirada de seu pescoço.</p>
<p>Antes que a arma penetrasse fundo, uma energia azul cobriu o corpo de Arian e repeliu a lamina.</p>
<p>Ao notar isso, o atacante teleportou para longe, enquanto Arian caiu no chão, parecendo estar com dor. A energia azulada desapareceu e seu pescoço começou a sangrar.</p>
<p>Lara estava gritando de dor enquanto segurava seu bracelete. As inscrições no objeto brilhavam muito. Seja o que for, estava tentando quebrar o bloqueio que Lara fez.</p>
<p>&#8220;Que magia é essa? Nunca vi nada parecido&#8221;</p>
<p>&#8220;Não existe magia de teleportar tão rápida, aquilo é magia inrerita&#8221;</p>
<p>— Fascinante&#8230; Parece que seja lá o que isso for ativa sozinho quando algo representa perigo de morte para você. Mas não parece estar funcionando tão bem quanto em Amit. Lara, desista de bloquear isso e liberte seja lá o que dá essa energia azul para ele. Caso contrário ele vai morrer sem ter como reagir.</p>
<p>— Mas que droga, Raziel! — gritou Lara, parecendo desesperada.</p>
<p>— É meu último aviso, desfaça esse bloqueio. Não vai ter mérito algum matar alguém tão fraco.</p>
<p>Em seguida, o vampiro teleportou para frente de Arian, que rapidamente se jogou para o lado para desviar da espada. Assim que o fez, Raziel teleportou de novo, mirando novamente em sua garganta. Assim que a espada penetrou a energia azul novamente protegeu Arian, que se aproveitou para acertar um soco em Raziel. Quando o punho encostou no rosto dele a energia a volta do punho foi liberada e o homem foi jogado com tamanha força para trás que derrubou várias arvores com o corpo.</p>
<p>Em seguida, no entanto, a energia sumiu, de novo, e o pescoço de Arian começou a sangrar, enquanto seus olhos ficavam indo de azul a cor normal sem parar. Ele começou a sufocar com o sangue da garganta cortada, enquanto Lara tentava liberar o bloqueio ao espirito no corpo de Arian.</p>
<p>Raziel se levantou e estava voltando calmamente.</p>
<p>— Já dei tempo o bastante, Lara. Agora é para valer.</p>
<p>Raziel teleportou para as costas de Arian, que se virou rapidamente para bloquear com sua espada, mas não conseguiu aguentar a força do golpe e foi jogado para trás. A velocidade do homem era completamente insana, nunca tinha visto nada parecido. </p>
<p>Enquanto ele se levantava, Raziel teleportou para frente dele e mirou novamente seu pescoço. Arian se jogou para trás, mas só conseguiu evitar ter o pescoço cortado. Ao invés disso, a lamina acertou seus olhos.</p>
<p>Ele gritou de dor. A lamina atravessou de um lado a outro a linha onde ficavam seus olhos, agora cortados e sangrando. Ele não conseguia ver mais nada.</p>
<p>—  Você é uma decepção, garoto. </p>
<p>Raziel chutou Arian no peito e o guardião caiu para trás. O adversário então se preparou para o golpe final e desceu a espada novamente mirando o pescoço de Arian, que cego, estava sem reação.</p>
<p>— Raziel, não!</p>
<p>Ao tempo que Lara gritou, o brilho no bracelete dela sumiu. O bloqueio estava despeito. A Lamina da espada de Raziel parou antes de conseguir chegar aos pescoço de Arian. Ele abriu os olhos, agarrou a lamina da espada de Raziel com a mão, se levantou com um solto, e chutou a barriga do inimigo, que foi arremessado a uma velocidade absurda para trás, até bater em um enorme tronco de arvore e explodi-lo em pedaços com o corpo. A arvore de mais de 50 metros caiu com um forte estrondo que ecoou por toda a floresta.</p>
<p>Arian soltou a espada de Raziel e pegou a sua, que estava no chão perto dele. A energia cobriu os ferimentos e refez o tecido perdido, incluindo o dos olhos. Mas assim que ela desaparecesse, Arian nem queria imaginar a dor que iria sentir.</p>
<p>O dano era tanto que mal Lara tinha liberado a energia e ele já estava sentindo muita raiva, uma ódio que não era dele, mas de outra pessoa. Se não andasse rápido, iria perder o controle e acabar machucando os membros do grupo desmaiados, que ele torcia para que estivessem melhor do que pareciam. </p>
<p>&#8220;Ele usou o veneno em Lara também, então não deve ser nada letal. Melhor se preocupar com você mesmo agora&#8221;.</p>
<p>Raziel se levantou sem parecer que tinha sofrido dano, embora seu manto negro estivesse bastante rasgado.</p>
<p>&#8220;Como isso é possível? Ele devia ao menos ter quebrado vários ossos&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não importa, vou acabar com isso agora, antes que fique fora de controle e machuque os outros&#8221;.</p>
<p>Raziel teleportou para onde estava sua espada e depois ele e Arian avançaram um contra o outro. Cada vez que a lamina das espadas se encostava, a de Raziel era repelida com uma força tão grande que arremessava longe toda vegetação a volta deles. Se fosse um humano seu braço quebraria.</p>
<p>Quando ele chutava ou tentava um soco Arian bloqueava com o braço. Em força física o vampiro era muito superior, mas a energia azul compensava isso para Arian. E novamente a espada de Raziel foi repelida, com Arian aproveitando a guarda aberta para saltar contra ele e acertar um soco com toda força em seu rosto. Ele foi jogado contra o solo, arremessando terra para todo lado. Notando que perdera vantagem, Raziel teleportou alguns metros para trás, ofegante.</p>
<p>Ele claramente não estava usando tudo que podia, o que iria fazer a seguir. Ele correu para frente e teleportou, mas dessa vez Arian podia ver tudo a sua volta, graças a energia que o estava cercando. Assim que sentiu um leve deslocamento da energia a volta dele, Arian se virou mirando a espada ali e liberou toda a energia acumulada na lamina. Razel foi pego em cheio e jogado a uma distancia tão grande para dentro da floresta que Arian perdeu de vista. </p>
<p>— Acabou — disse o guardião, aparentando clara vantagem na luta.</p>
<p>— Arian, cuidado, ele não vai cair só com isso! —  disse Lara, já conseguindo ficar de joelhos, e respirando com dificuldade.</p>
<p>Ela tinha razão. Raziel estava voltando calmamente até ele, enquanto limpava a sujeira de terra em seu peito. A parte de cima da roupa não existia mais, revelando um enorme ferimento no peito feito pelo ataque do guardião.</p>
<p>— Foi isso que deu trabalho aos classe SS que enfrentou em Amira? Faz cocegas&#8230; </p>
<p>Depois dele dizer isso, fechou os olhos, como se estivesse se concentrando, e a ferida se regenerou quase que instantaneamente.</p>
<p>— Não sei como previu onde eu iria teleportar, mas vamos ver como se sai se eu aumentar a velocidade.</p>
<p>Raziel correu até ele e então começou a teleportar sucessivamente, mirando cada hora em uma parte do corpo diferente. Mesmo ele prevendo de onde ele iria vir, não tinha tempo de se mexer e bloquear, era rápido demais.</p>
<p>&#8220;Ele descobriu!&#8221;.</p>
<p>Arian sabia do ponto fraco daquele poder, mas era bem raro alguém descobrir. A energia azul se movia pelo seu corpo e acumulava nas áreas onde iria sofrer impacto para bloqueá-lo. Mas ela demorava um pouco a ir de uma área para outra, e com Raziel teleportando sem parar com sucessivos ataques rápidos, estava conseguindo acertar todo seu corpo antes que a energia pudesse mudar de área e bloquear o golpe.</p>
<p>Em pouco tempo, a parte do braço sem armadura já havia sido acertada tantas vezes que ele tinha a impressão de que iria cair, assim que não tivesse mais a energia azul para sustentar o membro no lugar.  Por um momento pensou ter vantagem, mas agora estava sendo completamente humilhado, o que só acelerava ainda a possessão do espirito no corpo dele.</p>
<p>Quando ameaçou perder o controle com um berro cheio de raiva que liberou a energia azul em seu corpo para todo lado, Raziel teleportou para longe de Arian.</p>
<p>— Todos esses anos e é só isso que consegue fazer? Depender dessa&#8230; coisa? Nem mesmo a habilidade inrerita que herdeu da sua mãe aprendeu a usar? Cada vez menos entendo porque ela te escolheu, mas você não merece.</p>
<p>— Que habilidade? E de quem está falando?!</p>
<p>— Sua ignorância me irrita cada vez mais. Todos esses anos de esforço dela e no que você gastou esse tempo, treinou para se tornar um guarda-costas de elfos? Seus pais chorariam sangue se estivessem vivos.</p>
<p>Arian estava respirando com dificuldade, e era cada vez mais difícil não ceder o controle para a entidade que queria dominar seu corpo.</p>
<p>— Vamos pelo menos sair daqui. Estou quase perdendo o controle, se a luta continuar vou acabar machucando todo mundo.</p>
<p>— Se é isso que o preocupa, vou garantir que você vai morrer antes de machucar alguém.</p>
<p>— Você está cansado. Por mais forte que seja, teleportar deve gastar sua energia.</p>
<p>— Gasta. Mas ainda tenho o bastante para terminar essa luta.</p>
<p>Raziel teleportou de novo, no que Arian tentou prever e desviar, mas voltou ao mesmo problema. Raziel teleportava de novo assim que aparecia, repetidamente, ao ponto de que Arian nunca sabia quando realmente o ataque iria vir e quanto era um blefe.</p>
<p>Era uma estratégia insana e devia estar consumindo muito da energia do vampiro. Arian só podia tentar se defender, bloquear e desviar.</p>
<p>&#8220;Droga, não! Não!&#8221;</p>
<p>Em desespero, e cada vez mais ferido, sua consciência se foi.</p>
<p>A energia azul a volta dele aumentou e então tudo foi liberado ao mesmo tempo. Raziel foi arremessado longe, Arian saltou em cima do corpo do vampiro, ainda em movimento, o agarrou pela cabeça e jogou na direção do seu grupo. </p>
<p>Arian mirou a espada naquele direção e se preparou para liberar a energia dela.</p>
<p>&#8220;Não! Para!&#8221;</p>
<p>Internamente, ele lutava para parar seu corpo, mas não tinha efeito algum, era como se outra pessoa estivesse no controle.</p>
<p>Pouco antes da energia ser liberada, Raziel teleportou para frente dele e acertou um soco no no braço de Arian, desviando a direção da espada e evitando que acertasse o grupo no chão. Em seguida acertou um soco que jogou Arian a mais de 30 metros, só parando quando acertou as costas em uma arvore. Embora não pudesse controlar seu corpo, ainda sentia toda dor.</p>
<p>— Então é assim que fica quando se deixa ser dominado por essa coisa? Esperava mais.</p>
<p>O impacto foi mais forte que qualquer coisa que já havia sentido, e não parou, Raziel começou a teleportar sucessivamente, acertando um soco em cima do outro. Arian tentava revidar, mas era inútil,  o vampiro era muito mais forte fisicamente que ele. E embora parecesse cansado, nem de perto estava em seu limite.</p>
<p>Outro soco jogou Arian contra uma arvore, e pela primeira vez, ele viu aquela sua forma descontrolada cair de joelhos, completamente atordoada e respirando de forma ofegante devido a sucessão de ataques. Nem seu estado sem controle era páreo para aquele vampiro puro. </p>
<p>— Finalmente se acalmou?</p>
<p>Não havia como parar ele naquela forma antes de sua energia espiritual acabar, então como esperado, Arian ficou de pé mais uma vez. Dando um berro e se preparando para avançar contra Raziel.</p>
<p>— Lutar com essa versão raivosa de você não tem muita graça — dizendo isso, Raziel colocou a mão para frente, e um circulo de magia se ativou abaixo de Arian.</p>
<p>Era uma armadilha, por isso Raziel estava o jogando de um lado para o outro com socos em vez de suar sua espada. Queria o colocar naquela posição, onde havia armado uma magia. Arian sentiu uma dor tremenda e se ajoelhou.</p>
<p>— Isso é uma magia anti-possessão. Deve doer um bocado, mas quero você de volta nesse corpo, e não ficar brincando com um espirito em fúria.</p>
<p>— Raziel, já chega! — gritou Lara, caminhando lentamente até eles.</p>
<p>— Ele não é digno, Lara! </p>
<p>— Não é você quem decide isso! </p>
<p>Arian tinha ganho o controle de seu corpo de volta, mas sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Um pouco da energia azul ainda cobria parte de seus ferimentos, mas não conseguia respirar direito devido ao corte na garganta, e seu corpo estava todo ferido. Lara tentou ir até ele, mas caiu no meio do caminho, ainda sobe o efeito do veneno.</p>
<p>Raziel, observando tudo com um ar de decepção, pegou sua espada no chão e teleportou para cima de Kadia.</p>
<p>&#8220;O que ele&#8230;?&#8221;</p>
<p>— Vamos a sua última chance, Marven.</p>
<p>Dizendo isso, o vampiro cravou sua espada no meio do peito da demônio.</p>
<p>Arian não gritou, não tinha mais forças para isso, ele só ficou lá sem reação por algum tempo, enquanto se sentia completamente impotente. Foi como ver a mãe de Sara, tudo estava acontecendo de novo.</p>
<p>Ele se levantou com dificuldade, ainda com um pouco da anergia azul tentando sustentar tudo que estava destruído em seu corpo, principalmente seus olhos. No momento, tudo que via era em um azul brilhante, e podia enxergar em 360º, o que só o deixava mais confuso.</p>
<p>Ele caminhou até Kadia lentamente, enquanto Nuvens negras cobriram os céus em uma velocidade anormal e o vento aumentava.</p>
<p>Antes que ele chegasse até ela, começou a chover, ao mesmo tempo que uma sucessão de relâmpagos ressou pelos céus. Pensando agora, quase todos os seus momentos mais tristes eram marcados pela chuva. Não acreditava em deuses, mas era como se houvesse um ser que controlava os céus caçoando dele.</p>
<p>Ele chegou até Kadia e se ajoelhou, encostando a mão em seu pescoço. Ela não respirava.</p>
<p>— Por que? — peguntou ele, baixinho, e com os olhos cheios de raiva, mas sem mais forças para lutar. </p>
<p>O vampiro retirou a espada do peito da demônio, de onde um pouco de sangue começou a sair.</p>
<p>— Era a única coisa que ainda não tinha testado — disse Raziel, olhando para ele com uma satisfação que Arian não entendia — Mas fico feliz de ter feito.</p>
<p>— Está feliz com meu sofrimento?</p>
<p>— Não, é por ver que tem mais de sua mãe em você do que&#8230; </p>
<p>Antes de completar a frase, Raziel foi arremessado a vários metros com um soco na cabeça. Era Lara, parecendo furiosa. Ela acumulou energia celestial no punho e acertou o vampiro em cheio.</p>
<p>Em seguida, o barulho dos trovões começou a aumentar de forma complemente anormal, até porque, o barulho não vinha do sol, mas de dentro da floresta.</p>
<p>— Temos que sair daqui! — disse Lara, olhando para Arian.</p>
<p>Arian só entendeu porque depois de olhar na mesma direção dela. Um portal acabara de aparecer e desaparecer a uns 30 metros deles.</p>
<p>— A tempestade de portais chegou aqui!</p>
<p>Arian pegou o corpo de Kadia nos braços e se esforçou para levantar e tentar sair dali, mas do nada, com um forte barulho, um portal surgiu ao lado deles. </p>
<p>— Lara! — gritou Raziel, em desespero, teleportando para onde ela estava.</p>
<p>Mas era tarde. Assim que o portal surgiu Arian, Lara e Kadia foram sugados para dentro, e em seguida o portal sumiu.</p>
<p>Raziel fez uma cara de pavor pela primeira vez em anos, contemplando a área onde a pouco estava a filha do seu melhor amigo, a qual  ele não fazia mais a menor ideia de onde fora parar, ou se ainda estava viva.</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2019/09/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-23-livre/">Capítulo 23 &#8211; Livre</a></p>
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<p><em>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</em></p>
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<p><em>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</em></p><p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-22-o-vampiro/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 22 &#8211; O Vampiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 21 &#8211; A tempestade de portais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2019 15:49:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-21-a-tempestade-de-portais/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 21 &#8211; A tempestade de portais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<p><strong>Capítulo 21 &#8211; A Tempestade de portais</strong></p>
<p>Kadia parecia confusa com o que estava vendo através de seu pássaro, e por não falar nada o grupo só ficava mais e mais apreensivo. Arian então a questionou.</p>
<p>— Kadia?</p>
<p>— São crianças. Tem várias crianças armadas junto dos mercenários. Estão se preparando para nos interceptar um pouco mais a frente, todos escondidos na mata a nossa esquerda.</p>
<p>Arian não parecia surpreso, na verdade, estava mais é distraído por &lt;E&gt;, que começou a apontar para frente sem parar. Geralmente quando ela fazia isso estava vendo algo que ele não podia. A visão dela parecia alcançar uma distancia muito maior que o normal.</p>
<p>— Kadia, dê uma olhada mais de perto na estrada a nossa frente para ver se encontra algo estranho.</p>
<p>— Está vendo algo?</p>
<p>— Não, mas conheço uma pessoa que está&#8230;</p>
<p>Kadia se concentrou por um tempo em seu pássaro, que rodou a área toda a volta deles.</p>
<p>— Os Isekai atrás de nós estão bem perto&#8230; Mas quanto a estrada a nossa frente, não tem nada que&#8230; — Kadia parou a frase no meio. — Temos que voltar!</p>
<p>— O que foi agora? — reclamou Dorian, irritado.</p>
<p>Do nada, aconteceu uma explosão vários metros a frente deles. Por um breve instante tiveram a impressão de ver um cenário completamente diferente dentro de um circulo da altura da carruagem, e então ele sumiu, levanto parte da vegetação próxima.</p>
<p>Marko parecia em dúvida quanto ao que viu.</p>
<p>— Isso foi um portal? </p>
<p>— É uma tempestade de portais, está se aproximando daqui muito rápido! Temos que voltar, agora! — gritou Kadia.</p>
<p>Ninguém questionou. O grupo virou os cavalos e partiu a toda velocidade.</p>
<p>— O que fazemos, Joanne? — perguntou Irene, olhando para a líder. — Temos a tempestade atrás de nós e vamos dar de cara com os Isekai em alguns instantes!</p>
<p>— Estou pensando&#8230; — Sem chegar a uma resposta, Joanne olhou Arian. — Você tem experiencia com esses Isekais. O que me diz, Arian?</p>
<p>&#8220;Coitada. Se soubesse o que aconteceu da última vez que enfrentamos eles, não estaria pedindo sua opinião&#8221;. </p>
<p>&#8220;Cala a boca, Aran. Eu aprendo com meus erros&#8221;.</p>
<p>&#8220;Veremos&#8230;&#8221;</p>
<p>Arian pensou um pouco e então se virou para Kadia.</p>
<p>— Quantos são?</p>
<p>— Sete. Quatro eu nunca vi e os outros são os que encontramos na estrada, o líder e seus dois discípulos. Só não entendo por que estão atrás de nós&#8230;</p>
<p>Arian parecia chocado com a falta de percepção de Kadia sobre seu próprio valor.</p>
<p>— Não é de nós, é de você! Uma demônio de alto nível com telepatia inrrerita? Isso vale uma fortuna para qualquer Rei, e para eles não é diferente.</p>
<p>— Eles que tentem me pegar.</p>
<p>Kadia pareceu ter esquecido das crianças entre os mercenários e agora só estava nervosa pensando no que os Isekai queriam fazer com ela. Ela tirou sua espada e olhou para frente, aguardando o momento que se encontrariam com os inimigos.</p>
<p>— Calma ai, Kadia. Não é tão simples. Se os mercenários e os Isekai nos pegarem ao mesmo tempo, vai ficar problemático. E se o grupo dos Isekai tiver um teleportado com pacto a um demônio de alto nível como você, pode causar estrago.  Fora isso, ainda temos essa tempestade de portais atrás de nós.</p>
<p>Outra explosão pode ser ouvida atrás deles, enquanto o Sol sumiu quase que por completo no horizonte.</p>
<p>— Que droga está havendo com esses portais? Já passei por aqui várias vezes e nunca vi uma tempestade chegando tão longo assim — reclamou Marko, olhando para trás.</p>
<p>— Acertaram o meio do grupo dos mercenários também. Estão todos dispersos e correndo para cá — avisou a Kadia, ainda observando os arredores com seu falcão.</p>
<p>— Nunca pensei que esse pássaro com nome feio seria tão útil. — disse Marko, recebendo rapidamente um olhar desgostoso da demônio. — Não se preocupe, não vamos deixar eles te pegarem, Kadia.</p>
<p>A demônio olhou para ele meio incrédula.</p>
<p>— Do que está falando? Nenhum demônio do meu nível ou mais forte não seria capturado por apenas 7 desses idiotas.</p>
<p>— Deve ser o que todo demônio pensa antes de ser capturado — debochou Dorian.</p>
<p>Lara também zombou do comentário.</p>
<p>— De onde veio essa confiança toda? Eu chutei sua bunda sozinha, caso não lembre.</p>
<p>Kadia aproximou seu cavalo da parte em que Lara estava na carruagem, e a encarou desafiante.</p>
<p>— A não ser que eu tenha visto as memórias errado, aquilo foi um treino, caso contrário eu teria partido você ao meio, Sacerdotiza.</p>
<p>Lara deu um sorriso e seus olhos ficaram levemente amarelados devido a energia celestial se acumulando em seu corpo. </p>
<p>— Sério? Ser perseguidas por mercenários, portais e encurralados por um culto maluco não é o bastante? Querem fazer isso agora, suas idiotas? — Irene estava gritando possessa da janela da carruagem. — Arian, ou você apaga o fogo delas logo ou eu mesmo vou te drogar e dar para elas comerem em breve, pode esperar. Não aguento mais elas se bicando todo maldito dia dessa viagem! </p>
<p>Arian não falou nada, só olhou para Irene meio assustado com o comentário, e incomodado com a risada incessante de Aran dentro de sua cabeça. Foi então que eles viram o grupo de Isekais se aproximando mais a frente na estrada e Joanne interviu.</p>
<p>— Parem os cavalos! Vocês duas, resolvam isso depois. E Arian, você conhece esses malucos, dê seu jeito, dê preferencia evitando um conflito, não quero problemas com esse culto maluco. E seja rápido, não temos muito tempo antes que a tempestade nos alcance. O resto do grupo fique atento para o ataque dos mercenários pelas nossas costas, crianças ou não eles ainda podem nos matar.</p>
<p>— Finalmente! — gritou Irene,  aliviada pela sua líder finalmente estar se comportando como tal.</p>
<p>Eles pararam e ficaram aguardando os Isekai, que também reduziram o ritmo, se aproximando lentamente deles a cavalo.</p>
<p>— Arian, se tem um plano, diga logo! — insistiu Joanne.</p>
<p>&#8220;Quer trocar?&#8221;</p>
<p>&#8220;Não, já disse que vou parar de depender de você&#8221;.</p>
<p>— Preciso do Dorian e da Lara — disse o guardião, pensativo, enquanto descia do cavalo.</p>
<p>— Mas nem pensar — disse o mago. — Eu cuido da nossa retaguarda, e só. Não vou ajudar em nada que te envolva.</p>
<p>— Só precisa fingir preparar uma magia, nada demais. Preciso de duas pessoas que possam fazer algo chamativo.</p>
<p>— Chamativo? É comigo mesma.</p>
<p>Lara desceu da carruagem e foi até Arian, aguardando mais instruções.</p>
<p>— Isso é estúpido, por que colocar na linha de frente quem deveríamos proteger? </p>
<p>— Deixa ela, Irene. Não é como se realmente pudêssemos a proteger melhor do que ela mesma&#8230;</p>
<p>Joanne não parecia feliz com sua própria constatação. E Dorian continuava pouco cooperativo.</p>
<p>— Não vou fazer nada com você, elfo-maniaco, e menos ainda receber ordens. Fui pago para proteger o grupo, não ajudar você.</p>
<p>— É a mesma coisa! Qual seu problema comigo, afinal?</p>
<p>— Todos!</p>
<p>— Alguém já notou que eles estão quase aqui? — comentou Marko, observando a aproximação dos inimigos montados a cavalo.</p>
<p>— Deixa ele, eu vou! — disse Kadia.</p>
<p>&#8220;Péssima ideia&#8230;&#8221;</p>
<p>— Nem pensar, você está envolvida demais, vai fazer alguma besteira.</p>
<p>— Eu vou, Arian, quer você queira ou não. </p>
<p>— Certo. Kadia, você sabe que vamos ter que matar o herói e o demônio ligado a ele vai morrer de uma forma ou de outra, não é?</p>
<p>— Como disse, é melhor do que viver escravizado.</p>
<p>Foi então que Arian então olhou para Kadia e teve uma ideia.</p>
<p>&#8220;Péssima ideia, se der errado ou eles não se surpreenderem, vai acabar cercado&#8221;.</p>
<p>&#8220;É a única forma de acabar com isso rápido o bastante para a tempestade de portais não chegar aqui. E quer dê certo ou errado eles vão acabar surpresos&#8230;&#8221;</p>
<p>— Kadia, o que precisa para fazer um pacto temporário?</p>
<p>— Você precisa misturar seu sangue ao meu e eu desejar o pacto&#8230; Por que?</p>
<p>— Tive uma ideia para acabar com isso rápido. Não quero que a luta dure o bastante para descobrir qual a habilidade do demônio que fez um pacto com o herói deles, ou os portais chegarem até nós.</p>
<p>Arian se aproximou da demônio.</p>
<p>— O pacto não funciona com você, eu já vi as memórias da tentativa que fiz em Amira. Você entrou naquele estado estranho e rejeitou a maldição do pacto. </p>
<p>— Confia em mim, não tenho tempo para explicar&#8230; Com licença.</p>
<p>Dizendo isso, ele pegou na mão dela e usou a lamina da sua espada bastarda para cortar de leve o cantinho da mão de Kadia.</p>
<p>— Ai!</p>
<p>— Até a noite já vai estar curado.</p>
<p>Arian juntou um pouco do sangue escorrendo em sua mão esquerda, que estava tentando deixar em formato de concha.</p>
<p>— Você está bem abusado hoje. Tem certeza que não é sua outra personalidade que está ai? — questionou a demônio.</p>
<p>— Se fosse ela falaria alguma besteira sarcástica para você. Na verdade, ele acabou de falar uma na minha cabeça&#8230; Agora, quando eu avisar, deseje o pacto. Vou morder minha linguá e lamber seu sangue. </p>
<p>— Só pra mim que isso soou como um fetiche estranho? — disse Marko.</p>
<p>Dorian riu, mas o resto do grupo parecia tenso demais para isso.</p>
<p>— Fiquem atrás de mim e quando eu der o sinal preparem alguma magia bem espalhafatosa, Kadia e Lara. Não é para jogar, o objetivo é só chamar atenção. Fiquem cada uma de um lado. O resto de vocês fique do outro lado da carruagem aguardando os mercenários e só intervenham se as coisas derem errado. </p>
<p>Em seguida, o grupo dos Isekai chegou neles e parou. Quase todos desceram dos cavalos e se aproximaram, até ficarem a poucos metros. O homem de barba negra que estava atrás do líder do grupo, mais a frente, tirou seu capuz e olhou para Arian.</p>
<p>— Ola de novo, pecador.</p>
<p>— Pecador? Eu não era o escolhido pouco tempo atrás?</p>
<p>— Só queremos a demônio com telepatia, entregue ela e o deixamos ir.</p>
<p>Arian respondeu com sarcasmo.</p>
<p>— Olha, eu acho que ela não quer ir com vocês.</p>
<p>Kadia não falou nada, só olhou com desprezo para o homem.</p>
<p>— Não cabe a ela decidir. O mundo está em perigo, e a força dela se faz necessária a nós. Na verdade, a espécime é tão boa que talvez valha a pena eu mesmo usa-la. — disse ele, avaliando Kadia de cima a baixo com seus olhos — Hiuga, mate todos, menos o de capuz verde e a demônio. Se eles tiverem mesmo um pacto permanente vamos ter que manter ele vivo e trancado, enquanto a obrigamos a fazer um pacto com outra pessoa também.</p>
<p>Kadia ameaçou avançar, mas Arian colocou o braço na frente dela.</p>
<p>— Calma, Kadia.</p>
<p>O líder encapuzado mais a frente do grupo se aproximou de Arian até ficarem a poucos metros. Era uma garota. Cabelo preto curto e olhos com um verde brilhante, provavelmente devido a ligação com o demônio. Todos os outros estavam com capuzes encobrindo boa parte do rosto. </p>
<p>— Tem certeza que ela é perigosa, Kazek? Esse sujeito parece estar a defendendo por vontade própria.</p>
<p>O homem de barba respondeu calmamente a líder.</p>
<p>— Ela está dominando a mente daquele humano e tentando te enganar, Hiuga, confie em mim. Já menti para você antes? </p>
<p>— O tempo inteiro. Começando quando a obrigou a violentar esse demônio para fazer um pacto, dizendo que seria a salvação dele. — disse Kadia, olhando a mente do homem.</p>
<p>A garota se assustou por um momento, no que o homem de barba rapidamente interveio.</p>
<p>— Que vergonha, Hiuga, sendo manipulada por uma demônio que recém encontrou. Esperava mais de você.</p>
<p>— Tem razão, desculpe&#8230; Não vai acontecer de novo. Pessoal, se preparem.</p>
<p>Todos do grupo da heroína entraram em posição ofensiva. </p>
<p>Arian fez um sinal com a espada e Kadia e Lara começaram a puxar energia das dimensões a que tinham mais afinidade.</p>
<p>Kadia estava fazendo o chão tremer de leve com a energia da dimensão negra que estava puxando, e pequenos raios surgiam vez ou outra ao seu redor. Mas como esperado, Lara era a mais assustadora. Com uma mão para a frente e outra para trás acumulando energia, seus olhos brilhavam em um forte dourado e estava fazendo um vendaval impressionante com a quantidade de energia celestial que estava puxando.</p>
<p>Ao ver isso, o grupo parou, e a líder falou, sem parecer preocupada.</p>
<p>— Acha que vai nos assustar com isso? Já matamos um classe SS antes, vocês não são nada em comparação.</p>
<p>Arian pareceu surpreso com a declaração. Se fosse verdade, poderiam ser mais problemáticos do que o esperado. </p>
<p>&#8220;Isso vai acabar mal&#8230;&#8221;</p>
<p>— Hiuga, não é? A líder do meu grupo não quer problemas. Então se recuarem agora tudo acaba bem para nos dois. Não tenho nada contra você, apesar da minha amiga não ter gostado do fato de ter forçado um pacto naquele demônio.</p>
<p>Arian apontou para o sujeito que não podia ver com clareza por causa do capuz, mas parecia ter escamas no corpo, embora ainda lembrasse um ser humano. Em seu pescoço havia algo que lembrava uma coleira, e ele tinha uma expressão apática na parte do rosto que podia ser vista, como a de um escravo acoitado e judicado por tanto tempo que perdera a vontade própria.</p>
<p>— É um demônio, não tem direito a escolha. E ele está bem melhor agora que tem um pacto comigo.</p>
<p>— Você o violenta toda noite! Como ele pode estar melhor?! — disse Kadia.</p>
<p>Hiuga se assustou por um momento.</p>
<p>— Ele&#8230; Ele é um homem, ele gosta, estou fazendo um favor em agrada-lo. Ele até chora de felicidade, toda vez.</p>
<p>— É de tristeza, sua imbecil. Imagine ser violentada toda noite e ter que fingir que está tudo bem para não ser castigada! Ele tinha mulher e filha, ambas mortas por seu lider, enquanto tentavam captura-lo! — Kadia apontou para o homem de barba negra atrás do grupo, e continuou. — Toda vez que você o obriga a dormir com você ele deseja morrer, mas não pode se matar por causa daquele colar de escravidão que colocaram nele! </p>
<p>A mulher olhou para o escravo atrás delas, começando a ficar em dúvida.</p>
<p>— Pare de escutar essa serviçal do senhor das trevas e acabe logo com isso, Hiuga.</p>
<p>Obedecendo, a heroína entrou em posição ofensiva.</p>
<p>— Último aviso, se rendam, ou eu, Hiuga Drass, 209ª heroína dos Isekai, vou leva-los a força.</p>
<p>Arian respirou fundo e entrou em posição ofensiva, enquanto sua roupa clareava e o simbolo de Distany aparecia na armadura e capa.</p>
<p>— Meu nome é Arian, sou o 7º guardião de Distany.</p>
<p>O homem de barba negra mais atrás pareceu surpreso. </p>
<p>— Distany? Está mentindo, por que um guardião teria um pacto com um demônio?</p>
<p>Arian ignorou a pergunta.</p>
<p>— Só vou avisar uma vez, recuem ou vamos matar todos vocês. Não vai sequer haver luta, assim que eu me mexer daqui todos vocês estarão mortos.</p>
<p>Alguns membros do grupo recuaram um pouco, mas a heroína apenas riu.</p>
<p>— Mesmo que fosse um classe S não conseguiria fazer&#8230; Espera&#8230; Arian, não é? Já ouvi falar de você, o guardião que trapaceou para conseguir status de SS no Sul, mesmo não passando de um classe A&#8230; Acha que blefando assim vai conseguir me assustar? Já enfrentei coisas bem piores do que esse seu grupo. Pode chamar seus amigos do outro lado da carruagem também, só vocês vai ser muito fácil.</p>
<p>Na tentativa de fazer ainda mais pressão sobre eles, o homem de barba preta completou.</p>
<p>— Hiuga tem razão. Desista logo, garoto. Mesmo que use algum de seus truques para conseguir fugir, sabe que se machucar qualquer um desse grupo vai ser perseguido pelos Isekai pelo resto da vida, não é? Quer mesmo isso?</p>
<p>— Acho que não me escutou. Não vai sobrar nenhum de vocês para contar o que aconteceu aqui. </p>
<p>Todo grupo inimigo se irritou com a ameaça, e dois começaram a preparar algum tipo de magia. </p>
<p>Arian mordeu sua linguá e lambeu o sangue em sua mão. Ele então se posicionou como se estivesse pegando impulso para correr.</p>
<p>&#8220;Boa sorte com seu plano maluco. Mas não esqueça que Lara está bloqueando a energia azul, então não conte com aquilo para salvar sua bunda&#8221;.</p>
<p>— Ataquem! — gritou a heroína dos Isekai, tirando sua espada da cintura, enquanto seus olhos brilharam em um verde muito forte.</p>
<p>— Kadia!</p>
<p>Assim que ele gritou Kadia ativou o pacto, e o corpo de Arian reagiu na mesma hora. Seus olhos brilharam mudando de cinza claro para um forte vermelho, e no mesmo instante ele deu um impulso para a frente. Tudo depois disso foi tão rápido que a maioria ali não conseguiu acompanhar.</p>
<p>A heroína não teve tempo de reagir. No momento seguinte ao salto de Arian a cabeça dela estava rolando no chão, assim como a do líder dos sacerdotes, que estava mais atrás. Arian matou um em sequencia do outro com o impulso. A velocidade foi tão insana que foi quase como se ele tivesse teleportado, não fosse o barulho do choque da espada contra os corpos dos inimigos. Como esperado, o demônio com quem a garota tinha um pacto caiu no chão sem vida, logo depois da morte dela.</p>
<p>Os olhos de Arian haviam voltado a cor normal, mas ele não parou. Se aproveitando da surpresa dos sobreviventes do grupo, ele saltou em cima de um dos sacerdotes montados a cavalo e cravou a espada em seu peito. Em seguida desviou da espada do que estava ao lado, o derrubou com um chute, e caiu sobre ele esmagando a cabeça.</p>
<p>Os dois acompanhantes da heroína então se viraram, subiram em seus cavalos e tocaram em fuga. Eles não foram longe, no entanto. Ambos caíram no meio da estrada quando Arian arremessou as duas espadas das costas em cada um.</p>
<p>— Quando disse que resolveria rápido, não estava brincando — disse Irene, saindo de trás da carruagem e vendo o estrago que o guardião fez.</p>
<p>— Kadia, e os mercenários? — perguntou Joanne.</p>
<p>— Estão longe ainda. Se reorganizando.</p>
<p>Lara parecia decepcionada olhando para os corpos no chão.</p>
<p>— Para que precisava de nós mesmo?</p>
<p>— Distração. Boa parte do grupo estava concentrada em vocês.</p>
<p>Arian então foi até cada um deles e cortou suas cabeças.</p>
<p>— Precisa fazer isso? — Kadia parecia enojada.</p>
<p>— Só para garantir, pouca coisa volta dos mortos sem cabeça, ou se regenera. Já quase morri várias vezes por não fazer isso no passado.</p>
<p>Arian então contemplou o estrago de corpos espalhados pelo chão, parecendo triste pelo demônio. Kadia ter contado parte da história dele não ajudava nem um pouco a tentar ser frio quanto a situação.</p>
<p>— Precisava matar todos? —  questionou Jon.</p>
<p>— Eu avisei Jon, se um apenas escapar e contar ao culto quem os matou, não descansariam até ter nossas cabeças. Serem derrotados por qualquer pessoa que o seja tira moral do culto.</p>
<p>— Eles iam se render depois de ter matado os lideres, podia ter tentado negociar de novo. Você não dá valor algum a vida das pessoas? Eles podiam ter família.</p>
<p>— Todos são filhos de alguém, Jon, mesmo que não lembrem&#8230; —  Arian vislumbrou os corpos no chão — Todos morrem um dia, só cabe a nós tentar decidir quando. Eles nos atacaram, não o contrário, então deviam estar prontos para as consequências. Mas se está insatisfeito, da próxima vez você negocia. E quando seu método matar alguém do nosso lado, não venha reclamar comigo. </p>
<p>— Pode valer o risco!</p>
<p>— Certo, parem vocês dois. Não quero outra cena como a da cabana. — disse Joanne.</p>
<p>— Isso não foi fácil demais? — Irene ainda parecia meio incrédula.</p>
<p>— Uma luta prolongada contra eles seria muito difícil se o demônio fosse forte. O herói se regeneraria sem parar, teria super força, e os companheiros dele dariam suporte. Mas se eu mato o herói sem ele ter tempo de reagir o demônio também morre, e o grupo fica desorientado. Os covardes pagos para servir e bajular a heroína também fogem ao primeiro sinal de perigo real. Só lamento não ter pensado nisso outras vezes&#8230;</p>
<p>Irene parecia curiosa com outro aspecto da coisa toda, e então perguntou.</p>
<p>— Como ficou tão rápido? Mal consegui ver você se movendo. E não tinha aquela energia azul ou coisa parecida.</p>
<p>— Quando meu corpo reage a uma maldição ganho regeneração quase instantânea, meus sentidos ficam muito mais apurados, e minha força e velocidade maiores até mesmo que as da Kadia com todo seu poder liberado. Uma pena que a janela de tempo que ganho isso é tão curta que dá para fazer bem pouca coisa, só consegui arrancar a cabeça do herói de surpresa e matar o barbudo antes de acabar o tempo.</p>
<p>Em seguida eles juntaram todos os corpos em uma área dentro da mata e Lara usou magia para os queimar. Claro, não antes de Dorian e Marko verificarem todos os corpos a busca de dinheiro ou algo de valor.</p>
<p>— Não tem vergonha? — falou Kadia.</p>
<p>— Estão mortos, não vão se importar — falou Marko.</p>
<p>Arian então jogou uma espada para Kadia.</p>
<p>— É da heroína deles, parece melhor que essa que você está usando,</p>
<p>— Realmente. Embora seja meio pequena, prefiro armas grandes.</p>
<p>Kadia girou a espada algumas vezes, tirou sua atual das costas, e colocou a nova no lugar. </p>
<p>— A que Arx lhe deu já era melhor que essa porcaria que estava usando&#8230; Por que não ficou com ela? </p>
<p>— Ficaria com algo que alguém que odeia lhe deu?</p>
<p>Arian não entendeu a linha de pensamento dela.</p>
<p>— É um objeto útil, eu não gostar do dono anterior é irrelevante. </p>
<p>— Pertence a ele, então é como se carregasse um pedaço dele comigo.</p>
<p>— Está indo muito longe por um pedaço de metal sem vida&#8230;</p>
<p>Irene, vendo que aquilo não iria dar em lugar algum, tentou interromper a discussão.</p>
<p>— O que os mercenários estão fazendo, Kadia? </p>
<p>— Parecem estar discutindo o que fazer.</p>
<p>— Não precisa espionar eles para saber disso. Vão nos atacar enquanto estivermos dormindo essa noite, pode apostar —  disse Arian, distraido com &lt;E&gt; copiando o manto amarelado dos Isekai e correndo em volta dele, em uma clara tentativa de clamar sua atenção.</p>
<p>— É o terceiro grupo desde que saímos de Amit, está ficando cansativo — reclamou Lara.</p>
<p>— A tempestade de portais parece ter acalmado e retrocedeu também — Kadia tinha voltado a vistoriar a área com seu falcão.</p>
<p>— Se me permitem opinar. Por precaução, acho melhor voltarmos mais na estrada.</p>
<p>Seguindo a orientação do guia, eles voltaram um pouco mais e armaram acampamento em uma clareira. Quase nenhuma diligencia ou pessoa estava passando por ali, o que dava a entender que a maioria já estava informado da tempestade de portais e pegando outras rotas. Aquela área era comum por ter problemas com portais, então não havia vilarejos muito próximos.</p>
<p>Durante a noite, todos fingiram dormir enquanto Kadia e Arian ficavam de vigia. Não deu muito tempo e Kadia falou baixinho.</p>
<p>— Chegaram&#8230; Se preparem.</p>
<p>Marko não parecia disposto a ser tão discreto, no entanto.</p>
<p>— Venham logo, idiotas! Eu quero dormir! </p>
<p>Ironicamente, funcionou. Um grupo de mercenários saiu da floresta e correu até eles, parecendo bastante confusos em como foram descobertos. Haviam pelo menos 30 deles, e uns 10 não deviam ter mais de 12 anos, alguns aparentando até menos.</p>
<p>— Por que crianças?! — Kadia parecia inconformada.</p>
<p>— Tente não pensar nisso e mate eles da mesma forma — disse Arian, avançando contra o grupo.</p>
<p>— Não se espalhem. Arian, Kadia, Dorian, Zek e Marko façam um circulo a volta da carruagem, se seguirem o padrão dos anteriores o objetivo deles é matarem os cavalos para nos atrasar. Jon, se abaixa ai. E Lara, proteja o guia.</p>
<p>Lara olhou de mau humor para o guia do lado dela.</p>
<p>— Acredite Joanne, o que esse idiota menos precisa é proteção.</p>
<p>O homem riu.</p>
<p>— Que seja, só fique na carroça por precaução. Se precisarem de você eles chamam.</p>
<p>A luta foi patética. Como de costume, os mercenários eram fracos e a maioria foi morta rapidamente. O problema eram os muito novos. Eles mal sabiam lutar, mas deixavam todos ali meio desconfortáveis.</p>
<p>— Kadia, o que está fazendo, mata ele! —  gritou Arian, observando ela tentando desviar dos garotos que queriam acerta-la com suas facas. Eram quatro, e um deles não devia ter nem 10 anos.</p>
<p>— É só uma criança, droga! Tem que ter outra forma!</p>
<p>— Isso não vai fazer diferença quando ele te matar! Essa faca está envenenada!</p>
<p>Kadia bloqueou e arma de um dos garotos e o jogou para trás. Ele rolou vários metros e levantou chorando, parecendo estar com o braço quebrado. Kadia parecia estar se sentindo culpada por isso e o resultado foi o esperado. Se aproveitando da distração dela, um dos garotos conseguiu arranhar seu braço com uma faca, e o outro passou por ela e se jogou em cima do cavalo de Arian, preso a carruagem.</p>
<p>Ele perfurou bem no coração, retirou a faca e já estava mirando em outro cavalo, quando Lara o impediu jogando sua espada e atravessando a cabeça dele de um lado a outro. </p>
<p>— Eu avisei, droga!</p>
<p>Arian estava furioso. O guardião finalizou o adulto contra o qual estava lutando e correu até Kadia. Ele chutou um dos garoto, que caiu no chão de costas, e em seguida cravou sua espada no pescoço dele. Um dos garotos ainda vivos se desesperou com isso.</p>
<p>— Lun, não&#8230; Seu desgraçado! — disse ele, avançando contra Arian.</p>
<p>Arian desviou da faca, agarrou a cabeça dele e a bateu no chão com tanta força que deu para escutar o cranio rachando. O terceiro, que já estava com braço quebrado, se virou e correu, mas caiu com uma das espadas de Arian cravadas em suas costas.</p>
<p>Ele então se virou e foi até o cavalo ferido. Ele estava agonizando. Arian sabia que com o coração perfurado era impossível cura-lo. Ele então fez uma cara triste e cravou sua espada na cabeça do animal.</p>
<p>— Aran? — questionou Lara, que ainda estava na carroça, só observando tudo.</p>
<p>— Quem dera&#8230; Eu queria trocar mas ele não aceitou.</p>
<p>— E eu pensando que ele era a personalidade fria e calculista.</p>
<p>— Ele odeia crianças, e ainda está furioso por ter dado a ele um serviço que envolveu uma em Amit. E Lara, cure a Kadia antes que o veneno se espalhe e faça estrago.</p>
<p>— Não precisa, só estou um pouco tonta, mas minha regeneração dá conta de neutralizar.</p>
<p>Kadia estava olhando para os pequenos corpos no chão horrorizada com tudo aquilo. Enquanto isso, Arian continuava a contemplar o corpo de seu cavalo. Tinha ele a poucas semanas, mas já o considerava seu amigo. </p>
<p>— Desculpe&#8230; — disse Kadia, tendo noção de que fora sua culpa. — Mas não podia ter apenas nocauteado eles? </p>
<p>— Eles voltariam amanhã e tentariam de novo. Pare de ver eles como crianças e passe a ver como ameaças&#8230; E falando em ameaçadas.</p>
<p>Arian foi ver como estavam Dorian e Marko, e a situação era parecida com a de Kadia. Ambos estavam com problemas com as crianças. Os garotos eles até mataram ou nocautearam, mas as garotinhas eles não conseguiram.</p>
<p>— Estamos bem, não se mexa dai, Arian — falou Marko, empurrando uma garota de uns 8 anos para longe dele sempre que se aproximava.</p>
<p>— Garotas, parem com isso, eu vou acabar machucando vocês de verdade — disse Dorian, desviando do ataque de duas garotas.</p>
<p>Arian respirou fundo, sabendo bem o que teria que fazer.</p>
<p>&#8220;Marko vai ficar um tempo sem falar com você&#8230;&#8221;</p>
<p>— Eu sei&#8230; — falou ele em voz alta, antes de avançar contra a garota irritada atacando Dorian com uma faca. Ele parecia ter batido nela algumas vezes, mas ela voltava e avançava novamente contra ele sempre que caia com um soco ou chute do mago.</p>
<p>— Arian, não! — gritou Marko, sabendo o que ele iria fazer.</p>
<p>Arian tirou as duas espadas médias das costas e arremessou contra os dois alvos. As armas cravaram perfeitamente no peito de cada uma. </p>
<p>— São crianças, droga! Qual o seu problema?! — gritou seu amigo.</p>
<p>— São inimigos, Marko! Eu entendo seu problema melhor do que ninguém aqui, mas não envolva suas questões pessoais nisso! E se tem uma solução melhor é só dizer.</p>
<p>Pressionado, Marko então acertou um soco na cabeça da garota que avançou contra ele.</p>
<p>— Pronto, já a nocauteei, não precisa mata-la.</p>
<p>— Ela vai acordar e nos matar enquanto dormimos! Ou então voltar para o que resta do grupo e nos atacar de novo em alguns dias. Se não tem coragem para fazer, eu faço.</p>
<p>— Vai ter que passar por cima de mim!</p>
<p>Marko se colocou na frente na garota com um olhar ameaçador. Ele e Arian ficaram se encarando por algum tempo, até que Kadia interviu.</p>
<p>— Esperam. Eu acho que tenho uma solução que vai agradar os dois.</p>
<p>Kadia se aproximou da garota e seus olhos ficaram dourados.</p>
<p>— Kadia, não! — gritou Marko, em desespero.</p>
<p>— Calma, não vou mata-la.</p>
<p>A demônio segurou a garota contra o chão e colocou a mão em sua testa. A menina acordou e começou a gritar desesperadamente, até que parou. Kadia se levantou e olhou para a criança, agora parecendo bastante confusa.</p>
<p>Ela então levantou, virou de costas, e saiu andando pela estrada. Arian ameaçou ir atrás dela, mas Kadia o parou.</p>
<p>— Não precisa.</p>
<p>— O que você fez?</p>
<p>— Apaguei a memória dela desde que se juntou com os irmãos ao grupo de mercenários. O pai e a mãe já morreram, então a mandei voltar a vila mais próxima e pedir abrigo em uma igreja dos celestiais. Ela não vai lembrar da gente também.</p>
<p>Arian pareceu chocado, a ponto de soltar sua espada e cair de joelhos, olhando os corpos a sua volta.</p>
<p>— Espera&#8230; Está dizendo que eu matei todos eles&#8230; por nada?</p>
<p>— Eu avisei, seu imbecil sem coração.</p>
<p>Marko não teve pena alguma, só encarou o amigo, cheio de ódio nos olhos. Jon, dentro da carruagem, estava com um olhar similar.</p>
<p>— Não, Arian, acho que entendeu errado. Manipular a mente gasta muita energia&#8230; Uma é o meu limite. Não poderia ter feito nada pelos outros.</p>
<p>Ao olhar para ela, deu para notar que era verdade. Pelo rosto vermelho e estar suando bastante, a demônio tinha claramente ficado sem energia e entrado em seu pagamento.</p>
<p>— Certo, isso é o bastante por hoje. Recolham os corpos e empilhem para Lara purificar, depois queimem e vamos dormir. Zek, posso pedir para cuidar dos corpos das crianças? Acho que os outros já sofreram o bastante tendo que mata-las.</p>
<p>Zek fez um sim com a cabeça, e então Marko, Dorian, Arian e ela fizeram o serviço. Já Kadia não parecia bem o bastante para tal. Elas estava encostada na carruagem, extremamente ofegante e com um olhar estranho.</p>
<p>— Kadia, você está legal mesmo, não quer que a gente te cure? — perguntou Irene.</p>
<p>— Estou ótima. Na verdade, nunca me senti melhor.</p>
<p>Ela então começou a caminhar lentamente, até chegar em Arian, agora encostado em uma arvore falando algo com sua fantasma. Meio tonta, ela parou na frente dele,  segurou seus ombros, e falou:</p>
<p>— Arian, faça aquilo de novo&#8230;</p>
<p>Ele olhou para ela confuso.</p>
<p>— Como é?</p>
<p>— Me chame de sua rainha.</p>
<p>— Você claramente não está legal, Kadia&#8230; </p>
<p>Lara parecia incomodada, e começou a caminhar até eles.</p>
<p>— Qual o problema dessa louca? </p>
<p>— Anda logo! Não é nada demais, só diz! — gritou ela.</p>
<p>&#8220;Fala logo. Estou ficando curioso onde isso vai dar&#8230;&#8221;</p>
<p>Arian, sem saber o que fazer, realizou o pedido.</p>
<p>— Kadia, minha&#8230; rainha&#8230;?</p>
<p>— Mais sentimento!</p>
<p>— Minha rainha! — gritou ele.</p>
<p>O rosto de Kadia ficou muito corado, mas ela parecia feliz. Ou tendo um orgasmo, Arian não tinha certeza e nem queria ter.</p>
<p>— De novo!</p>
<p>— Certo, ou vocês seguram ela, ou não me responsabilizo pelo que vou fazer— disse Lara, acumulando energia em suas mãos enquanto se aproximava dos dois.</p>
<p>— Anda, Arian! Não tem nada demais. Só diz! — gritou Kadia.</p>
<p>Ele então repetiu.</p>
<p>— Minha rainha!</p>
<p>Ao ouvir isso uma segunda vez, Kadia puxou Arian para junto dela e juntou seus lábios aos dele com tanta foça que a boca de Arian chegou a sangrar. Arian ficou sem reação, não só pela surpresa, mas devido aos braços de Kadia a volta dele. Estavam o apertando com tanta força que parecia que seus ossos iriam quebrar.</p>
<p>Em seguida, não entendendo bem o motivo, começou a gostar e corresponder ao beijo, como se estivesse hipnotizado. Ambos já estava com suas linguás se entrelaçando, quando foram arremessados a vários metros de distancia e saíram rolando.</p>
<p>Lara havia lançado energia celestial em cima deles.</p>
<p>— Mas o que deu em você, mulher?! Usar magia para fazer ele te beijar foi muito baixo! — gritou a sacerdotisa, furiosa.</p>
<p>— Estraga prazeres! Finalmente tive coragem para fazer isso e você estragou tudo! — A demônio estava tentando se levantar com dificuldades. Parecia muito tonta.</p>
<p>— Eu acho que ela está bêbada&#8230; — disse Marko.</p>
<p>— Mas ela não bebeu nada! —  argumentou Irene.</p>
<p>— É o pagamento, pelo jeito veio tão forte que acabou com toda a inibição e deixou só o desejo — disse Joanne. — Ou então é o pagamento misturado com o veneno da faca que ainda está no corpo dela, não tenho certeza&#8230;</p>
<p>Kadia finalmente conseguiu se levantar, meio tonta. Ela foi andando até Arian, que estava sentado na grama parecendo meio confuso. A demônio o encarou, como se fosse dizer alguma coisa. Arian pensou que fosse se desculpar por usar magia nele. Mas em vez disso, o empurrou contra o chão e caiu por cima dele o beijando de novo, para o horror de Lara, que correu até eles e arremessou ambos com magia novamente.</p>
<p>O guia só observava tudo.</p>
<p>— Tenho que admitir que arranjou um grupo simpático, Lara. Eles são sempre assim? — questionou o homem, olhando para Jon.</p>
<p>— Kadia está um pouco mais louca que o normal. Mas é por ai mesmo&#8230; A parte mais interessante é que mesmo perdendo parte das memórias ela acabou interessada no Arian, de novo. </p>
<p>O guia então se atentou ao fato de Arian parecer estar discutindo algo com algo invisível, enquanto Kadia e Lara brigavam.</p>
<p>— Com quem ele está falando?</p>
<p>— Ah, é a fantasma que fica seguindo ele. Parece estar furiosa com o beijo.</p>
<p>— Fantasma? Você consegue vê-la? Isso é bem raro.</p>
<p>Jon pegou em uma mecha branca no meio do seu cabelo preto, e falou com uma voz cansada.</p>
<p>— Infelizmente, não foi algo que consegui de graça.</p>
<p>— Entendo&#8230; Pode descreve-la para mim.</p>
<p>— Parece ter perto de uns 10 anos, cabelos brancos bem longos e&#8230;</p>
<p>O guia o interrompeu nessa parte.</p>
<p>— Olhos vermelhos hipnotizantes&#8230; — Completou ele com um sorriso no rosto, como se estivesse lembrando de algo.</p>
<p>Jon se assustou com a precisão da descrição.</p>
<p>— Como sabe?</p>
<p>— Só um palpite de sorte&#8230; Pessoas novas com cabeço branco são raras, a maioria vampiros, e dai os olhos característicos.</p>
<p>Enquanto Jon voltava a se distrair com a briga de Lara e Kadia, o rosto do homem a seu lado mudou para uma expressão séria, enquanto ele murmurava baixinho para si mesmo.</p>
<p>— É mesmo ele&#8230;</p>
<p>O homem então olhou mais atentamente para a figura de manto verde tentando parar a briga entre Lara e Kadia.</p>
<p>— Chegou a hora, Marven&#8230; </p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-22-o-vampiro/">Capítulo 22 &#8211; O Vampiro</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</em></p>
<p><strong>Comentários do autor:</strong></p>
<p>Esse capítulo foi um inferno para terminar e o que mais sofreu revisões (uma 10 desde o rascunho). Era para terminar no evento do capítulo que vem, mas quando passou de 8 mil palavras eu desisti e dividi.</p>
<p>Não que tenha melhorado tanto já que esse ficou com 6 mil palavras mesmo assim, o que sempre me leva a pergunta se teria valido a pena dividir ele ao meio (acho 3 a 4k palavras o ideal). Como vão notar tem uma sucessão de 3 eventos relevantes nesse capítulo, o que eu acho um pouco inchado, já que tenho para mim que 1 ou  no máximo 2 é o ideal por capítulo. Talvez eu mude a divisão na versão final que vou lançar na Amazon, mas por enquanto acho que está aceitável o bastante.</p>
<p>Dosar o timing das partes mais cômicas nos intervalos entre as partes que exigiam um clima mais sério para funcionar, foi um tanto quanto complicado também, mas espero que tenha ficado bom.</p><p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-21-a-tempestade-de-portais/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 21 &#8211; A tempestade de portais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-21-a-tempestade-de-portais/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 20 &#8211; Isekais</title>
		<link>https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-20-isekais/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jun 2019 20:37:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-20-isekais/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 20 &#8211; Isekais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>O Livro 1 completo <a href="http://amzn.to/2D2NZCl">já está a venda na Amazon</a>.</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Ou você pode ler de graça se cadastrando <a href="https://amzn.to/2I411Fv">nesse link</a>.</p>
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<!-- wp:paragraph /-->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Capítulo 20 &#8211; Isekais</strong></p>
<p>Jon acordou no susto, respirando de forma ofegante. Zek estava sentada a seu lado, e a sua frente Irene e Joanne dividiam o outro banco da carruagem.</p>
<p>— Tudo bem, Jon? — perguntou Zek. — Você estava tendo um pesadelo de novo, então te acordei.</p>
<p>— Está tudo bem, Zek, acho que vou acabar me acostumando se sonhar com a mesma coisa todo dia&#8230; — disse ele, tentando esconder seu nervosismo.</p>
<p>Era o mesmo pesadelo toda vez que fechava os olhos para dormir. A bruxa de Lain o dominando, e dessa vez conseguindo sugar sua alma por completo. Marko inclusive parou de brincar com o ocorrido quando notou que tinha afetado Jon dessa forma. Isso não o deixava feliz, no entanto, já que começou a se considerar ainda mais fraco do que já era. Não só no físico, como mentalmente também. Pensou que com o tempo aquilo iria passar, mas estava só piorando, pelo menos por enquanto. Como não tinha uma solução por enquanto, voltou a tentar ignorar seus pensamentos quanto ao ocorrido, esperando que em um futuro próximo aquilo parasse de atormentar seus sonhos.</p>
<p>Já era o terceiro dia de viagem do grupo desde Amit, e tudo estava calmo na estrada no momento. As montanhas ao longe haviam sumido faz algum tempo, dando lugar a uma floresta os cercando por ambos os lados.</p>
<p>O grupo de meio-elfas que estava os seguindo em outra carroça, já havia se separado, seguindo para Distany ao lado de um dos guardiões da cidade que veio acompanha-las. Era uma mulher, mas como estava coberta por uma capa parecida com a de Arian, não deu para ver sua aparência exata. Ela só falou algo para Arian, se alinhou ao lado da carroça das elfas, e seguiu por uma outra estrada. Isso aconteceu no começo da tarde, e agora já estava começando a escurecer.</p>
<p>E claro, quanto mais ao norte do continente, mais frio ia ficando, principalmente a noite. Dorian não parava de esfregar as mãos na tentativa de esquenta-las. </p>
<p>— Marko, me passa uma dessas garrafas de vinho, deve servir para me esquentar. </p>
<p>— Se já está esfriando assim por aqui, só imagino como deve ficar no Norte. Que tipo de louco gosta de viver em um lugar tão gelado? </p>
<p>Enquanto dizia isso, Marko pegou uma garrafa na pequena bagagem que carregava em seu cavalo e jogou para Dorian.</p>
<p>— Quer uma também, Kadia? — perguntou ele para a demônio que seguia com seu cavalo negro mais a frente da carruagem, acompanhando o ritmo do cavalo branco de Arian.</p>
<p>— Não, obrigada, fico estranha quando bebo.</p>
<p>— Sério? Agora que eu queria mesmo que você bebesse&#8230;</p>
<p>— Bem, se eu acabar entrando no estado crítico do meu pagamento, vai ter seu desejo realizado. Mas não é nada bonito, acredite.</p>
<p>— Ei, Marko, me passa uma garrafa também — disse Lara, entediada na parte da frente da carruagem, com o guia a seu lado, guiando os cavalos. O homem quase não falou nada desde que saíram de Amit, apenas vez ou outra dizia algo baixinho para Lara, que não dava para escutar.</p>
<p>— Mas nem pensar! Você fica ainda mais nojenta do que já é bêbada! E com certeza não vai lutar tão bem. Se todo mundo começar a se embebedar vamos morrer no próximo ataque de mercenários, por mais fracos que sejam  — reclamou Irene, que depois se virou para Dorian e Marko. — Vocês não tem vergonha? Estão aqui a trabalho! </p>
<p>— Não olhe para mim, já falei que luto melhor bêbado — disse Marko, mandando outra golada para dentro sem cerimônias.</p>
<p>— Olha quem fala, você estava se pegando com o Marko dentro da carruagem antes da gente chegar em Amit! — retrucou Dorian.</p>
<p>Irene não respondeu, apenas olhou feio para ele. Normalmente ela não se preocuparia muito com isso, mas graças aos estado atual de Joanne, ela teve que tentar assumir as rédeas do grupo por enquanto.</p>
<p>— O Maniaco das elfas não bebe? Não vi ele beber nada fora água até agora.</p>
<p>— Tudo fora água para ele tem gosto de vômito, e ele não tem reação alguma a álcool.</p>
<p>— Como assim? Ele não fica bêbado?</p>
<p>— Bem&#8230; Fica, mas tem que beber ácido puro para isso. Tinha que ver ele na época que estava depressivo, andava pelo acampamento militar com uma garrafa de ácido o dia todo. Ninguém do batalhão queria chegar perto dele com medo daquela porcaria quebrar e acabarem com algum membro derretido. </p>
<p>Arian pareceu ter escutado, mas os ignorou e voltou a passar uma página do livro que estava segurando para &lt;E&gt; ler.</p>
<p>— Que coisa de louco&#8230; Quase sinto pena dele por não poder saborear uma das melhores coisas dessa vida&#8230; Mas só quase.</p>
<p>Na verdade Dorian parecia é feliz. Ele abriu a garrafa do vinho e bebeu um gole, fazendo uma cara de completa surpresa em seguida.</p>
<p>— Mas o quê?! </p>
<p>— Bom, não é?</p>
<p>— Quanto custou isso? Nunca bebi nada parecido em toda minha vida. Deve ter mais de 200 anos&#8230; Como conseguiu pagar por tantas garrafas dele e ainda me deixou beber?!  </p>
<p>Dorian parecia incrédulo.</p>
<p>— Ah, eu não paguei nada por eles. Arx me deu de graça&#8230; Quer dizer, ele não estava mais lá para negar o pedido, então vou supor que sua alma disse que não tinha problema&#8230; </p>
<p>Marko estava com um sorriso malandro de um lado a outro face.</p>
<p>— Você roubou a adega do Arx?!</p>
<p>Dorian estava se acabando de rir.</p>
<p>— Quando fez isso? — perguntou Irene.</p>
<p>— Pouco antes de sairmos de Amit, quando disse que ia comprar mantimentos. Passei no castelo para ver se achava algo valioso e me deparei com uma adega enorme no subterrâneo. Uma pena que o máximo que conseguir carregar foi quatro caixas.</p>
<p>Ele parecia honestamente triste, e Irene incrédula. Ela então pareceu ter se dado conta de outra coisa.</p>
<p>— Espera, então essas caixas que colocou no topo da carruagem não são comida?</p>
<p>— Claro que não, por que eu compraria algo que posso caçar na floresta?</p>
<p>— Eu não acredito, Marko!</p>
<p>Os olhos de Dorian brilharam ao saber que haviam mais vários daqueles vinhos dentro das caixas que Marko havia colocado em cima da carruagem.</p>
<p>— Tira o olho, você está limitado a uma por dia, Sr. Dorian.</p>
<p>— Tem mais de 100 garrafas ali em cima, homem, e vamos chegar em Sunkeep em no máximo mais 3 dias. Você não tem como beber tudo sozinho!</p>
<p>Marko deu uma risadinha.</p>
<p>— Desafio aceito!</p>
<p>Marko começou a beber o conteúdo da garrafa em sua mão ainda mais rápido.</p>
<p>— Joanne, faça alguma coisa! — reclamou Irene.</p>
<p>— Deixa eles&#8230; Não estão incomodando ninguém&#8230; E pararam os mercenários que nos atacaram recentemente sem problemas, bêbados ou não — disse a líder, com uma voz desanimada.</p>
<p>Jon estava observando Joanne silenciosamente, enquanto tentava não demonstrar a preocupação que estava sentindo. Ela estava observando a paisagem de dentro da carruagem, com um olhar distante. O ferimento do braço dela estava cicatrizado, e a quantidade de sangue no corpo estabilizado. Sem dúvida parecia mais saudável aos olhos, mas Jon acreditava que havia um ferimento interno muito pior que seu braço, e esse não estava cicatrizando. Não sabia o que ela estava pensando, mas a ouvir chorar baixinho toda noite desde que saíram de Amit estava o destruindo por dentro. </p>
<p>&#8220;O peso de liderar essa missão, perder o braço, não ser tão útil em batalha como o resto do grupo, os contratempos&#8230;&#8221;, segundo Irene mesmo o disse, haviam várias coisas atormentando a mente dela no momento. Ainda dava as ordens, mas só quando estritamente necessário, o resto do tempo ficava olhando para o nada, e como agora, as vezes ela tentava levar a mão ao braço amputado. Quando notou novamente que não estava mais lá, uma lagrima caia pelo sua face. Zek ameaçou falar algo para ela, mas desistiu, aparentemente não sabendo bem o que dizer.</p>
<p>— Joanne, está tudo bem? — questionou Jon.</p>
<p>Ao ouvir a pergunta, ela notou que estava chorando, e rapidamente limpou o rosto.</p>
<p>— Sim, Jon. Eu&#8230; Só quero que isso acabe logo, essa missão&#8230; Estou cansada&#8230; Muito cansada.</p>
<p>Jon queria conforta-la, mas não fazia a menor ideia de como fazer. Ele já havia praticamente se confessado para ela em Amit, e não conseguia se ver tomando nenhuma atitude mais agressiva que aquela. &#8220;Joanne havia esquecido aquilo ou só estava ignorando para não atrapalhar na missão&#8221;, ele se perguntou. &#8220;Uma resposta seria bom&#8230; Mas que resposta? Eu não exatamente pedi algo a ela, só disse o que sentia&#8230;&#8221;, enquanto Jon pensava nisso, Kadia chamou a atenção do grupo. </p>
<p>— Tem pessoas paradas na encruzilhada a frente — disse Kadia, dominando a mente de seu falcão para vistoriar o caminho a frente.</p>
<p>— Mercenários de novo?</p>
<p>Já haviam sido atacados três vezes desde que saíram de Amit. Curiosamente, os atacantes agora pareciam mais preocupados em danificar a carruagem e matar os cavalos que outra coisa, claramente tentando prejudicar o andamento da viagem, já que mata-los era pouco provável com um grupo daquele nível.</p>
<p>— Quantos?</p>
<p>— Três. Todos usam uma capa amarela e não parecem estar armados&#8230; Tem um simbolo na capa, mas não dá para ver direito&#8230; Parece um morcego com duas espadas cruzadas em cima&#8230; Nunca vi nada parecido.</p>
<p>— Droga. Não é um morcego, é um demônio com uma lança e uma espada cruzada em cima. </p>
<p>Arian parecia bastante infeliz com a constatação que acabara de fazer.</p>
<p>— São perigosos? — questionou Kadia.</p>
<p>— São membros daquele maldito culto dos heróis, os Isekais. Jon, se abaixe ai — disse Marko.</p>
<p>— Qual o problema com eles? — perguntou Jon, sem entender a ordem.</p>
<p>Arian respondeu enquanto pensava em alguma coisa.</p>
<p>— Eles são&#8230; Idiotas fanáticos&#8230; E tem uma prática com demônios que&#8230; Depois eu explico&#8230; Kadia, ignore seja lá o que te disserem ou o que estiverem pensando de você&#8230; Tente não se surpreender e siga seja lá o que vou fazer ou te falar assim que chegarem perto da gente. Eles são muito insistentes, então a chance de passarmos sem nos pararem é quase zero.</p>
<p>Como ele previra, um homem do grupo de três se colocou na frente da carruagem com as mãos levantadas assim que eles chegaram a encruzilhada, e eles foram obrigados a parar.</p>
<p>O homem mais a frente do grupo vestia um manto simples e tinha uma longa barba preta mal cuidada. Se não tivesse o simbolo do culto, Jon pensaria que ele na verdade era um mendigo. Ele se aproximou de Arian vagarosamente, enquanto seus dois discípulos, com roupa similar, o seguiam.</p>
<p>— Eu vejo um brilho em você rapaz, era por ti que estávamos esperando, tu és o destinado, o herói invocado para nos salvar do senhor dos demônios&#8230; E até trouxe a oferenda junto&#8230; Só pode ser o destino! — disse o sujeito alegremente, enquanto olhava para Kadia cheio de satisfação.</p>
<p>Inicialmente, a demônio encarou o homem sem entender, até que os pensamentos dele entraram em sua mente. Ela arregalou os olhos e puxou sua espada.</p>
<p>— Kadia, não!</p>
<p>Arian avançou com o cavalo para frente do cavalo dela, a impedindo de avançar contra o homem.</p>
<p>— Eu disse para não ler a mente dele.</p>
<p>Kadia não respondeu, só o olhou furiosa. Arian então se virou para o velho e falou em tom de ameaça.</p>
<p>— Não estou interessado na oferta, só nos deixe passar ou vão ser atropelados.</p>
<p>O homem ficou pasmo com a ameaça.</p>
<p>— Meu jovem, não sei o que ouviu de nos, mas você foi enganado, nos somos o salvadores desse mundo, e estamos lhe dando a honra de se juntar a nós como um dos heróis destinados! Não pode recusar isso!</p>
<p>— Arian&#8230; Ele ainda está pensando em me levar, mesmo que não consiga te convencer!</p>
<p>— Essa coisa está lendo minha mente sem nem me tocar? — questionou o homem, assustado.</p>
<p>Kadia novamente tentou avançar contra ele, mas Arian a bloqueou com seu cavalo de novo. Os dois homens encapuzados atrás do líder começaram a recitar um encantamento, no que Arian os interrompeu gritando.</p>
<p>— Vocês ai! Parem essa magia ou vou arrancar suas cabeças, só vou avisar uma vez!</p>
<p>Ambos olharam para o mestre a sua frente em dúvida se obedeciam ou não, no que ele confirmou com a cabeça e eles pararam.</p>
<p>— Por que a protege, rapaz? Sabe o que ela é?</p>
<p>— Claro que sei.</p>
<p>— Melhor ainda, nos polpa o trabalho de achar uma oferenda para você. Já a usou para o pacto?</p>
<p>— Temos um pacto&#8230;</p>
<p>O homem parecia maravilhado. Ele então tirou um papel do bolso e ofereceu a Arian.</p>
<p>— Excelente, basta assinar com um pouco do seu sangue essa papel que lhe daremos um título de guerreiro de alto nível dos Isekais. Sua vida será cercada de glória e mais mulheres do que poderá contar daqui em diante.</p>
<p>— Acho que não entendeu a situação. Temos um pacto, mas eu sirvo ela, não o contrário.</p>
<p>O homem o olhou com descrença.</p>
<p>— Não pode estar falando sério&#8230;</p>
<p>— E não tenho interesse nas prostitutas que vocês pagam para bajular seus falsos heróis.</p>
<p>Arian então colou seu cavalo ao lado do de Kadia, segurou uma de suas mãos, abaixou a cabeça em sinal de reverencia, e a beijou. Kadia só ficou olhando pasma, sem entender nada.</p>
<p>— Minha rainha, apenas peça e eu arranco a cabeça desses homens. Como jurei quando fizemos o pacto, eu sou sua espada, para qualquer desejo que tenha.</p>
<p>O sacerdote do culto o olhou com nojo nos olhos.</p>
<p>Já Kadia estava tão pasma com a atuação de Arian que ficou sem reação inicialmente. Mas com a mão de Arian encostando na dela, era fácil ler sua mente e entender o que estava pensando. E também de ver a fantasma atrás dele com olhos de quem queria matá-la.</p>
<p>— Se eles não saírem da frente, mate-os — disse ela, com uma voz firme, tentando seguir o roteiro da mente dele.</p>
<p>— Como desejar&#8230; </p>
<p>Arian desembainhou sua espada bastarda e olhou para os três com frieza.</p>
<p>— Pobre rapaz, dominado por essa abominação&#8230; É uma pena, mas sua alma já parece estar perdida para o senhor das trevas. Não cabe a nós salva-lo, mas torça para não encontrar com um de nossos heróis, senão será você a perder a cabeça.</p>
<p>Após dizer isso, o homem rapidamente recuou para a beira da estrada com seus dois seguidores e os deixou passar.</p>
<p>Kadia estava quase matando o homem com os olhos, tamanho o ódio que demonstrava neles.</p>
<p>Depois deles terem sumido de vista, Jon perguntou intrigado:</p>
<p>— Qual seu problema com eles, Kadia?</p>
<p>— Ele estava pensando em como me capturar&#8230; Não, era ainda pior&#8230;</p>
<p>Jon parecia confuso, então Marko completou, falando sério pela primeira vez naquele dia.</p>
<p>— Isekais capturam demônios e os obrigam a fazer pactos com os teleportados de forma a lhes dar poder para realizarem suas missões. Como você, a maioria dos teleportados não tem muita habilidade física, então precisam de uma forma de obtê-la. Para um demônio, pior que ser escravizado é ser capturado e obrigado a um pacto até a morte. Lembra como são feitos esses pactos, não?</p>
<p>Jon pareceu enojado, ainda por já ter passado por coisa similar. Tinha dúvidas, mas preferiu não perguntar mais nada, para o bem da saudê mental da Kadia.</p>
<p>— Devia te-lo matado em vez de só ameaçar, taradão das elfas — disse Dorian, que embora ainda meio debochado, parecia não gostar do culto também. </p>
<p>— Fique a vontade para tentar. O culto vai te transformar em sua nova missão e mandar diversos teleportados atrás de você.</p>
<p>— Ficou covarde agora? É só mata-los!</p>
<p>— Se você matar o teleportado vai matar o demônio que foi obrigado a fazer o pacto junto!</p>
<p>— Não seria uma coisa ruim&#8230; — disse Kadia — Melhor isso que viver escravizado com um pacto que te obrigaram a fazer.</p>
<p>— Chega! Arian está certo. Mesmo que não mandem alguém forte já temos problemas o bastante, não vale a pena mais um incomodo como um culto fanático de heróis atrás de nós — disse Irene.</p>
<p>— Por que mandou o Jon se abaixar, Arian? — Era a primeira vez que Kadia fazia uma pergunta, notou Jon. Pouco a pouco devia acabar voltando a ficar mais a vontade com o grupo. </p>
<p>— Não sei bem como, mas eles parecem ter uma grande sensibilidade para pessoas que vem de outro mundo. Quando acham um teleportado o convencem que foi mandado para cá para salvar o mundo de uma ameaça qualquer e o fazem fazer várias missões suicidas até acabar morto. Claro que essa não é a história que foi espalhada por ai, e sim o rumor de que os escolhidos tem uma vida de rei, com um harém gigante de mulheres ou homens a seu dispor, o que a pessoa preferir — disse Marko.</p>
<p>— O que os idiotas não sabem, ou talvez só não acreditem, é que todos a sua volta são pessoas pagas com dinheiro do culto para segui-los nas missões e bajula-los, e que ao primeiro sinal de perigo real vão abandona-lo para morrer e serem alocadas para outro escolhido. É um sistema nojento. — completou Arian.</p>
<p>Embora surpreso com o sistema, o que estava na mente de Jon no momento era outra coisa.</p>
<p>— Arian, ele te chamou de escolhido&#8230; Você não seria um teleportado também então?</p>
<p>— Não sei&#8230; Já cogitei a possibilidade, mas&#8230; Lara, pode me adiantar essa?</p>
<p>— Você não é um teleportado, nasceu nesse mundo. Eu conheci sua mãe, inclusive.</p>
<p>Arian a olhou com os olhos levemente fechados e um sorriso falso.</p>
<p>— Soltou a última parte de proposito, né? Que tal falar um pouco dela então? — disse Arian, curioso, mas já sabendo qual seria a resposta. </p>
<p>— Nada disso, o acordo é no final da missão — disse Lara, com um sorriso sádico. O guia ao lado dela não falou nada, mas pareceu estar se divertindo com a conversa.</p>
<p>Arian fez uma cara de infelicidade. As respostas estavam todas ali dentro do cérebro daquela mulher, mas não podia te-las até sabe-se lá quando essa missão iria durar.</p>
<p>— Isso ainda não responde por que o homem disse que você era um dos escolhidos deles.</p>
<p>— Minha energia espiritual é bastante instável pelo que uma especialista já disse uma vez, por isso me confundem com um. Os sacerdotes do culto dos Isekais detectam teleportados ao notarem uma energia espiritual diferente da vista na maioria das pessoas nascidas nesse mundo, e como a minha é um pouco diferente, se encaixa. </p>
<p>— E esse culto é um golpe ou algo assim? Ou o problema de vocês com eles é só escravizarem demônios e pagarem grupos para se prostituirem e seguirem os escolhidos? — questionou Jon.</p>
<p>— Não é um golpe, os malucos realmente acreditam nessa porcaria de heróis escolhidos, por pior que sejam os métodos que adotam. Inclusive gastam boa parte dos recursos das igrejas dos heróis apoiando seus heróis em missões e comprando demônios com potencial para pactos — disse Arian.</p>
<p>— Eu já tinha ouvido falar neles, mas não sábia o que faziam com demônios. Assim que essa viagem acabar a primeira coisa que vou fazer é caçar esses desgraçados.</p>
<p>Kadia estava furiosa.</p>
<p>— Não sei se é uma boa ideia&#8230; — disse Arian.</p>
<p>— Estão escravizando meu povo!</p>
<p>— Seu povo não te baniu para esse mundo, pelo que me disse no começo dessa viagem?</p>
<p>— Não vou culpar minha raça inteira pelo julgamento injusto de apenas algumas pessoas.</p>
<p>Arian pareceu admirado pela falta de rancor de Kadia.</p>
<p>— Você com certeza não parece um demônio&#8230; Ao menos não a fama que vendem deles nessas terras.</p>
<p>Depois disso, a viagem seguiu até que começou a anoitecer. Do nada, o guia parou os cavalos e pareceu estar tentando se concentrar em algo.</p>
<p>— O que houve? A próxima cidade é por aqui? — perguntou Irene.</p>
<p>— Não, só chegaremos nela amanhã. Mas não é com isso que deveria se preocupar — Ele então se virou para Lara. — Princesa,  temos que voltar, agora. </p>
<p>— Princesa?</p>
<p>Ao notar o que disse, o homem pareceu decepcionado.</p>
<p>— Ah, droga, eu estava indo tão bem&#8230; </p>
<p>Lara estava olhando para ele furiosa.</p>
<p>— O que está havendo aqui? — questionou Joanne.</p>
<p>— Depois eu explico, temos problemas maiores. Kadia, tem um grupo voltando a cavalo correndo pelo que posso escutar, nos faça o favor de ver o que estão pensando quando passarem.</p>
<p>Pouco depois Jon viu vários homens a cavalo voltando correndo pela estrada de terra e passando por eles a toda velocidade. Kadia se concentrou em um deles e falou em seguida.</p>
<p>— Pequenos portais estão abrindo e fechando sem parar mais a frente na estrada, ele estava indo para uma cidade naquela direção quando quase foram pegos por um deles, e então voltaram correndo.</p>
<p>— Uma tempestade de portais&#8230; — disse Arian.</p>
<p>Jon já ouvira falar nisso. Era comum de ocorrer perto da floresta dos amaldiçoados, vários portais ficavam se abrindo e fechando sem parar em alta velocidade, e sugando qualquer coisa que estivesse próxima.</p>
<p>— Tinha escutado boatos sobre isso, mas pensei que já teria passado. Essas tempestades de portais não costumam durar mais que alguns dias.</p>
<p>— Temos outra opção de caminho? — perguntou Jon.</p>
<p>— Voltar, ir na direção da cidade dos meio-elfos, atravessar pela beirada do Rio perto da cidade, pegar o caminho da floresta que dá na União central, e voltar de lá até a fronteira com o Sul.</p>
<p>— Quanto tempo a mais de viagem?</p>
<p>— Passaria de mais 3 dias para 30, no mínimo, a floresta é terrível de atravessar, e teríamos que passar pelo Norte para entrar em Sunkeep.</p>
<p>Joanne fez uma cara de completo terror com a possibilidade de estender aquela missão por mais tanto tempo. Ela então tomou uma decisão.</p>
<p>— Vamos acampar por aqui e ver se até amanha essa tempestade para. Se não ocorrer em no máximo um ou dois dias, decidimos por outra opção.</p>
<p>O guia concordou com a sugestão com a cabeça.</p>
<p>— Certo. Mas acho melhor voltarmos um pouco, a chance é baixa, mas essas tempestades as vezes aumentam em vez de diminuir, e podem nos pegar se acamparmos por aqui.</p>
<p>— Tudo bem, vamos voltar um pouco do caminho e acampar. Mas depois nos explique como conhece a Lara e por que não disse nada até agora.</p>
<p>O homem concordou e começou a virar os cavalos para voltarem.</p>
<p>— Espera! Temos outro problema —disse Kadia.</p>
<p>— O que foi agora? Mais mercenários? — questionou Joanne.</p>
<p>—  O tal do culto parece ter mandado algo atrás de nós, tem um grupo usando o manto deles correndo em nossa direção. E também tem mercenários vindo pela floresta atrás de nós. Não, espera&#8230; Mas o quê&#8230;?</p>
<p>Kadia parecia completamente horrorizada com algo que seu pássaro estava vendo.</p>
<p>— Eu não acredito&#8230;</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2019/07/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-21-a-tempestade-de-portais/">Capítulo 21 &#8211; A tempestade de portais</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</em></p>
<p><strong>Nota do autor:</strong></p>
<p>Esse capítulo demorou um pouco mais para sair devido a sucessão de eventos nele que tinham que parecer mais fluidos e conectados, além dos diálogos para dar entrosamento ao grupo que fui acrescentando a cada revisão.</p>
<p>Inicialmente tinha o dobro de eventos e acabava no que vai ser apenas o final do próximo capítulo, tendo apenas 2500 palavras. Depois de uma quantidade enorme de acréscimos, mudanças e revisões, eu dividi ao meio e essa primeira parte inchou para 4000 palavras. A próxima deve ficar por ai também. Sobre o título do capítulo. Eu tenho essa referência com Isekais cheia de reinterpretações da minha parte em mente a tempos, mas só agora pude apresentar. Inicialmente eu ia chamar de &#8220;Sekais&#8221;, mas depois resolvi ser mais direto mesmo.</p><p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-20-isekais/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 20 &#8211; Isekais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<item>
		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 19 &#8211; A mulher sem sorte &#8211; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Jun 2019 19:24:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-19-a-mulher-sem-sorte-parte-2/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 19 &#8211; A mulher sem sorte &#8211; Parte 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<p>O Livro 1 completo <a href="http://amzn.to/2D2NZCl">já está a venda na Amazon</a>.</p>
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<p>Ou você pode ler de graça se cadastrando <a href="https://amzn.to/2I411Fv">nesse link</a>.</p>
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<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Capítulo 19 &#8211; A Mulher sem sorte &#8211; parte 2</strong></p>
<p>— Henri acorda, é seu turno na vigia.</p>
<p>O soldado acordou zonzo, levantou da cama do pequeno quarto cheio de beliches, e seguiu para seu posto no portão principal da cidade de Anastus, que ficava a cerca de 1 dia de caminhada da fronteira com o Norte. Mais perto que eles da borda com o Norte tinha apenas Maz, que ficava quase em cima da divisão da fronteira. O vilarejo era muito pequeno, com aproximadamente 500 habitantes, o que levou Henri a sair de lá assim que fez 15 anos, para tentar ganhar a vida em uma cidade um pouco maior como Anastus. A vantagem era que se sentisse saudade da família, bastava pegar o cavalo que chegava em Maz no mesmo dia.  </p>
<p>&#8220;Mais uma noite de vigia tediosa&#8221;, pensou ele, checando o muro de pedra de pouco mais de 2 metros que cercava a cidade, e depois olhando para o céu encoberto por nuvens. Aquele lado do território da União Central era pacífico e nada acontecia por lá fora fazia alguns anos. Depois de mais de um ano tentando vigiar a entrada da cidade corretamente, ele havia desistido de se preocupar e achado uma forma de se distrair durante o turno, assim como os outros guardas. Henri olhou para os lados checando se o outro guarda que ficava no lado esquerdo do portão estava olhando. O homem estava cochilando em pé, nem disfarçava. Vendo isso, Henri tirou do bolso um pequeno caderno, onde começou a desenhar uma celestial em uma pose bastante sensual.</p>
<p>Seu sonho era se casar com uma, desde pequeno, mas infelizmente era algo pouco provável dele conseguir, já que sequer ver um desses seres naquele mundo era muito raro. Nada o impedia de imaginar no entanto, então um de seus maiores prazeres virou desenhar o que imaginava ser sua futura esposa um dia. Ele ficou desenhando por algum tempo, até que do nada, sua concentração foi interrompida.</p>
<p>— Socorro!</p>
<p>Na mesma hora ele olhou para a estrada escura que saia da cidade em busca da origem do som. Era uma voz infantil, provavelmente de um garoto.</p>
<p>— Por favor!</p>
<p>Não dava para ver. O guarda perto dele havia acordado, mas como era novato, não tinha a menor ideia do que fazer.</p>
<p>— Alber, vai tocar o sino de alerta e chamar os outros, eu vou lá ver o que é.</p>
<p>Assim que o guarda saiu, Henri pegou uma tocha, se encheu de toda a coragem que pode, e adentrou o breu da noite a sua frente. Não teve que andar muito para ver a silhueta de um jovem rapaz carregando outra pessoa apoiada em seu ombro. Assim que o garoto o viu, caiu de joelhos no chão, em uma mistura de alivio e exaustão. Sua roupa estava em farrapos e ele estava com alguns cortes pelo corpo. A pessoa que estava carregando era uma garota mais nova que ele. A tocha caiu de sua mão e ele correu até os dois assim que viu quem eram.</p>
<p>— Carnos? O que aconteceu?</p>
<p>Ao identificar o garoto, foi fácil saber quem era a garota que estava carregando. Era Bia, sua irmã mais nova, ele conhecia ambos de longa data. Na verdade, como sua antiga cidade era muito pequena, quase todo mundo se conhecia. Henri se aproximou e segurou a garota nos braços, estava quase desacordada, e com um ferimento grande nas costas.</p>
<p>— Henri, o Norte, meu pai&#8230;</p>
<p>— Sei que está nervoso, Carnos, mas não estou entendendo nada&#8230;</p>
<p>— Maz foi invadida por um exército do Norte. Eles estavam matando quase todo mundo que viam.</p>
<p>Henri não queria acreditar no que estava ouvindo. Após um breve instante de terror ao imaginar o que tinha acontecido com sua família, ele respirou fundo e pensou no que fazer.  Tinha que voltar logo e informar seu superior, talvez ainda cheguem a tempo de fazer algo se enviarem um esquadrão rapidamente.</p>
<p>— Certeza que era o norte e não um grupo de mercenários qualquer?</p>
<p>— Eram muitos, mais de 100 a cavalo, e usavam as roupas do exército do Norte.</p>
<p>Não havia muito o que discutir depois desse argumento.</p>
<p>— Vou carregar sua irmã, se apoie em mim Carnos. Cadê o seu pai?</p>
<p>— Ele&#8230; Três guardas nos perseguiram&#8230; nos lutamos contra eles, mas&#8230; — Sem conseguir completar, ele começou a chorar.</p>
<p>O garoto estava segurando uma faca na mão, e os cortes no corpo deixavam claro que ele brigou também. A irmã parecia bastante machucada e tinha sangue não só no ferimento das costas, mas na parte de baixo do vestido simples que estava usando. Henri nem queria imaginar o que aconteceu com ela. Furioso, ele continuou a caminhar de encontro ao pequeno grupo de soldados de Anastus correndo na direção deles para ajudar.</p>
<p>— Se foi mesmo o Norte que fez isso, eles vão pagar&#8230; — murmurou Henri, com os olhos cheios de fúria.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>*********</strong></p>
<p>Era fim de tarde em Stronghold, quando os comerciantes deixavam rapidamente as ruas para fugir do frio que assolava a capital depois que a luz do dia sumia. Era comum considerar aquela parte do dia como fim de expediente, mas no Castelo de Gelo, dentro do escritório do sábio Swarnes, um historiador muito famoso do norte, as coisas ainda estavam bem ativas com Juliet, a auxiliar em treinamento do príncipe, tendo uma aula particular que conseguiu depois de muita insistência.</p>
<p>— E foi assim que Lusefelt criou a lei sobre o Lich e aboliu cultos a ele&#8230; Satisfeita? Se não está devia, já que esse é um tópico que não abordamos profundamente nem mesmo com o príncipe ainda — disse um homem de uns 50 anos bastante magro e com um olhar esnobe. Seu cabelo curto, como sempre, estava penteado para frente, na tentativa de esconder as entradas que se formavam enquanto ele gradualmente ficava careca. Seu cabelo era de uma cor castanho claro incomum, e devido a isso diziam que na verdade já era branco e ele pintava.</p>
<p>De todos os sábios ele era o que Juliet considerava o mais neutro, nem parecia gostar dela, nem detestar, ele simplesmente a suportava para não desagradar o príncipe e manter seus luxos como professor de história, desde o salário ao acesso a prostitutas de luxo reservadas a realeza. O último era provavelmente a parte que ele mais gostava, fato um tanto quanto incomodo para ela saber, considerando que ele tinha mulher e filhos. </p>
<p>A garota, pensativa, passou a mão de leve em seu cabelo loiro, amarrado em um rabo de cavalo simples.</p>
<p>— E ai, tem mais perguntas ou não? tenho mais o que fazer — disse ele com cara de tédio, enquanto examinava o corpo de Juliet de cima a baixo sem nem tentar disfarçar.</p>
<p>Ela estava usando um vestido bem simples, como sempre, na tentativa insistente de sua mãe em evitar que chamasse atenção. Ela tinha vários do mesmo modelo, só variando a cor. O de hoje era o branco com azul claro. Como auxiliar do príncipe, no entanto, não podia usar roupas de uma pessoa comum, e o vestido feito sobe medida acabava destacando melhor do que deveria as curvas já acentuadas do seu corpo.</p>
<p>— Você tem mesmo 12 anos? Minha filha mais nova tem essa idade e não tem metade desses peitos ou altura. Na verdade te daria 14 ou 15 com facilidade&#8230; Sua mente também funciona de forma bem anormal para sua idade&#8230;</p>
<p>— É, todo mundo diz isso&#8230; Só que não ficam me encarando de forma tão descarada assim quando o falam&#8230; — Juliet olhou para ele de forma meio desconfiada depois dos comentários impróprios.</p>
<p>— Não seja idiota, não tenho interesse em crianças, só me intriga saber se é você que se desenvolveu muito rápido ou minha filha muito devagar. </p>
<p>— O filho do comandante recém vai fazer 13 anos e já parece ter pelo menos 16 também, então suponho que isso varia de pessoa para pessoa. </p>
<p>— O Malfuris? De fato, parece ter bem mais que 13, mas creio que muito disso é devido ao treinamento militar. Tenho quase pena do que o coitado passa com aquele pai linha dura dele&#8230; Ainda assim, a variação na velocidade do desenvolvimento de pessoas da mesma raça ainda me intriga&#8230;   </p>
<p>Juliet aproveitou o devaneio para tentar voltar ao assunto principal.</p>
<p>— Bem, sobre o Rei Lusefelt, ainda não consigo entender o motivo, nem o padrão. Por que todo Rei em idade avançada começa a tomar decisões totalmente diferentes dos anos anteriores de seu reinado?</p>
<p>— Sabedoria ou loucura, minha cara, nunca teremos certeza&#8230; Mas talvez tenha algumas livros que a ajudem a tentar buscar uma melhor compreensão — O homem se levantou da cadeira, pegou uma taça de vinho e se virou para seu assistente, um homem perto dos 20 mais bem vestido que seu próprio mestre — Azavel, dê a ela os três primeiros livros do canto esquerdo da minha estante de obras reservadas aos sábios.</p>
<p>— Tem certeza? — questionou seu aprendiz, saindo de trás das diversas prateleiras de livro que estava catalogando. Assim que viu Juliet ele passou a mão no cabelo encaracolado, tentando arruma-lo sem sucesso para atrás.  </p>
<p>— Ela vai continuar me incomodando com perguntas achando que estou escondendo algum segredo oculto naqueles pedaços de papel velhos até ver com os próprios olhos o que tem neles e se decepcionar. Dê os livros a ela e bico fechado quanto ao assunto com os outros sábios. Depois a enxote daqui. Vou a cidade&#8230; pesquisar coisas.</p>
<p>Em seguida o sábio saiu pela porta e desceu para o primeiro andar do castelo.</p>
<p>Juliet segurou uma risada. Aquilo era quase seu código padrão para ele ir se divertir com alguma prostituta. Rapidamente o servo do sábio pegou alguns livros da estante pessoal dele e os entregou a Juliet.</p>
<p>— Obrigado, Azavel, se não fosse sua ajuda não teria conseguido essa reunião.</p>
<p>Juliet se levantou e se dirigiu a porta, mas antes que chegasse lá, o servo do sábio agarrou seu braço.</p>
<p>— Azavel?</p>
<p>— Eu consegui convencer o mestre a lhe dar outra aula particular. É sério que não vai me dar nada em troca? Tive que prometer não tirar folga pelo ano inteiro dessa vez!</p>
<p>Juliet fez uma cara feia, mas teve que admitir para si mesma que, mesmo de forma não proposital, estava usando o interesse daquele homem nela para conseguir vantagens com o sábio. Ela então lhe deu seu pagamento de sempre. Se aproximou dele e deu um beijo na bochecha.</p>
<p>— Grato, mas isso não é mais o bastante.</p>
<p>A garota o olhou descontente.</p>
<p>— Quanto quer então? Não ganho tanto como pensa, sou só uma auxiliar em treinamento.</p>
<p>— Não ligo para dinheiro, isso meu pai tem de sobra. Quero apenas que avancemos um pouco nosso&#8230; Bem, que tal um beijo em outro lugar dessa vez?</p>
<p>Azazel se aproximou desconfortavelmente dela. No que ela com um olhar de desgosto beijou sua testa.</p>
<p>— Feliz?</p>
<p>— Sério, Juliet? Não pode ser tão inocente assim&#8230;</p>
<p>— Não vou dar um beijo na boca de uma pessoa na qual não tenho interesse romântico, Azavel&#8230;</p>
<p>— Está guardando até isso para aquele príncipe tapado? Ou seria para Maufuris? As vezes acho que está brincando com os dois, e comigo também&#8230; De qualquer forma, é só um beijo, não é como se alguém fosse saber.</p>
<p>Azavel agarrou os ombros dela e aproximou seus lábios, no que Juliet soltou os livros que estava segurando e o empurrou.</p>
<p>— Já disse que não!</p>
<p>Ele então usou uma mão para tapar a boca dela e a prensou contra a parede atrás dela.</p>
<p>— Está louca? Se gritar aqui e um guarda chegar eles me matam — sussurrou ele, tirando a mão de sua boca.</p>
<p>— Me solte ou vai se arrepender.</p>
<p>O homem parecia cada vez mais irritado pelo olhar de desprezo de Juliet por ele.</p>
<p>— Será? E se eu fizesse algo muito maior que roubar um beijo? Arriscaria mesmo contar ao príncipe se eu tirasse sua virgindade? Perderia sua chance com ele&#8230;</p>
<p>— Jorge não é como aqueles nobres estúpidos, ele só ficária furioso de você ter me machucado e mandaria te prender.</p>
<p>— Está blefando&#8230; Não teria coragem de contar&#8230;</p>
<p>— Quer pagar para ver?</p>
<p>Juliet tentava manter sua fachada confiante, enquanto Azazel a segurava com cada vez mais força. </p>
<p>— Parece que depois de hoje não vai querer chegar mais perto de mim, então vou ter que aproveitar minha última chance. Estou disposto a correr o risco&#8230;</p>
<p>O homem aproximou mais seu rosto e agarrou com força uma das pernas da garota. Em seguida levantou parte de seu vestido.</p>
<p>— Agora só fique quieta e&#8230; </p>
<p>Antes que completasse a frase, o homem estava com a ponta de uma pequena faca levemente pressionada contra seu pescoço. Primeiro ele congelou, tentando entender de onde ela tirou aquilo, até reparar que faltava um pedaço do belo colar que Juliet usava. O pingente era na verdade uma pequena faca virada para cima, ela só havia o retirado e usado como arma.</p>
<p>— Não teria coragem de matar alguém&#8230; — disse ele, voltando a ficar calmo.</p>
<p>— Você pode se surpreender&#8230; — a garota parecia em uma luta consigo mesma para se manter calma e parecer confiante.</p>
<p>— Se me matar, vai ser presa, mesmo que diga que eu tentei algo&#8230;</p>
<p>Juliet perdeu um pouco da confiança nesse momento.</p>
<p>— É melhor do que me submeter a você&#8230;</p>
<p>— Veremos se tem mesmo coragem então.</p>
<p>O homem voltou a agarra-la com força, no que ela colocou mais força em seu braço direito, fazendo a ponta da faca perfurar de leve o pescoço do atacante. Não conseguia a coragem para enfia-la completamente. Podia mesmo matar alguém sem consequências?, pensou.</p>
<p>Antes que tomasse uma decisão, o pescoço de Azavel foi cercado por dois braços negros que o estavam degolando. Era Maufuris, um dos auxiliares em treinamento do rei, e filho mais novo do general do exército do norte. Ele manteve o pescoço do homem apertado até ele desmaiar. Em seguida, ele levantou, não parecendo nem um pouco abalado, e foi até Juliet.</p>
<p>— Você está bem? </p>
<p>Juliet tentou recuperar a postura, mas suas pernas tremiam sem parar. Maufuris parecia tentado a segura-la, mas sabia que ela era orgulhosa, então estava em dúvida se a ajudava ou mantinha distancia.</p>
<p>— Estou bem, foi só um susto, não é como se fosse a primeira vez, mas a maioria para quando aponto essa faca para eles&#8230;</p>
<p>Ele então olhou para o homem desmaiado no chão.</p>
<p>— Nunca gostei dele, nem do irmão. Só conseguiram o cargo por conta do pai ter muita influência no comércio local. Pode mata-lo se quiser, eu deponho a seu favor. Ou se o desejar, eu mesmo o mato — disse o garoto, tentando se manter o mais calmo possível e não demonstrar a raiva que estava sentindo, bem como seu pai o havia treinado. Não era apenas o físico e postura séria, mas sim as reações frias a todo tipo de situação que deixavam difícil de acreditar que tinha apenas 13 anos. </p>
<p>— Não, matar vai acabar com o sofrimento dele muito rápido. Se você me apoiar e relatarmos o que ele tentou fazer já é o bastante. Ele vai ficar congelando no calabouço do castelo para sempre — disse ela, olhando enojada para o rosto do homem desacordado.</p>
<p>— Levando em conta quem é o pai dele teria minhas dúvidas, mas como desejar.</p>
<p>Maufuris foi até Azavel, tirou uma fina corda que tinha na cintura, utensilio padrão do uniforme dos militares, e amarrou os braços e pernas do atacante. Enquanto o fazia, o príncipe Jorge surgiu na porta.</p>
<p>— Finalmente te encontrei, Juliet, não consigo encontrar sua mãe e preciso&#8230; — Jorge parou de falar ao ver Maufuris amarrando Azavel e depois reparar no estado de Juliet, que ainda parecia um pouco abalada. — O que aconteceu aqui?</p>
<p>— Azevel a atacou — disse Malduris.</p>
<p>Ele então correu até Juliet e tocou de leve seu ombro.</p>
<p>— Ele fez algo com você?</p>
<p>— Tentou&#8230; — falou ela, com raiva.</p>
<p>Jorge parecia totalmente espantado, e meio perdido no que falar para ela.</p>
<p>— Eu estou bem, Jorge. Mau chegou bem a tempo.</p>
<p>— Ainda bem&#8230; Vou chamar os guardas, fique aqui com ela, Mau.</p>
<p>— Não prefere que eu vá? — sugeriu o garoto.</p>
<p>— Não, se Azavel se soltar você luta muito melhor que eu, por mais que odeie admitir.</p>
<p>Jorge então saiu as pressas em busca de ajuda. </p>
<p>Assim que o perdeu de vista, as pernas de Juliet cederam e la caiu de joelhos. Estava se esforçando ao máximo para não parecer abalada na frente deles, mas chegara a seu limite. Maufuris, a conhecendo bem, achou melhor não falar nada, apenas se virou de costas e ficou vigiando Azavel.</p>
<p>A garota então fechou os olhos e uma pequena lagrima escorreu por sua face. Por mais que não tivesse sido a primeira vez, aquilo era algo que ela nunca iria se acostumar totalmente. A faca que sua mãe lhe deu quando fez 9 anos, disfarçada como pingente de um colar, já a tinha salvo diversas vezes de coisas assim, mas a sensação de insegurança continuava. O que teria acontecido a ela se tivesse mesmo matado aquele homem? Ela podia ameaçar qualquer um, mas teria mesmo coragem de mata-los se fosse necessário? A falta desse certeza sempre fazia um calafrio percorrer sua espinha.</p>
<p>Queria desabafar, mas Jorge ainda era inocente demais para entender, e Mau, que era extremamente frio devido ao treinamento brutal do pai, só ficaria com um olhar de pena sem saber o que dizer. Sua mãe era uma opção, mas não queria preocupá-la. No fim, não tinha ninguém com quem pudesse descarregar o que sentia. O único caminho era continuar aguentando, na esperança de que um dia pudesse realmente fazer alguma coisa para acabar com aquele medo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Pouco tempo depois a noite estava começando a cair no Norte, e o castelo de gelo aos poucos perdia seu brilho sem a luz do dia batendo nas pedras azuladas de sua construção. Em uma das torres mais altas do castelo, no quarto do avô de Jorge, Madrid, seu assistente pessoal, fazia o relatório do dia.</p>
<p>— O grupo deixou Amit e está novamente se dirigindo para Sunkeep.</p>
<p>— Que pena&#8230; Pensei que Arx conseguiria segura-los por mais tempo. Era a vida da fiha dele em jogo, afinal.</p>
<p>— Arx foi morto pelo classe SS hibrido. Sua filha assumiu o trono se passando por alguém da família a poucos dias.</p>
<p>— Ele conseguiu ressuscita-la? </p>
<p>— Segundo Atlas reportou, foi uma bruxa antiga do Sul que a trouxe de volta. Ela tem que consumir almas a cada tanto tempo para manter seu corpo, então parece um método muito similar ao do Lich.</p>
<p>— Interessante, nunca vi conseguirem com alguém tão novo&#8230; E onde está o grupo agora?</p>
<p>— Devem estar a uns 3 dias de Sunkeep, na encruzilhada entre a estrada principal e o caminho para cidade dos meio-elfos.</p>
<p>O velho pareceu preocupado.</p>
<p>— Estão muito perto&#8230; E nos ainda nem partimos&#8230; Como estão os planos com o contato em Sunkeep?</p>
<p>— Ele disse que está quase pronto. Mas duvido que o grupo chegue em Sunkeep tão cedo. Estão reportando uma tempestade de portais no meio da estrada principal. Isso vai atrasa-los em mais alguns dias.</p>
<p>O avô de Jorge sorriu aliviado.</p>
<p>— Parece que a sorte está do nosso lado, no fim das contas&#8230; E o Lancaster, ainda em Amira? </p>
<p>— Como requisitou, mandei ficarem de olho nos movimentos dele nos últimos dias. Um dos nossos espiões relatou que ele foi visto a dois dias na Cidade das Dungeons, e parecia estar se preparando para entrar no grande abismo. </p>
<p>— O que ele quer naquele lugar? Dinheiro? Ele deveria ter de sobra.</p>
<p>— Depois do incidente em Amira alguns dias atrás a cidade recebeu anonimamente uma grande doação para reconstrução do que foi destruído e compensação das famílias dos mortos, não precisaram tirar nada do dinheiro dos impostos da cidade. </p>
<p>— Isso não prova nada&#8230;</p>
<p>— Segundo um dos informantes da administração de Amira o dinheiro veio com uma carta requerendo que parte da quantia fosse gasta em uma nova estátua de Amira e Lancaster juntos&#8230;</p>
<p>Victor colocou a mão no rosto incrédulo com o que estava ouvindo, tentando segurar uma risada.</p>
<p>— Teorizo que Amira convenceu Lancaster a doarem todo dinheiro deles para reconstruir a cidade e fazer essa estátua, e sem dinheiro eles foram até a cidade das dungeons para conseguir novas relíquias para vender. Pelo que é descrito da personalidade da Lux, ela dificilmente aceitaria uma vida sem luxos.</p>
<p>Assim que escutou o nome da celestial a expressão leve de Victor se tornou rígida como pedra.</p>
<p>— O que eu já disse sobre citar o nome dessa abominação?</p>
<p>— Peço desculpas, senhor, só estava reforçando minha tese. Em resumo, não acho que eles estão preocupados ou cientes de nossa investida contra Sunkeep. Assim que entrarem no grande abismo em busca de relíquias dos elfos antigos, não vão sair por pelo menos 15 dias, deve ser tempo o bastante para realizar o que o senhor tem em mente.</p>
<p>— Excelente&#8230; </p>
<p>— A proposito, chegou uma mensagem de Arthur Frost ontem, ele disse que vai junto na missão. Vai nos encontrar no acampamento do exército perto da fronteira com o Sul.</p>
<p>O velho parecia intrigado.</p>
<p>— Aquele idiota nunca ligou para a guerra, por que nos ajudaria agora&#8230;?</p>
<p>— Ele parece estar curioso com os alvos, principalmente a anomalia, o Rank SS hibrido.</p>
<p>— Que seja, por mais que ache que o modo que ele usa seus talentos é um desperdício, ele ao menos é confiável. Vamos resolver o problema da Denise e eu vou partir.</p>
<p>— Certo.</p>
<p>— E mais uma coisa, como está o caso da Juliet? </p>
<p>— O pai de Azavel pediu uma reunião com você. Ele quer o filho livre até amanhã.</p>
<p>— Não precisa da reunião. O liberte, mas não o deixe mais se aproximar do castelo.</p>
<p>— Certeza? Ele pode tentar algo com a garota outra vez.</p>
<p>— Por mim ele seria morto, mas o pai controla 30% de todo o comércio do Sul. Não posso arriscar esse impacto na economia.</p>
<p>— Não é mais fácil só ameaça-lo?</p>
<p>Ele riu.</p>
<p>— Medo funciona, é fato, mas desisti de manter um reino a base disso a muito tempo. Tentei usar poder e força por anos, e sempre deu errado. O que impede o idiota de ficar nervoso com a ameaça, contratar um classe S, ou ainda pior, conseguir um SS, e acabar matando meu neto em um conflito? Não importa o quão forte alguém se torne, não se pode prever tudo que vai acontecer, ou estar em todos os lugares que precisa. Perdi muito nessa vida até aprender isso.</p>
<p>O homem fez uma cara amargurada de quem estava lembrando de coisas desagradáveis, e em seguida continuou.</p>
<p>— Não posso fazer como Lancaster e ficar grudado ao que mais me importa na vida todos os dias pela eternidade, então só me resta evitar conflitos desnecessários, ao menos dentro do meu próprio reino. De inimigos já nos basta os malditos do Sul.</p>
<p>— Concordo, mas ele pode acabar confiante demais tendo o filho solto tão fácil.</p>
<p>—  Essa é a ideia, quero ele confiante e descuidado. Então por mais que deteste ceder, prefiro engolir meu orgulho agora e dar a esse desgraçado do pai do Azavel o que ele quer, por enquanto. Paciência é o maior dos dons que ganhei com o tempo, frieza e paciência, na verdade. O homem vai ter o que merece, no devido tempo, e de forma a não prejudicar esse reino — ao dizer isso, o velho fez um olhar de quem tinha algo muito ruim em mente.</p>
<p>— Entendo&#8230;  </p>
<p>— Fique de olho na Juliet disfarçadamente enquanto eu estiver fora. Pensei que tinha me livrado de todos os idiotas de olho nela ano passado, mas esqueci que os sábios mudam de assistentes o tempo todo.  </p>
<p>— Sei que gosta dela, mas vale todo esse esforço?</p>
<p>— Se algo acontecer a ela, Jorge quebra&#8230; Ele tem muitas qualidades, mas a capacidade de aceitar perdas ou a objetividade necessária para deixa-las de lado, não é uma delas. Lembra quantos anos ele ficou desolado depois que sua mãe morreu? Pensei que nunca voltaria ao que era, até que encontrou aquela bendita garota na biblioteca e voltou a ganhar vida nos olhos. Se ele perder ela também, nunca mais vai voltar.  </p>
<p>— Entendo, vou ficar de olho nela — Após dizer isso, Madrid olhou os papeis em sua mão e fez uma cara séria. Ele basicamente havia guardado a pior notícia para o final. — Mais uma coisa, parece que nosso exército atacou um pequeno vilarejo na fronteira com a União central.</p>
<p>A expressão dele congelou, mas ele não falou nada, apenas olhou apreensivo esperando Madrid terminar.</p>
<p>— O conselho da União pediu explicações e seu filho afirmou que eles foram atacados por alguns guardas do vilarejo quando estavam perto do local, sendo o ataque que fizeram depois apenas uma retaliação.</p>
<p>— Aquele imbecil&#8230;. — Victor apertou parte da cadeira em que estava com tanta força que o apoiador de mão quebrou — Qual cidade?</p>
<p>— Maz, a cidade era pacifica e os dois sobreviventes que conseguiram fugir dizem que eles foram atacados do nada, sem motivo. A cidade está quase intacta, mas todos os homens foram mortos e as mulheres violentadas pelo exército e mortas em seguida.</p>
<p>— Crianças?</p>
<p>— Mortas também, mataram toda alma viva que encontraram na cidade.</p>
<p>A sala inteira ficou gelada ao mesmo tempo que um trovão ecoou nos céus.</p>
<p>— Tentando não deixar testemunhas&#8230; </p>
<p>Victor parecia que ia explodir em fúria. Sua respiração estava pesada e seus olhos estavam com um estranho brilho azulado. Ele então fechou os olhos por algum tempo, respirou fundo, e perguntou.</p>
<p>—  Algo mais?</p>
<p>— A União central está pedindo permissão para investigadores entrarem pela fronteira para averiguar o que realmente aconteceu. Seu filho negou a permissão, então mandaram outra requisição para o senhor. Não falaram diretamente, mas deixaram implícito que todos os lordes do concelho da União concordaram em cortar parte do comércio conosco por tempo indeterminado se não tiverem permissão para adentrar a fronteira e interrogar cada um dos envolvidos no ataque a cidade de Maz.</p>
<p>— Quantos habilitantes tinha a cidade e quantos homens invadiram?</p>
<p>— O vilarejo tinha aproximadamente 500 habitantes. Usaram dois esquadrões, então 200 soldados participaram da invasão. Um grupo invadiu o centro da cidade e outro as fazendas a volta do local. </p>
<p>— Quem mandou a carta?</p>
<p>— O Rei de Moonsong, Alexander. Que eu me lembre o senhor o conhece pessoalmente.</p>
<p>— Sim, o Rei dos vampiros&#8230; Já quase nos matamos no passado, mas é a pessoa que mais respeito da União. Talvez seja o melhor exemplo desse mundo do que um Rei deveria ser.</p>
<p>O homem começou a balançar a cabeça de um lado para o outro, pensando no que fazer.</p>
<p>— Nissius vai conseguir destruir a paz que levei tantos anos para construir em dias&#8230; Deve ser o pior Rei que o Norte já teve&#8230; Se não fosse a lei de sucessão nunca teria dado o trono a ele&#8230;</p>
<p>O velho então se levantou e começou a andar de um lado a outro do quarto, pensativo.</p>
<p>— Jorge tem que chegar aos 16 logo e assumir antes que o imbecil do pai acabe com o Norte&#8230; Diga-o que eu mandei deixar os investigadores da União entrarem e vistoriarem o acampamento. E se ele fez o que penso diga para dar um jeito por si mesmo dessa vez, seja matando os soldados que participaram ou fazendo com que todos tenham o mesmo discurso quando forem interrogados. Se perdermos o comércio com a União Central metade do Norte vai morrer quando o inverno chegar para valer e as plantações morrerem. </p>
<p>— Certo&#8230; Isso é tudo. Quer ajuda com Denise?</p>
<p>— Não, eu cuido dela, vá enviar a carta para o concelho da União, imediatamente. </p>
<p>— Sim, senhor. E a propósito, o Sacrifício está pronto, aqueci o corpo dela o máximo que pude. </p>
<p>— Acha que ela sobrevive mais um vez?</p>
<p>— Acho pouco provável, a não ser que queira arriscar tirar algumas daquelas estacas que estão bloqueando os poderes dela. Se retirar apenas uma ela deve conseguir produzir sangue, mas existe o risco de ficar forte o bastante para tentar se soltar também.</p>
<p>Só pensamento daquilo acontecendo já fez o homem arregalar os olhos.</p>
<p>— É&#8230; Não vale a pena, ela mataria todos nós e colocaria o castelo abaixo depois de tudo que fiz com ela&#8230;</p>
<p>— Sem dúvidas.</p>
<p>Depois de dizer isso, Madrid se virou e saiu a passos rápidos pela porta.</p>
<p> Victor então se levantou e abriu a porta secreta atrás da prateleira de seu quarto. A janela havia sido fechada para bloquear o frio, deixando apenas um pequena brecha para entrar ar. Como sempre, a mulher na cruz estava imóvel, parecendo um corpo sem vida. A volta dela estavam várias pedras incandescentes esquentando seu corpo. Ela ainda parecia pálida, mas menos comparado a 3 dias atrás quando Victor a visitou. </p>
<p>Presa a correntes a parede perto da cruz, estava outra mulher, Denise. Assim que o viu, ela se levantou do chão tremendo muito do frio.</p>
<p>— Kraven, o que está acontecendo? Eu desmaiei e quando vi estava presa nesse lugar.</p>
<p>O homem não respondeu, apenas continuou caminhando lentamente em sua direção, com um olhar frio.</p>
<p>— Kraven?</p>
<p>— Pare de se fingir de idiota Denise, sabe muito bem por que está aqui.</p>
<p>— Não, não faço ideia — Qualquer um diria que ela estava sendo honesta, devido a seu olhar inocente.</p>
<p>— Muito bem. Lembra do que lhe falei quando sua filha virou concelheira do meu neto?</p>
<p>A mulher pensou por um tempo e então disse:</p>
<p>— Não deveria usar isso para conseguir vantagens, a não ser que elas viessem diretamente da vontade do príncipe.</p>
<p>— Exato. Lembra o que falei que aconteceria se descumprisse isso?</p>
<p>Apos pensar por um tempo, ela entendeu do que ele estava falando.</p>
<p>— Eu apenas comentei por alto dos impostos altos que pegavam muito do meu salário, não pretendia influenciar o príncipe a baixar os impostos do reino inteiro!</p>
<p>O homem riu da cara de pau de Denise.</p>
<p>— Então achou mesmo que a mãe da garota que ele gosta, sua empregada pessoal, soltar um comentário desses não influenciaria em nada sua mente?</p>
<p>— Nunca vão aprovar isso de qualquer forma, por que tudo isso? — gritou ela.</p>
<p>— Porque você me deu sua palavra, e é uma mulher inteligente, sabia exatamente o que estava fazendo quando comentou aquilo com Jorge.</p>
<p>Denise não falou nada.</p>
<p>— Você ficou confiante demais com tudo que ganhou, e acabou esquecendo que descer é mais fácil do que subir, Denise&#8230; E claro, todos nos temos que pagar por nossos erros, caso contrário não aprendemos.</p>
<p>Denise não olhou para ele, apenas abaixou a cabeça e suspirou, cansada.</p>
<p>— Justo&#8230; Mas se me matar o príncipe não vai gostar.</p>
<p>— De fato, está sumida a menos de um dia e ele já perguntou por você. Mas entenda, tem coisas bem piores que a morte, acredite&#8230;</p>
<p>A mulher não se assustou com a ameaça. Na verdade já parecia estar esperando algum tipo de punição, ou até a morte. </p>
<p>— Faça o seu pior — desafiou ela.</p>
<p>O homem riu.</p>
<p>— Acha mesmo que depois do que passou na vida nada pode ser pior?</p>
<p>— A única coisa que pode fazer de pior você nunca vai fazer, porque seu neto nunca o perdoaria.</p>
<p>— De fato, não pretendo fazer sua filha pagar por seus crimes. Mas está vendo essa mulher na cruz a seu lado? Era um dos seres mais poderosos desse mundo, e olhe para ela agora. Tudo que precisei foi planejamento e muita paciência. Você, em comparação, é um caso muito mais fácil de resolver.</p>
<p>— Vai me matar?</p>
<p>O homem se aproximou e ajoelhou perto dela. Seus olhos mudaram brevemente de cor, ficando meio azulados.</p>
<p>— Não&#8230; Mas você vai desejar morrer, acredite.</p>
<p>Ele então tirou um colar do bolso e o colocou no pescoço dela. No mesmo momento ela ficou com um olhar horrorizado e começou a gritar desesperadamente.</p>
<p>— Não, por favor, não façam isso! Não! Não!</p>
<p>— Como eu disse, morrer não é nada comparado a isso.</p>
<p>Em seguida Madrid apareceu.</p>
<p>— Já enviei a carta.</p>
<p>— Excelente.</p>
<p>— O que devo fazer com ela? — perguntou ele, olhando para Denise em prantos no canto da sala.</p>
<p>— A deixe ai até amanhã de manhã, mais que isso vai afetar sua cabeça de forma permanente.</p>
<p>— O que acha que ela está vendo? Revivendo seus tempos de escrava? — perguntou Madrid, curioso com o desespero da mulher.</p>
<p>— Não é reviver seu passado o que ela mais teme&#8230; No caso dela, o maior temor é a segurança da filha. Só imagino o que o colar está fazendo ela ver fazerem com sua filha na frente dela, provavelmente algo parecido com o que ela passou durante a vida&#8230; </p>
<p>O velho a olhou quase com pena.</p>
<p>— Ver isso deve ser bem pior do que reviver seus tempos de escrava. É uma dor nova, algo que ela nunca sentiu antes, e portanto, doí bem mais.</p>
<p>Em meio aos gritos desesperados de Denise o homem se dirigiu a outra mulher presa a cruz. Seus cabelos dourados espalhados a volta do corpo eram a única coisa que ainda pareciam ter vida nela.</p>
<p>— Já aguentou bem mais tempo do que eu esperava, Mirax, e espero honestamente que me surpreenda de novo dessa vez, pelo bem do meu povo e do seu filho. Caso contrário, terei que acelerar meus planos de usar ele como seu substituto.</p>
<p>Dizendo isso, o homem mordeu seu pescoço com força, sugando o pouco sangue que ainda passava por aquela veia. A boca quase sem vida da mulher se abriu minimamente. Ela não conseguia mais gritar, não tinha mais forças, mas soltou um leve suspiro, provavelmente o último que daria em sua vida, tentando falar o nome do filho.</p>
<p>— Marven&#8230;</p>
<p><strong>Próximo:</strong> <a href="https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-20-isekais/">Capítulo 20 &#8211; Isekais</a></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><em>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</em></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p><em>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</em></p>
<p><strong>Curiosidade: </strong></p>
<p>Esse capítulo foi engraçado de criar, e trabalhoso. Inicialmente era só a parte do Avô do Jorge e o servo, com a parte da Denise no final. Mas fiquei com a sensação que estava faltando algo, então adicionei um trecho do final da invasão a cidade como Tease no começo, ao invés de apenas citar que ocorreu, como era o plano inicial. Não é essencial, mas dá mais peso ao ocorrido comparado a apenas citar por alto. Depois decidi acrescentar uma parte com o elenco mirim, já que eles vão ir ganhando mais importância ao longo dos livros, e se mostrava uma boa oportunidade de apresenta-los um pouco melhor. Podia fazer isso em uma situação cotidiana, mas seria não só comum, como provavelmente chato, então tentei achar uma situação mais interessante e um pouco mais tensa, que service para demonstrar bem a personalidade de cada um deles.</p>
<p>Conclusão?</p>
<p>Versão rascunho do cap &#8211; 800 palavras.</p>
<p>Revisão 2 (De 1 para 2 narrativas em locais separados) &#8211; 2400 palavras. </p>
<p>Revisão 3 (De 2 para 3 narrativas) &#8211; 3900 palavras.</p>
<p>Revisão 4 (Encorpar e corrigir erros) &#8211; 5100 palavras.</p>
<p>Esse é um bom exemplo de que embora eu saiba bem para onde vai a história, ela pode acabar sendo sensivelmente ampliada em tamanho ou complexidade quando começo a colocar no papel o que é apenas uma ideia base do que iria acontecer. </p>
<p>Como sempre, estou ciente de que sair do grupo principal não é do agrado de todos. Eu mesmo tenho esse sentimento em histórias, e por isso estou trabalhando a parte externa de forma bem gradual, e tentando deixa-la o menos tediosa possível. Se notarem no livro 1 tem apenas um capítulo bem curto no Norte, enquanto livro 2 vai ter uns 4 bem maiores (já foram 2).</p>
<p>A ideia é ir expandindo o mundo e dar desenvolvimentos interessantes a personagens que virão a ter papeis mais importantes na história em algum momento, além de permitir a expansão gradual do conhecimento do leitor quanto ao mundo, seja através de ações ou diálogos. No próximo capítulo voltamos ao grupo central.</p>
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<!-- wp:paragraph --><!--EndFragment--><!--EndFragment--><!--EndFragment--><p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/06/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-19-a-mulher-sem-sorte-parte-2/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 19 &#8211; A mulher sem sorte &#8211; Parte 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 18 &#8211; O Garoto de outro mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Feb 2019 23:19:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/02/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-18-o-garoto-de-outra-dimensao/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 18 &#8211; O Garoto de outro mundo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
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<p><strong>Capítulo 18 &#8211; O</strong><strong> garoto de outra dimensão</strong></p>
<p>Desde que fez 14 anos Jon começou a ter dúvidas sobre o caminho que seguiria na vida. Seu avô insistia para que começasse a trabalhar na empresa da família, mas Jon sempre achou aquele trabalho entediante.</p>
<p>Com sua memória fotográfica tinha vantagens em qualquer coisa, tirando atividades físicas. Mas nada que tentava o trazia contentamento.</p>
<p>Dois anos mais tarde, e com a pressão sobre ele aumentando por parte da família, Jon estava andando na rua, triste e sem saber o que fazer com sua vida, quando aconteceu. Do nada o chão abaixo de seus pés mudou para um gramado alto e bastante úmido. </p>
<p>A distancia pode ver uma torre branca, tão alta que era difícil ver o topo pouco depois das nuvens. &#8220;Onde estava?&#8221;, pensou.</p>
<p>Pouco tempo depois um grupo de pessoas apareceu e o cercou. Eles falavam uma linguá estranha que ele não entendia. Mas isso não chamou tanto a sua atenção quanto a loira em um manto azul que se aproximou lentamente dele e colocou a mão em seu ombro. Ela então apontou para si mesmo e disse:</p>
<p>&#8220;Joanne&#8221;</p>
<p>Isso Jon conseguia entender. Ele apontou para si mesmo e disse:</p>
<p>&#8220;Jon&#8221;</p>
<p>A mulher sorriu para ele, e esse visão foi a coisa mais bela que já tinha visto em toda sua vida. Quem era ela? Não importava. Ele finalmente tinha achado um propósito, um objetivo, algo pelo qual queria viver.</p>
<p>Foi então que tudo se apagou, e Jon acordou com uma voz familiar.</p>
<p>— Não devia contar a ele?</p>
<p>Era a voz de Zek. </p>
<p>— Você gostaria que te contassem? Só vai deixa-lo infeliz, é melhor ele não saber. Já pedi aos outros para não dizerem nada sobre&#8230;</p>
<p>Joanne parou de falar ao notar que Jon estava abrindo os olhos. Provavelmente não sabia que ele tinha escutado parte da conversa antes disso, embora não a tivesse entendido.</p>
<p>Estava dentro da carruagem que os levou para a cidade. Pela janela podia ver os prédios escuros característicos de Amit, então ainda estavam dentro do local.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>Controlando a diligencia estavam Lara e o guia que os trouce a cidade, ainda usando seu manto velho e com os longos cabelos pretos escorrendo pelo rosto pálido. &#8220;Por onde ele andou esse tempo todo?&#8221;, se perguntou Jon. Ambos ele e Lara pareciam estar cochichando algo, mas não dava para escutar o que. A sua frente estava Irene, dormindo, e ao lado dela, Zek, conversando com Joanne antes dele acordar. </p>
<p>A formação da escolta montada era a de sempre, Marko e Dorian atrás da carruagem e Arian e Kadia na frente. &lt;E&gt; estava sentada na frente do cavalo de Arian, lendo um livro enquanto ele passava as páginas quando ela o cutucava.</p>
<p>Por último notou que estava deitado em cima de algo macio, mas não era um travesseiro.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Tudo bem?</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>Era a voz de Joanne, ele estava deitado no colo dela. Assim que notou ele se forçou a levantar. Foi mais difícil do que pensava, todo seu corpo doía.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Você&#8230;?</p>
<p>— Eu estou bem, Jon. Seu sangue era mesmo compatível. Devia se preocupar mais consigo mesmo.</p>
<p>— Por que eu desmaiei, afinal? Não estava ferido.</p>
<p>Joanne apontou para o cabelo de Jon. Ele então se virou para o espelho no teto da carruagem e entendeu. A mecha branca que surgiu em seu cabelo desde que quase foi morto pela Bruxa havia aumentado.</p>
<p>— Você repassar energia para mim não funcionou?</p>
<p>— Funcionou, mas você vai a perdendo com qualquer esforço que faça. Para uma pessoa normal não faz diferente, mas sua alma foi danificada, você quase não está renovando a energia espiritual do seu corpo. Zek teve que te passar um pouco da dela.</p>
<p>Jon lembrou do beijo com Joanne e imaginou que o mesmo tinha acontecido.</p>
<p>— Por que ficou vermelho? Ah&#8230; Ela te passou energia com toque, aquilo que fiz com você é só para emergências quando precisa passar energia rapidamente. Mas sorte a sua não ser desse mundo, parece que graças a isso você não tem um pagamento. Se tivesse teria entrado nele.</p>
<p>Jon entendia a teoria da coisa, mas ainda era muito estranho ter que beijar alguém para passar energia. Em tese, o que se descobriram a base da tentativa e erro ao longo de muitos anos, é que quanto mais interna for a parte do corpo em contato, mais rápida qualquer tipo de transferência. Cura, pactos, transferência de energia, maldições,  qualquer coisa funciona mais rápido com contato interno entre as duas partes.</p>
<p>Jon também não conseguia deixar de lembrar da outra possibilidade mais avançada fora o contato de lábios e linguá, que ele já havia experimentado contra a sua vontade. Foi quando um pensamento lhe veio a mente.</p>
<p>— Espera! Vou precisar de transferência para o resto da vida?</p>
<p>Zek queria dizer algo, mas se conteve.</p>
<p>— Ao menos até darmos um jeito de reparar sua alma. Energia celestial só cura a parte física, não tem nada que possa fazer quanto a danos na alma.</p>
<p>Jon parecia bastante infeliz com a resposta. Ficar dependente de reporem sua energia parecia degradante. E pior, nunca ouviu falar de curas para alma. Mas como não havia nada que pudesse fazer no momento, mudou de tópico.</p>
<p>— É impressão minha ou estamos sendo descaradamente seguidos por aquele pessoal ali atras.</p>
<p>Jon apontou para uma carroça simples de madeira, guiada por duas meio elfas. Dentro da carroça pareciam haver várias mulheres.</p>
<p>— Arian comprou todas as escravas meio-elfas dos lordes da cidade que foram mortos pelo cavaleiro da morte no dia seguinte que chegamos aqui. Elas vão nos seguir por alguns dias até o cruzamento que dá para Distany. Ele mandou um mensageiro para Distany chamar alguém para as guiar a partir dali.</p>
<p>— Ao menos vamos ter entretenimento a noite&#8230; — disse Dorian, com um olhar safado para a carroça atrás deles.</p>
<p>Arian olhou furioso para trás no mesmo instante.</p>
<p>— Toque em qualquer uma delas e eu arranco a sua cabeça — ameaçou.</p>
<p>— E se elas pedirem? — desafiou.</p>
<p>— Fique longe delas, Dorian, só vou avisar uma vez.</p>
<p>— Sabe que faziam isso com elas todo dia, né&#8230;? Mas entendo seu lado, quer uma carroça inteira de meio elfas só para você&#8230; Tem que fazer jus a fama de taradão das elfas&#8230; Lara, devia dar um jeito de deixar suas orelhas pontudas, conseguiria o que deseja mais rápido.</p>
<p>Marko não aguentou e caiu na gargalhada. Jon ficou em dúvida se achava aquilo legal da parte de Arian ou só dava risada do deboche de Dorian, que claramente só estava de provocação desde o começo. Ele então olhou para Zek e notou que ela estava com sua armadura e espada celestiais. Quando eles a resgataram ela só usava a roupa que tem por baixo da armadura.</p>
<p>— Como as conseguiu de volta? Foi pegar dentro do castelo congelado de Arx?</p>
<p>— Não, eu só invoquei — respondeu ela, sem entender a pergunta.</p>
<p>— Como é?</p>
<p>— As armaduras e armas celestiais tem uma ligação com o dono, como as armas espirituais que criamos nesse mundo. Basta Zek querer que ela se teleporta de onde estiver e se materializa no corpo dela. Tanto armadura quanto espada.</p>
<p>— Dessa eu não sabia&#8230; E a Irene? Está bem?</p>
<p>Joanne olhou para a amiga dormindo com a cabeça apoiada no colo de Zek.</p>
<p>— Kadia fez um corte profundo no peito dela. Se Lara não tivesse a curado rapidamente quando viu seu estado, estaria morta.</p>
<p>Jon não conseguia imaginar a cena de Lara ajudando alguém sem motivos sortidos por trás. Provavelmente estava querendo se mostrar para Arian de novo. Joanne continuou.</p>
<p>— Não dá para curar algo assim de uma vez só, então ela vai precisar de mais alguns dias de repouso e aplicação de energia espiritual na ferida para se recuperar. Nos a dopamos para conseguir dormir, já que estava sentindo muita dor por causa da ferida.</p>
<p>Jon então voltou a reparar em Joanne.  </p>
<p>— Ainda está bem pálida.</p>
<p>— Estou bem, nenhum ferimento interno grave, e o ferimento do braço logo vai estar totalmente curado comigo mantendo energia celestial no braço o dia todo. Meu problema era o estado crítico pela falta de sangue, e você já resolveu ele. </p>
<p>Jon olhou para ela meio insatisfeito, e depois para seu braço, onde viu o curativo do local onde espetaram a agulha para retirar sangue.</p>
<p>— Transferiu o bastante? Ainda está muito branca, e eu me sinto bem, pode tirar mais.</p>
<p>Joanne riu com a insistência dele, o que o fez imaginar se ela lembrava que naquela manhã ele tinha basicamente se confessado para ela pensando que iria morrer. Foi então que Marko interferiu.</p>
<p>— Jon, quando disse que precisava de confiança na sua abordagem virar a mãe da Joanne não era bem a ideia&#8230; — disse seu mentor, de cima de seu cavalo, olhando pela janela da carruagem.</p>
<p>Joanne deu uma risada de leve.</p>
<p>— Estou bem, Jon, sério. A anemia vai passar em uns 2 dias, basta eu tomar bastante água e comer direito. Mas se precisar de mais sangue, eu te aviso e fazemos uma nova transfusão. Você precisa de um a dois dias para se recuperar da primeira antes.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— E o&#8230; seu braço&#8230;?</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Não tenho como regenerar um braço&#8230; Poderia colocar uma prótese, mas até se acostumar a mexer gastando pouca energia espiritual demora anos, e elas custam uma fortuna. Vou ter de aprender a viver com um só a partir de agora.</p>
<p>Jon olhou com tristeza para o braço de Joanne. Sabia que não havia opção, mas foi ele que a privou de um dos braços mesmo assim.</p>
<p>A atenção dele logo foi desviada por Dorian e Arian xingando um ao outro.</p>
<p>— Você é um idiota!</p>
<p>— Que está havendo? — perguntou Jon a Marko pela janela da carruagem.</p>
<p>— Arian estava querendo saber o que Dorian estava fazendo durante a queda da torre em vez de ajudar vocês. Encontramos ele são e salvo no hotel pouco depois de você e Joanne desmaiarem.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Já disse, assim que a Lara congelou a torre escorreguei até o final dela e desci para a cidade.</p>
<p>Jon arregalou os olhos com a resposta e respondeu furioso.</p>
<p>— Você o que? Podia ter nos ajudado! Talvez não tivéssemos caído se estivesse lá!</p>
<p>— Desculpe, Jon, mas não vou dar de herói, estou fazendo só pelo dinheiro, e ele não é o bastante para eu arriscar me suicidar lutando em uma torre prestes a cair no mar. Diferente dessas abominações eu e você somos humanos e morremos fácil. Só estou vivo até hoje por ser precavido. Sem poder usar minha magia direito por causa da droga que Arx me aplicou, nem ajudar muito eu poderia de qualquer forma. </p>
<p>Arian olhou para ele com reprovação.</p>
<p>— Fale o que quiser taradão das elfas, eu não tenho um espírito de mau humor no corpo para me proteger sempre que estou prestes a morrer.</p>
<p>Arian voltou a ficar possesso.</p>
<p>— Proteger? Sabe quantas pessoas inocentes já morreram por causa daquela coisa?</p>
<p>— Mas você está vivo, não está? Esse treco só dá azar para quem está em volta, não para você. Bem, a não ser que sejam aliados&#8230; E esse é mais um motivo para eu querer dar o fora da torre antes que você surtasse por lá.</p>
<p>Arian balançou a cabeça nervoso, e então voltou a se virar para frente. Os olhos de Jon então pousaram em Kadia, que estava com um olhar meio perdido.</p>
<p>— A Kadia está bem? — perguntou ele, falando com Joanne.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Parece meio confusa, mas disse que vai ficar conosco e cumprir o acordo que fez comigo em Arcadia. Ela perdeu muita coisa da memória dela. Deixamos ela ler uma parte de nossa mente para ao menos ter ideia do que aconteceu desde que nos conheceu.</p>
<p>— Não parece ter ajudado muito.</p>
<p>Nesse momento, Kadia, que provavelmente estava escutando os pensamentos dele, se virou para Jon e disse.</p>
<p>— É melhor que nada&#8230; mas&#8230; você se ver fazendo e dizendo as coisas é diferente de lembrar de ter feito&#8230; é como ver outra pessoa igual a mim fazendo tudo&#8230;  Jon.</p>
<p>— Por que dá pausa? Não lembra o meu nome?</p>
<p>— Eu vi nas memórias, mas não me sinto a vontade falando. É a primeira vez que falo com você&#8230; digo, desde que perdi parte das minhas memórias.</p>
<p>Jon achou melhor não perguntar muito mais, em geral Kadia parecia bem pouco a vontade falando com ele no momento. Ele então se virou novamente para Joanne.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Onde estamos?</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Saindo da cidade. Você desmaiou hoje de manhã, arrumamos as coisas e decidimos sair a tarde mesmo, continuar na cidade era muito arriscado. O povo todo estava nos olhando feio.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Eles sabem o que aconteceu com Arx?</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Parece que não. Mas sabem o que fizemos com os guardas, o que foi o bastante para ficarem bastante hostis.</p>
<p>Jon então olhou para Zek, que o estava encarando sem dizer nada.</p>
<p>— Tudo bem, Zek?</p>
<p>— Tudo, mas ainda estou meio tonta com seja lá o que injetaram em mim. Desculpe de novo Joanne, fui apenas um estorvo.</p>
<p>— Não foi sua culpa mulher! Para de se desculpar — Joanne parecia irritada, o que levava Jon a crer que ela devia estar se desculpando repetidamente a algum tempo.</p>
<p>Jon começou a encarar o teto da carruagem pensativo.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Só queria saber quem pegou Kadia e Zek no fim das contas&#8230;</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Arx — disse Marko.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Ele entrou e as levou sem notarmos? — Jon parecia meio incrédulo com a possibilidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— A Kadia foi pega no meio do caminho para o hotel. Um humano normal não conseguiria, então deve ter sido ele ou muitos demônios. Pelo estrago da área em que encontrei a espada dela quebra, ter sido ele é mais provável — disse Arian, antes de ser cutucado por sua fantasma de estimação e passar mais uma página do livro que estava segurando.</p>
<p>— Foi ele sim&#8230; — confirmou Kadia.</p>
<p>— Recuperou suas memórias? — perguntou Jon, animado.</p>
<p>— Não, eu lembro de tudo desde que encontrei ele, só não lembro de muitas coisa antes disso. Mas preferia ter esquecido do encontro com ele também&#8230;</p>
<p>Kadia parecia nervosa, o que o levava a crer que estava lembrando da parte em que foi torturada por Arx e seu servo. Era uma boa hora para mudar de assunto, pensou ele. </p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— E a Zek? — questionou Marko.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Não tenho ideia. Do que se lembra Zekasta? — perguntou Jon.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Eu estava bem. Do nada a porta do quarto começou a bater e eu desmaiei.</p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Um demônio? — sugeriu Dorian. </p>
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<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Foram os donos do hotel. — disse Kadia.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Como é? — Joanne pareceu meio incrédula.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Eu li a mente deles, receberam ordens para drogar a comida dela. Em seguida os demônios de Arx levaram Zek. O que Zek viu provavelmente era uma alucinação derivada do veneno na comida.</p>
<p>— Desgraçados&#8230;  — Marko ameaçou virar a cavalo e voltar para o Hotel.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Espera! Acho que entendeu errado, Marko. Lembra do diário? Não era só os donos do hotel, todos da cidade deviam estar contra nós. Todos são obrigados a obedecer qualquer ordem de Arx por causa do pacto de sangue que fizeram ao entrar na cidade. </p>
<p>Ao escutar isso Marko rapidamente se acalmou e deu uma risada, provavelmente achando graça de si mesmo por não ter pensado nisso.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Entendi, mistério resolvido então. Até que nos viramos bem, quer dizer, considerando as adversidades&#8230;</p>
<p>— Só sei que nunca mais quero voltar aqui. Foram os piores momentos da minha vida — reclamou Jon.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Que nada, como eu falei, ainda vão invejar a forma que perdeu a virgindade quando contar a história.</p>
<p>Zek gelou quando escutou isso. Seu rosto inexpressivo foi substituído por um com dois olhos bastante arregalados.</p>
<p>— Como é? — Dorian pareceu muito curioso com o que Marko disse.</p>
<p>— Ele foi violentado por uma bruxa fundida com um demônio. Acredita nisso? </p>
<p>— Que legal&#8230; Isso humilha completamente todas as histórias de primeiras vezes ruins que já ouvi até hoje — Dorian estava olhando para Jon como se estivesse com inveja, o que só o deixava mais perplexo com a cultura masculina bizarra daquele mundo.</p>
<p>— Foi o que eu disse, não tem como ganhar dele!</p>
<p>— Qual é o problema com vocês dois?! — gritou Kadia, virando a cabeça para trás e olhando para Marko e Dorian com desprezo.</p>
<p>— Sai fora Kadia, você não pode criticar a gente andando por ai quase pelada desse jeito — disse Dorian.</p>
<p>No mesmo momento, Kadia agarrou as pontas do manto negro que estava usando em cima do corpo e tentou fecha-lo. Seu colante de couro preto estava todo rasgado, revelando muito de seu corpo.</p>
<p>— Por que não pega uma das minhas roupas, Kadia? A coisa está muito feia com a sua, bem mais do que quando saímos de Arcadia.</p>
<p>— Não quero me desfazer dela, é algo importante pra mim, só mas não lembro o por que.</p>
<p>A garota voltou a se virar para frente e ficar pensativa. Jon então voltou a falar.</p>
<p>— Minha experiencia com a Bruxa de Lain foi horrível, mas não era disso que estava falando&#8230; A torre foi o pior&#8230; — Jon se virou para Arian e falou mais alto para ele poder escutar — O que faria Arian, se tivesse que escolher entre salvar Lara ou sua fantasma?</p>
<p>Arian olhou para ele e deu uma risada de deboche.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Se quer tornar isso difícil é melhor tirar a &lt;E&gt; das escolhas&#8230;</p>
<p>Lara tocou os cavalos com mais força depois de ouvir essa, enquanto o guia ao lado dela segurou uma risada.</p>
<p>Outra reação curiosa foi a de &lt;E&gt;, que estava sentada na frente do cavalo de Arian, se virando para ele e dando um sorriso confiante. Em seguida mostrou a linguá para Jon.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Sério?</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Esse maluco mataria todos nos por ela — disse Marko, encarando as costas de Arian, que seguia com seu cavalo mais a frente do grupo.</p>
<p>Jon pareceu incrédulo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Seria uma boa hora para negar, não? Prefere o espírito de alguém que já morreu a alguém vivo?</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Eu escolho quem é mais importante, Jon, não dou a mínima para a situação da pessoa. Como Marko falou, não foi uma boa pergunta.</p>
<p>— Você é inacreditável&#8230; — comentou Dorian, com desprezo.</p>
<p>Tentando parar a discussão, Marko interviu.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Pare de pensar nisso, Jon. Fez um bom trabalho em uma situação muito difícil. E se não fosse por você Joanne teria virado um amaldiçoado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>Arian o olhou para trás parecendo um tanto quanto incomodado com o elogio de Marko, mas não disse nada. Jon então o questionou:</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Certo&#8230; Então, Arian, que você faria, Joanne ou Zek?</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— De novo, não está me desafiando. Pegaria a Joanne e deixaria a Zek cair. Se decorou mesmo aquele livro da minha guild você sabe por que.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>No fundo Jon realmente sabia, já havia pensado nisso várias vezes. Zek era uma Valkyrian, uma queda de 100 metros não iria mata-la, se muito talvez quebrasse um osso que iria se regenerar muito rápido. Joanne era humana, uma queda muito menor já a mataria. Era uma escolha obvia, mas que ele não pode fazer por falta de frieza.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— É difícil&#8230; Mesmo sabendo disso&#8230;</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Não, no seu caso só exigia mais coragem e sangue frio. O que você tinha era a opção de os três sobreviverem salvando a Joanne ou só a Zek sobreviver com você se recusando a soltar as duas. Não me parece difícil&#8230; Escolher entre uma mãe e uma filha é difícil, entre duas pessoas que você ama, entre irmãos, ou entre uma pessoa que você ama e milhares de inocentes.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>Ao lembrar do caso do Arian matando milhares de pessoas na União Central, Jon decidiu parar com a discussão. A diferença entre aquelas escolhas e a dele era enorme. Mesmo tentando achar uma desculpa, era difícil negar para si mesmo que lhe faltou coragem para fazer o obvio. Marko, no entanto, não gostou a sinceridade do amigo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Arian, vai se ferrar! Você já fez muita merda quando era novato na sua guild.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— E me falaram exatamente a mesma coisa que disse a ele. Não estou o castigando, só fazendo com que ele pense melhor da próxima vez. Tratar ele como coitado não vai fazer ele melhorar em nada. Lembra do que meu outro eu te disse quando teve que arrancar a cabeça daquela mulher, Jon?</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>Jon fez um sim com a cabeça. &#8220;Quando a hora chegar, espero que tenha coragem de fazer o que tem que ser feito&#8221;. Ele não tinha como esquecer, principalmente porque Arian quase quebrou seu pescoço na ocasião.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>— Sei que é uma escolha difícil, e você não tinha garantias concretas sobre a resistência de Zek fora o que leu em um livro, mas ainda assim, eram 2 vidas ou nenhuma. Se você prefere nenhuma por medo de peso na consciência depois, é mais covarde do que eu pensei.</p>
<p><!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --></p>
<p>O clima ficou meio fúnebre depois da sinceridade de Arian, e eles apenas seguiram viagem em silêncio.</p>
<p>— Jon, uma coisa ainda me intriga, como tinha certeza que seu sangue iria funcionar? — perguntou Joanne.</p>
<p>Lara se virou e olhou pelo vidro da carruagem, a resposta parecia interessar a ela também.</p>
<p>— Meu sangue funciona em qualquer pessoa.</p>
<p>— Sério? Já ouvi boatos de algumas pessoas que conseguem passar o sangue para qualquer um sendo mantidas como suporte de emergência para alguns lordes e reis, mas nunca cheguei a ter uma comprovação de que isso de fato existe.</p>
<p>— São raras, mas existem pessoas assim, vocês só não descobriram ainda um método para testar, infelizmente. </p>
<p>— No seu mundo tinha?</p>
<p>— Era algo bem banal por lá&#8230; — Jon parecia desinteressado no assunto. Seu mundo não o interessava mais, embora entendesse a curiosidade de Joanne.</p>
<p>— Que interessante. Não pode replicar aqui? Ficaria rico.</p>
<p>— Talvez, mas não tenho os meios necessários, infelizmente.</p>
<p>— Como era esse seu mundo? Parece bem diferente do nosso.</p>
<p>— Não tanto assim, só avançamos muito mais em tecnologia e não tínhamos essa variedade tão grande de raças.</p>
<p>— Qual o nome dele? Talvez já tenha ouvido falar, li relatos sobre muitos mundos diferentes nos livros da Torre de Luz.</p>
<p>— Com mundo creio que se refere a minha dimensão, para a qual não sei se existe um nome. Mas o lugar onde eu vivia nos chamamos de&#8230; — Jon deu um breve pausa ao lembrar da ironia do nome, e depois completou — Terra&#8230;</p>
<p><strong>Fim do arco 1 do Livro 2. </strong></p>
<p><strong>No próximo arco:</strong></p>
<p>Depois de um ataque, Arian, Lara e Kadia são teleportados para o meio da floresta amaldiçoada, sem a menor noção de como sair de lá e sendo constantemente atacados por todo tipo de amaldiçoados. Enquanto isso, Victor parte em direção a cidade de Sunkeep para destruir a última Lamina do Sol conhecida, a única arma capaz de afetar a relíquia que contem sua alma.</p>
<p><strong>Próximo:</strong> Capítulo 19 &#8211; Rumo ao Sul</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Comente o que achou do capítulo, o autor agradece.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>PS: O capítulo ainda não passou pelo revisor, então pode conter alguns errinhos.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph --><!--EndFragment--><!--EndFragment--><p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/02/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-18-o-garoto-de-outra-dimensao/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 18 &#8211; O Garoto de outro mundo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 17 &#8211; Alice</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Feb 2019 14:06:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[As Crônicas de Arian - Livro 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O post <a href="https://www.intoxianime.com/2019/02/as-cronicas-de-arian-2-capitulo-17-alice/">As Crônicas de Arian 2 &#8211; Capítulo 17 &#8211; Alice</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.intoxianime.com">IntoxiAnime</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Índice para todos os capítulos: <a href="https://www.intoxianime.com/2017/06/as-cronicas-de-arian-lamina-do-sol-indice/">aqui</a></p>
<!-- /wp:post-content -->

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<p>Ou você pode ler de graça se cadastrando <a href="https://amzn.to/2I411Fv">nesse link</a>.</p>
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<p><strong>Capítulo 17 &#8211; Alice</strong></p>
<p>&#8220;Você é um idiota, Atlas&#8221;</p>
<p>&#8220;Talvez&#8230; Mas nunca vou ter certeza se não tentar&#8221;</p>
<p>&#8220;Vai se arrepender e desistir um dia&#8230; E quando o fizer&#8230; Por favor, me mate antes de ir embora&#8221;</p>
<p>O homem passou a mão por seus cabelos quase brancos de tão claros, enquanto pensava nas palavras que selaram o destino dele e o de Jane poucos anos atrás. Ele estava sentado em uma cadeira olhando para ela, a mulher mais linda que já viu na vida, deitada em uma cama de casal em um quarto decorado com luxo. Os cabelos negros estavam espalhados pela cama, e a franja caindo sobre o meio do rosto. O contraste com a mobília preta do local destacava ainda mais seus lindos lábios vermelhos.</p>
<p>As feridas causadas por ela no combate contra Arian e seu grupo em Amira foram curadas por um sacerdote no meio do caminho para Amit, mas Atlas nunca deixava de ficar horrorizado quando ela enlouquecia e começava a se auto-mutilar, devido a influencia da energia da dimensão negra. Ela sempre dormia virada para cima e com os pés para fora da coberta. A silhueta de seu corpo nu criada pelo lençol era quase perfeita, e a luz do sol batendo sobre ela deixava tudo ainda mais bonito. Ele queria que alguém pintasse aquilo, pois não conseguia parar de acha-la a cena mais linda que via a anos.</p>
<p>Estavam em uma casa no alto de uma montanha que ficava ao lado da cidade de Amit. A residencia pertencia a Lorde Arx, que os cedeu o local quando chegaram na cidade com o pedido do Lich para Arx dar um jeito de parar o grupo de Arian, ou ao menos atrasa-los. Foi então que os pensamentos de Atlas foram interrompidos.</p>
<p>— Essa mulher só dorme? — perguntou Marin, aparecendo de repente na porta do quarto.</p>
<p>— Ela está em um dia ruim hoje, tive que dopa-la.</p>
<p>— Relação curiosa a de vocês&#8230; A líder tem o subordinado como baba&#8230;</p>
<p>— Ela é excepcional quando não está&#8230; bem, em dias ruins&#8230; O plano que ela bolou para atrasar o grupo de Arian era ótimo.</p>
<p>— Talvez, mas o planejamento brilhante dela não adiantou para nada&#8230; Aquele portal se abrindo com os teleportadores foram melhores que qualquer plano que pudêssemos bolar.</p>
<p>Atlas deu uma risada.</p>
<p>— Qual a graça? — Uma colega de guild costumava dizer que a sorte está do lado dos bons&#8230; Ela acharia nossa situação engraçada.</p>
<p>— Acha que está do lado dos maus?</p>
<p>— Não sei se acredito em bem e mal, mas sei que estou do lado que resulta em mais mortes de gente inocente&#8230;</p>
<p>— Crise de consciência? Por isso fica se vestindo de preto e pulando de prédio em prédio por ai?</p>
<p>— Talvez&#8230; Mas mesmo não gostando do que estou fazendo, ao menos sei que estou do lado que quero estar.</p>
<p>— Nem um pouco contraditório&#8230; Você é um homem muito estranho&#8230; E que tal olhar para mim enquanto fala comigo?</p>
<p>— O importante é eu te escutar, não ver a sua cara. Lamento dizer mas a visão a minha frente é muito mais bonita do que a outra opção que está me dando.</p>
<p>— Sabe que ela não gosta de você, não é? Tirando casos raros, quase toda bruxa perde a capacidade de sentir afeição nos níveis mais avançados, ela só está te usando para saciar seu pagamento e servir de baba quando ela fica fora de controle.</p>
<p>— Talvez sim, talvez não&#8230; Mas eu me sinto feliz quando estou perto dela&#8230; Gostaria de um dia poder confirmar se ela sente o mesmo, mas por enquanto a situação atual é o bastante para mim.</p>
<p>— Está com uma mulher que te obriga a fazer coisas que odeia e se sente feliz mesmo assim? Eu nunca vou entender os humanos&#8230;</p>
<p>— Não escolhemos de quem gostamos, Marin, só acontece&#8230; O dia que encontrei Jane naquele prisão, eu sabia que queria segui-la pelo resto da minha vida. E eu tenho esperanças de que se o Lich conseguir cura-la, como prometeu, ela não faça mais coisas tão ruins e possamos viver o resto de nossos dias em paz, quem sabe até ajudando pessoas para tentar pagar pelo mal que estamos fazendo agora.</p>
<p>Marin se segurou para não gargalhar alto.</p>
<p>— Vai trocar uma mulher com ataques de loucura por uma com remorso por todas as coisas que fez na vida enquanto estava sobre influencia de energia da dimensão negra? Que maravilha&#8230;</p>
<p>Atlas finalmente se virou e olhou para ela.</p>
<p>— Tem sempre que ver o pior em tudo? Marin sorriu com malicia.</p>
<p>— Sou a Bruxa de Lain, lembra? Se não atormentar você um pouco minha fama não vai se justificar.</p>
<p>— Você conspirou e matou o seu mestre&#8230; Acho que já fez jus o bastante a sua fama — debochou Atlas.</p>
<p>— E curiosamente não parece se importar nem um pouco com isso&#8230;</p>
<p>— Arx era um hipócrita que matou milhares de inocentes nos últimos 50 anos para manter a alma de sua filha e a ele mesmo vivos, o mundo está melhor sem ele. Meu objetivo era atrasar o Arian, e ele foi cumprido. Agora saia daqui com essa faca envenenada que está segurando nas costas e mande seu lacaio sair da janela. Se ele acordar Jane eu mato vocês dois&#8230;</p>
<p>Marin tentou não parecer tão surpresa quanto realmente estava.</p>
<p>— Onde eu errei? — Se quer matar um licantropo não se aproxime com nada que ele possa farejar a mil metros de distancia&#8230; —  Atlas não parecia preocupado. — Conseguiu reviver a garota?</p>
<p>— Ainda estou trabalhando nisso. E você, não vai seguir o grupo das sacerdotisas? Já devem estar se preparando para partir.</p>
<p>— Chegou um mensageiro hoje de manhã. Acredite, se o que ele me disse for verdade, eles vão ter uma grande surpresa quando chegarem no ponto da estrada que encosta na floresta amaldiçoada. Não vou precisar fazer nada. Fora que&#8230; Bem, eles tem alguém muito pior do que qualquer enviado do Lich na cola deles agora.</p>
<p>— Como assim?</p>
<p>— Eles já devem estar para sair da cidade pelo que o informante disse. Se avista-los, repare bem no grupo todo.</p>
<p>Marin deixou a casa e se dirigiu a uma pequena cabana que ficava próxima a ela, era a casa do caseiro, que no momento estava abandonada. Ela então se virou e olhou para a cidade. A visão que tinha dali permitia ver o local inteiro de uma ponta a outra. Uma carruagem preta seguida por uma carroça comum coberta por uma tenda branca chamou sua atenção. A carruagem era guiada por cavalos brancos, a frente dela duas pessoas a cavalo faziam a escolta, um homem com um manto verde escuro, e uma mulher com um manto preto cobrindo o corpo.</p>
<p>Atras mais dois cavalos fechavam a escolta, montado em um deles estavam um homem enorme em uma armadura negra, e do outro lado um homem vestindo uma armadura de couro simples. Sabia exatamente quem eram. Marin usou sua visão sobre humana para ver mais de perto, até encontrar o que estava procurando dentro da carruagem. Pode vê-lo pelo janela, e logo depois se sentiu uma idiota pela curiosidade em checar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ela ainda estava bastante perplexa. Teve certeza que viu Jon e duas mulheres que estavam com ele caindo da torre durante o incidente. Do nada um vulto negro teleportou em meio ao ar em cima deles, agarrou Jon se aproveitando que ele estava tocando em todas, e teleportou de novo com todos eles para algum local. Depois disso veio a maldição da relíquia de Victor se espalhando, e ela correu para o mais longe que pode. Ao observar melhor o grupo indo em direção aos portões da cidade, ela parou ao ver uma pessoa bem especifica com eles, e teve um vislumbre.</p>
<p>— Acho que finalmente entendi o que aconteceu&#8230; Marin sorriu, enquanto perdia o grupo de vista.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— Tente se manter respirando até nossos caminhos se cruzarem novamente, Jon. Se aquele for quem eu penso que é, vocês vão ter sérios problemas.</p>
<p>A bruxa se virou e voltou a caminhar em direção a cabana ali perto, dando de cara com o homem loiro  encostado na porta da modesta casa de madeira perto do cume montanha. Ao lado dele, uma fantasma com um olhar intimidante encarava Marin.</p>
<p>— Ainda não entendo, como está perambulando fora da cidade, Marin? — disse ele, enquanto a mão direita massageava sua barba por fazer.</p>
<p>— O contrato abrange todo território pertencente a Arx, não só a cidade, Lotus.</p>
<p>— Sério? Não vi quase ninguém saindo pelos portões durante o tempo que estive por aqui.</p>
<p>— Arx dizia que o limite deles era a cidade, e não creio que alguém seria louco de testar o contrário. Os únicos que entravam e saiam eram os fazendeiros e comerciantes, mas eles não tinham um pacto de sangue.</p>
<p>— Interessante&#8230; De qualquer forma, cumpri minha parte e te trouxe a cabeça de Arx, onde está meu pagamento?</p>
<p>— Eu o contratei para matar Arx e conseguir o papel do meu pacto que ele escondeu no castelo. Não foi você que o matou, e não estou vendo meu contrato. Então sem pagamento.</p>
<p>Lotus deu uma risada e em seguida colocou a mão no bolso, retirando um papel amarelado manchado de sangue.</p>
<p>— Tem certeza? Marin correu até ele e pegou o papel, conferindo se era mesmo o que pensava.</p>
<p>— Não acredito&#8230; — disse a bruxa, com os olhos brilhando. Ela então rasgou o papel — Livre, finalmente!</p>
<p>— Com aquela confusão na torre foi fácil entrar no castelo e encontrar. Estava no porão que nunca consegui entrar, mas assim que Arx morreu, a magia que bloqueava a entrada se foi. Só não entendi por que me queria a cabeça dele&#8230;</p>
<p>— Apenas um capricho meu&#8230; Mas admito que nunca achei que você iria conseguir. Na verdade ainda acho, só deu sorte daquele grupo aparecer aparecer por aqui e agilizar o plano que estava montando faz anos.</p>
<p>— Eu disse que faria o serviço e ele acabou feito, sorte ou não é independente de mim. Agora me passe o pagamento ou minha amada aqui vai ter que testar se é tão assustadora quanto as lendas sobre você dizem.</p>
<p>Marin não gostou da ameaça, e encarou os olhos da bruxa ao lado de Lotus, quase como se a estivesse desafiando. Ambas ficaram paradas ali por algum tempo, até que alguém falou de dentro da cabana.</p>
<p>— Ela acordou!</p>
<p>Ao ouvir isso, Marin relaxou. Tinha que se livrar logo daquele idiota.</p>
<p>— Vá até o que restou da biblioteca e quebre o local no chão marcado por uma mancha branca, tem 500 moedas de ouro ali em baixo.</p>
<p>— Como vou saber se não é uma armadilha?</p>
<p>— Peça para sua bruxa de estimação checar antes.</p>
<p>— Boa ideia! Vamos amor, com 500 moedas podemos tirar longas ferias de amanhã em diante&#8230;</p>
<p>Lotus subiu em seu cavalo e seguiu para a cidade enquanto conversava com sua fantasma.</p>
<p>— Não, nada de lugares gelados, minhas partes baixas não funcionam bem no frio&#8230; Te trair? E nunca faria isso&#8230; Aquilo foi um acidente, eu estava bêbado&#8230; Que coisa horrível para se dizer, amor&#8230;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Assim que os perdeu de vista, Marin entrou na cabana. Dentro dela, apenas alguns moveis velhos, e um caixão de metal com uma garota dentro. Seus olhos estavam abertos, mas ela aparentemente ainda não conseguia se mexer.</p>
<p>Sentado em uma cadeira, a observando, estava o famoso servo de Arx, que havia saído de seu lado até hoje. Marin sabia muito pouco sobre ele.</p>
<p>— Honestamente, o que ainda está fazendo aqui, Lian?</p>
<p>— Estou curioso, acreditava mesmo que aquele bêbado conseguiria matar Arx quando o contratou?</p>
<p>— Não, mas tive esperanças que ele ao menos acharia o contrato de sangue, como ele acabou fazendo.</p>
<p>— E precisava colocar a torre abaixo? Era um presente para a filha dele&#8230;</p>
<p>— Ele tinha uma ligação com as várias almas presas a torre, quando coloquei ela abaixo a magia foi quebrada. Aqueles idiotas nunca conseguiriam matar ele com a torre intacta, ele seria umas cinco vezes mais forte e se regeneraria ainda mais rápido.</p>
<p>Lian parecia meio incrédulo com a informação, e então Marin voltou a perguntar.</p>
<p>— Sério, por que ainda está aqui? Com Arx morto não existe mais nada que controle sua vontade, nem ao menos entendi porque trouxe a filha dele para cá como ele ordenou. Pensei que largaria ela no meio do caminho e sairia da cidade assim que ele morreu e você saiu do controle mental.</p>
<p>O homem que parecia um humano normal, careca e com um olhar calmo, riu da pergunta.</p>
<p>— É engraçado&#8230; Embora ele tenha me dominado com magia no começo, a anos que faço o que ele me pede por vontade própria, e meio que criei um&#8230; não sei bem a palavra, mas sei que me importo com essa garota. Eu nunca tive um propósito no meu mundo, só vagava por ai a esmo, até que um portal me jogou nesse mundo, Arx me encontrou perto de Amit e me dominou usando magia. Pensei que viveria dias horríveis, mas ele nunca me tratou mal depois disso, na verdade parecia até feliz em ter alguém com quem conversar. Acho que como eu nunca tive um propósito, comecei a achar divertido ajudar alguém a tentar conseguir o dele&#8230; Quando ele morreu não senti pena dele, e aprecio ter minha liberdade de volta. Mas admito&#8230; me sento solitário sem ele&#8230; Quer dizer&#8230; O que eu faço agora?</p>
<p>Marin balançou a cabeça aborrecida.</p>
<p>— Você é inacreditável&#8230;</p>
<p>A bruxa então se dirigiu a Alice, que tinha recém aberto os olhos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— Finalmente acordou, Alice&#8230; Vai conseguir falar em pouco tempo, mas tem algumas coisas que preciso explicar antes. Primeiro, eu a revivi usando a alma de seu pai, ou mais precisamente a alma do demônio que coloquei nele e se fundiu com a do seu pai. Era tão forte que resistiu a um novo transplante.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A garota parecia horrorizada com a informação. Seus olhos eram puro horror.</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>— Sim, entendo que esteja surpresa e não goste disso. Na verdade, imagino que vá pensar em se matar futuramente, então deixe eu fazer um alerta: Se o fizer, todos naquela cidade vão morrer. E acredite, tem pessoas boas lá. Então, antes de tomar essa decisão, pense nisso, sua vida não é só sua agora, é você existir que mantem a cidade vida. E sim, assim como seu pai vai ter que consumir as almas de outras pessoas para se manter viva. Não se traz alguém de volta sem um preço. Sua personalidade vai gradualmente ficar mais fria e ríspida também. Ela tentou falar algo, mas ó saiu um grunhido.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— Deixa eu adivinhar o que disse, &#8220;Basta eu acabar com o pacto então&#8221;. Sim, você pode desfaze-los de um em um, mas quer mesmo soltar um bando de assassinos e estupradores por ai para fazerem o que quiserem pelo Sul? Eles só se comportam na cidade por causa do pacto de Arx, sem ele isso aqui seria um caos completo.</p>
<p>A garota ficou pensativa depois disso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— Foi o que pensei&#8230; A parte boa é que seu pai escreveu o contrato valendo para toda sua linhagem, o que inclui você. A parte mais curiosa desses contratos, no entanto, é que eles valem para a alma da pessoa, então mesmo que elas morram, até a alma sair desse mundo o contrato se mantem. Caso contrário, todos da cidade teriam morrido assim que seu pai perdeu a cabeça.</p>
<p>Alice arregalou os olhos com a ultima parte.</p>
<p>— Certo, isso foi insensível da minha parte&#8230;</p>
<p>Depois de mais um tempo Alice finalmente conseguiu mexer seus membros e levantar. Ela olhou para Marin e tentou falar algo.</p>
<p>— Por q&#8230;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— Isso é tão divertido&#8230; &#8220;Se podia mesmo me trazer de volta por que enrolou meu pai todos esses anos?&#8221;, deve ser o que quer saber. Conseguir um demônio forte o bastante para a alma resistir mesmo depois de morto é bem complicado, seu pai deu muita sorte de eu conseguir arranjar um para ele. Mas admito, não me esforcei no seu caso porque se conseguisse mesmo trazer você de volta, não teria mais utilidade para seu pai e acabaria morta no dia seguinte. Ele nunca confiou plenamente em mim.</p>
<p>Lian continuava sentado em sua cadeira calado. Só observando com curiosidade a conversa das duas.</p>
<p>— Então por q&#8230;</p>
<p>— &#8220;Então por que me ressuscitou agora?&#8221;, eu creio que seja a pergunta&#8230; Bem, antes que ache que foi por algum tipo de bondade, tome, isso é seu.</p>
<p>Marin entregou um pequeno livro amarelado com uma capa de couro nas mãos de Alice.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>—Isso é o diário de sua mãe. Sim, ela tinha um. Eu tive que roubar pouco antes dela morrer porque não podia deixar seu pai saber o que tinha nele. Mas agora isso não importa mais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph /-->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A garota olhou confusa para ela.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>— &#8220;Por que lhe dei isso agora?&#8221;. Sabe Alice, sempre achei a visão que as pessoas tem sobre o bem e o mal equivocada, embora eu fosse pouco instruída demais para expressar isso com a devida clareza quando mais nova. Não existe o bem ou o mal, e quanto mais rápido entender isso, melhor vai entender esse mundo. É tudo uma questão de pontos de vista.</p>
<p>Marin se aproximou da garota e colocou a mão em sua cabeça de leve.</p>
<p>— Do seu ponto de vista, atualmente, eu posso ter feito uma boa ação ao te trazer de volta, cumprindo o último desejo de seu pai e salvando todos na cidade da morte pelo contrato. Mas do meu ponto de vista, estou apenas concluindo minha vingança sobre seu pai. Quando ler esse diário vai entender exatamente o por que.</p>
<p>A garota então abriu o diário que lhe foi dado e começou a passar algumas páginas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph /-->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Comecei a imitar meu marido e também fiz um diário, quem sabe consigo entende-lo melhor assim. Não estamos nos dando tão bem desde que Alice nasceu. Admito que as vezes tenho um pouco de ciume dela, mas ele me ignorar não ajuda também&#8221;.</p>
<p>&#8220;Me sinto um pouco solitária&#8230;&#8221;.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Hoje encontrei uma mulher estranha na biblioteca da cidade. É a primeira mulher com quem converso na cidade que não me trata de forma diferente por ser a mulher do lorde local, espero vê-la de novo.&#8221;.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Fui a uma loja de chá hoje e encontrei novamente com aquela mulher. Ela me apresentou um chá especial de sua terra natal, é divino.&#8221;.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Estou me sentindo diferente ultimamente, toda vez que vejo minha filha me irrito, e venho pensando coisas perturbadoras sobre meu marido querer me matar e me substituir com minha filha&#8230; É nojento, absurdo, não sei de onde essas ideias vieram, quando acordei hoje elas apareceram, como se alguém tivesse me dito enquanto eu dormia. Elas não saem da minha cabeça, pensei nisso o dia todo&#8221;.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Aquela mulher sumiu, mas não consigo parar de escutar sua voz na minha cabeça quando durmo. Me sinto solitária sem ela&#8230; Aproposito, seu nome é Marin. Nunca tinha visto ninguém com esse nome.&#8221;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A seguir as frases de sua mão ficaram cada vez mais transtornadas, até ela afirmar que tinha que matar Alice a qualquer custo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ela não entendeu o que a bruxa disse no começo, mas agora fazia sentido. Ela se sentia aliviada por sua mãe não ter culpa pelo que fez, mas ao mesmo tempo muito triste devido ao que aconteceu com ela, manipulada por Marin.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Não saber disso a deixaria tão infeliz quanto saber, não havia bem ou mal apenas, os dois estavam misturados, mas do ponto de vista de Marin, ela saber que foi ela a destruir a mente de sua mãe era mais prazeroso do que a deixar pensando que a mãe a odiava. O coração de Alice começou a bater com força, enquanto ela ficava ofegante, uma sensação que a dava a certeza de que estava viva.</p>
<p>— Isso, era exatamente essa expressão que eu queria ver nos olhos de seu pai. Ódio pelo que fiz e alivio por ela não ser quem ele pensava&#8230; Bem, meu trabalho está feito. Como presente de despedida, um conselho, olhe a última página. </p>
<p>Marin então se dirigiu para a porta, mas parou antes de colocar o pé para fora. </p>
<p>— Lian, já que está entediado, que tal virar meu guarda-costas a partir de agora?</p>
<p>— Não, obrigado. Nunca gostei de você. Fora que acabei de ter uma boa ideia do que fazer daqui para frente.</p>
<p>— Que pena&#8230; — ao dizer isso, Marin saiu pela porta e sumiu de vista logo depois.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Assim que se recuperou do choque referente ao que tinha lido, Alice seguiu o conselho de Marin e pulou para a última página escrita do diário. Era a última frase de sua mãe enquanto viva.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Não sei o que está acontecendo, não me sinto mais eu mesma a muito tempo, e não consigo olhar minha filha sem querer fazer algo horrível com ela. Depois me arrependo e choro, mas é tarde demais, estou presa nesse ciclo diário. Espero que ela me perdoe por esses pensamentos horríveis um dia. Pode não parecer, mas eu realmente a amo.&#8221;</p>
<p>A mistura de sentimentos continuava. Ódio, tristeza, felicidade, não conseguia se fixar em nenhum. Mas aquela mensagem a acalmou um pouco. Foi então que Lian levantou e se dirigiu a ela.</p>
<p>— Ola, provavelmente já sabe disso, mas como nunca vi seu espírito, acho que o correto é me apresentar. Meu nome é Lian, e fui o servo de seu pai por muitos anos. Não sei se é uma boa hora, mas tome, seu pai me deu isso muitos anos atrás para caso você voltasse e ele não estivesse mais aqui.</p>
<p>Alice pegou a carta da mão dele.</p>
<p>— Se não se importa, gostaria de ficar por aqui e servi-la enquanto não decido o que fazer com minha liberdade. Se importa?</p>
<p>Alice não sabia o que dizer, então só acenou com a cabeça. Mas por dentro estava feliz, já que ao menos não ficaria sozinha. Ela então abriu a carta que Lian lhe deu.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph /-->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&#8220;Oi Alice,</p>
<p>Se está lendo isso, é porque não estou mais aqui. Estou escrevendo essa carta antes de Marin me fundir com um demônio, de forma a me salvar de morrer para a praga que matou você. Ela diz que existe a chance da fusão alterar um pouco a minha personalidade, e geralmente não é para algo bom. Então antes que isso aconteça, decidi escrever essa carta.</p>
<p>O pacto de sangue que tenho com todos da cidade vale para qualquer um que tem meu sangue, então eles também são obrigados a te obedecer. Em resumo, você é a rainha de Amit agora. Tenha cuidado com a Marin, caso ela ainda esteja viva quando ler essa carta&#8230; Aquela mulher é perigosa, nunca confie nela.</p>
<p>Eu fiz muitas coisas ruins que vão me atormentar pelo resto da vida para tentar traze-la de volta, e talvez faça coisa ainda pior no futuro, mas quero que saiba que esses pecados são meus, você não tem nada a ver com eles.</p>
<p>Ainda assim, se quiser que eu descanse em paz, seja lá onde estiver, tente ser uma governante melhor do que eu fui. Tem pessoas realmente boas nessa cidade, que merecem mais do que um idiota obcecado por trazer mortos de volta a vida. Cuide da nossa cidade, filha, e saiba que eu te amo, muito mais do que jamais poderá imaginar.</p>
<p>Lorde Vidermon Arx &#8220;</p>
<p>Lagrimas correram vagarosamente pelos olhos de Alice, enquanto ela levantava sua cabeça devagar e encarava o castelo de seu pai a distancia. A garota fechou os olhos, se concentrou e ficou de pé. Vendo que estava tremula, o servo de seu pai se aproximou e colocou a mão em seu ombro, como se tentasse dar apoio.</p>
<p>Ela limpou as lagrimas do rosto, caminhou lentamente para fora da casa, olhou resoluta em direção a cidade abaixo da montanha, e pela primeira vez desde que acordou conseguiu falar o que desejava.</p>
<p>— Vamos, Lian&#8230; Temos trabalho a fazer.</p>
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